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Os investidores repercutem hoje a decisão do Copom de manter a taxa básica de juros em 2% ao ano e a derrubada do forward guidance. Lá fora, bolsas seguem no embalo da posse do novo presidente dos EUA
Os temores com a piora do risco fiscal e a demora na vacinação contra a covid-19, que pautou o mercado nos últimos dias, seguem presentes quinta-feira (21), mas com um elemento extra: a repercussão da decisão do Copom de manter a taxa Selic em 2% ao ano e derrubar o "forward guidance".
O Ibovespa chegou a abrir o dia em alta, mas não conseguiu manter o patamar por muito tempo. A preocupação com o cenário fiscal volta a falar cada vez mais alto, principalmente após declarações dos candidatos à presidência da Câmara e do Senado, e os investidores preferem adotar uma postura de cautela.
Por volta das 17h, o principal índice da bolsa brasileira recuava 0,68%, aos 118.712,64 pontos. O dólar à vista, que começou o dia em queda, também virou e passou a subir 0,98%, aos R$ 5,3641.
O mercado de juros futuros passa por um ajuste, após o Copom retirar a sinalização de que manterá a Selic na mínima histórica por mais muito tempo. Com a leitura de que devemos ter mudanças em breve, a curva passou a precificar uma alta de 50 pontos-base já em março. Confira as taxas de hoje:
Uma série de entraves e tensões limitam os ganhos do Ibovespa e fazem com que a bolsa descole mais uma vez do exterior, como aconteceu ontem.
A questão fiscal fica ainda mais em evidência com a corrida pela presidência da Câmara. Tanto o principal candidato da oposição, Baleia Rossi, quanto o do governo, Arthur Lira, já sinalizaram interesse em voltar a discutir os novos estímulos e benefícios.
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Agora pela manhã a fala de Lira ajudou a estressar os mercados. O candidato reforçou a possibilidade da retomada do auxílio emergencial, destacando que a base de recebimento será menor, e o cadastro "mais polido". O deputado ainda disse que o mercado aceitaria uma despesa entre R$ 20 bilhões e R$ 50 bilhões por 6 meses. O deputado disse ainda não ter conversado com Paulo Guedes ou o presidente sobre o assunto este ano.
Em seguida foi a vez do candidado do governo à presidência do Senado, Rodrigo Pacheco, ampliar a preocupação com a questão fiscal e se mostrar favorável a uma flexibilização dos gastos. Em entrevista ao Broadcast Político, Pacheco disse que, em momentos de necessidade, o teto de gastos não pode ser "intocado" e se colocou contra a venda da Eletrobras.
O mercado, que já está sensível a qualquer sinalização que deixa de lado o compromisso com o teto de gastos e o equilíbrio fiscal, reage com grande cautela.
Pouco tempo depois, Lira utilizou as suas redes sociais para reafirmar o seu compromisso com o teto de gastos e a disciplina fiscal.
Com o ritmo de vacinação comprometido, esse sentimento piora ainda mais, já que para conter o coronavírus será preciso novas medidas de isolamento social, como já ocorre na China, Europa, Estados Unidos e até mesmo em algumas capitais brasileiras. Em São Paulo, o governo estadual deve reclassificar as regiões já na sexta-feira, pela terceira vez em 15 dias.
A aprovação da vacina, que deveria trazer alívio, escancarou outros problemas ainda mais sérios que envolvem logística, política e até relações internacionais.
As seis milhões de doses disponíveis da Coronavac foram distribuídas entre os estados e a chegada e produção de novas doses está comprometida. Isso porque a China tem dificultado a importação dos insumos necessários para a produção. A Fiocruz adiou para março a entrega das doses prometidas.
Representantes já confirmaram que o entrave tem raiz na postura do governo brasileiro nos últimos anos e nos ataques feitos pelos filhos do presidente ao país.O governador de São Paulo, João Doria, e o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, entraram no jogo para tentar resolver a situação.
Além disso, o país também tem problemas para importar doses de outros países, como a Índia. O governo federal diz ter adquirido um lote, mas o Brasil não consta na lista de países que devem receber o pedido em breve.
Além da falta de vacina, temos também a falta de um cronograma e um plano nacional de vacinação delimitado, enquanto o coronavírus segue vitimando cada vez mais pessoas,
Ontem, após o fechamento dos mercados, o Comitê de Política Monetária (Copom) manteve a taxa básica de juros em 2% ao ano e retirou o forward guidance, que indicava que a taxa permaneceria baixa por um longo período de tempo.
O Comitê afirmou que a derrubada do instrumento não é uma sinalização imediata de elevação da taxa de juros. Para o Copom, a conjuntura econômica continua a prescrever estímulo "extraordinariamente elevado frente às incertezas quanto à evolução da atividade" e as próximas decisões dependerão da análise usual do balanço de riscos para a inflação prospectiva.
Victor Benndorf, analista da Apollo Investimentos, lembra que o aumento da taxa Selic impacta diretamente no valuation de empresas, no prêmio de risco no mercado e no em uma melhora do custo oportunidade da renda fixa, o que pode acabar levando a uma realização dos lucros da bolsa como vemos hoje. " O que é ruim é que estamos indo na mão contrária do resto do mercado global. Os países desenvolvidos já prometeram e vão continuar com uma política ultra solta enquanto somos forçados a tirar os estímulos", conclui.
Ainda refletindo as expectativas positivas com o início do governo Biden e repercutindo os últimos dados da economia local, as bolsas americanas abriram o dia buscando novos recordes, mas perderam parte do fôlego durante a tarde. No radar também está o número de pedidos de auxílio-desemprego no país, que caíram 26 mil na semana, totalizando 900 mil, abaixo da previsão dos analistas.
Na Europa, os mercados aprofundaram a queda após a divulgação do comunicado da decisão de política monetária do Banco Central Europeu. Como esperado pelo mercado, a instituição manteu seus intrumentos de política monetária, mas o discurso de Christine Lagarde azedou o humor dos investidores.
Presidente do Banco Central Europeu, Lagarde afirmou que a segunda onda do coronavírus no continente traz riscos à economia. Segundo ela, dados apontam contração da economia na zona do euro no 4º trimestre e a atividade deve seguir pressionada no 1º trimestre de 2021.
O noticiário corporativo comanda as maiores altas do dia. A CSN acertou o preço para viabilizar o IPO de sua unidade de mineração, que deve estrear na bolsa com um valor de mercado entre R$ 47,5 bilhões e R$ 63 bilhões.
A Vale anunciou na noite de ontem que assinou um acordo para sair do segmento de mineração de carvão. Segundo a companhia, a estratégia está em linha com o Novo Pacto com a Sociedade, que prevê criar impacto positivo. Já a B2W segue surfando o cenário positivo para as empresas ligadas ao e-commerce. Confira as maiores altas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| PRIO3 | PetroRio ON | R$ 74,41 | 5,08% |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 33,73 | 1,90% |
| VALE3 | Vale ON | R$ 93,77 | 1,57% |
| BTOW3 | B2W ON | R$ 88,49 | 1,13% |
| BRAP4 | Bradespar PN | R$ 71,49 | 0,82% |
Confira também as principais quedas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| CYRE3 | Cyrela ON | R$ 27,01 | -4,96% |
| EZTC3 | EZTEC ON | R$ 37,13 | -4,79% |
| ELET6 | Eletrobras PNB | R$ 32,18 | -3,91% |
| VVAR3 | Via Varejo ON | R$ 14,08 | -3,36% |
| RENT3 | Localiza ON | R$ 67,30 | -3,26% |
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