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A moeda americana chegou a disparar mais de 1,3% antes da atuação do Banco Central. Em Brasília, cresce a pressão para que novas medidas de apoio sejam anunciadas, mesmo que sem contrapartida fiscal

Uma panela de pressão. É assim que podemos descrever o clima em Brasília. Tanto que nem parece que há apenas uma semana atrás o mercado financeiro refletia um alívio com a perspectiva de tempos de paz…
Motivos para alimentar o cenário negativo não faltam. Temos as preocupações com a possível interferência estatal na Petrobras, a disputa pela presidência da Comissão Mista de Orçamento (CMO) segue arrastando a pauta e o governo, pressionado por uma nova rodada de auxílio à população, começa a mostrar sinais que novas parcelas do auxílio emergencial podem não caber dentro do teto.
Assim, desde o começo do dia a tensão é o que dita o ritmo dos mercados. O dólar chegou a avançar mais de 1,39%, mas duas ações do Banco Central foram responsáveis por reverter a trajetória do câmbio. O Banco Central anunciou um leilão de swap, com a oferta de 20 mil contratos, por volta das 14h20, e outro para a oferta de contratos remanescentes às 15h10. Por volta das17h, a moeda americana tinha alta de 0,19%, a R$ 5,3829.
A bolsa brasileira também amenizou ao longo do dia e agora oscila em torno da estabilidade, mas ainda bem instável e sensível a qualquer tipo de ruído em Brasília. Por volta do mesmo horário, o principal índice da bolsa brasileira operava estável, a 119.698 pontos.
A melhora do clima por aqui acompanha uma leve melhora pontual das bolsas americanas. Após os novos recordes registrados ontem, as bolsas em Wall Street começaram o dia mistas, com o Nasdaq sendo a única exceção positiva, mas agora operam todas em leve alta. Lá fora, a expectativa é pela aprovação do novo pacote fiscal nos Estados Unidos e o andamento do impeachment de Donald Trump.
A desconfiança com relação à falta de transparência da Petrobras sobre a sua política de preços segue contaminando os negócios. Os papéis até tentaram uma recuperação no início do pregão, mas agora amargam quedas superiores a 1,5%
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A preocupação com a volta do auxílio emergencial tem sido o principal fator negativo nos negócios locais. Devido ao quadro ainda muito delicado da pandemia no país, a volta do benefício parece cada vez mais certa, mas a possibilidade de que uma contrapartida fiscal não seja adotada traz um temor maior com relação às contas públicas.
O novo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), afirmou ontem que não quer atrelar novas parcelas do auxílio emergencial às PECs que já estão no Congresso, o que azedou o clima dos negócios ontem, mesmo que o governo venha preparando o terreno ao dizer que a parcela deverá ser de no máximo R$ 200 e atender um número menor de pessoas.
A posição vai na contramão do que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o ministro da Economia, Paulo Guedes, vêm dizendo. Há pouco, Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, também se mostrou contra a falta de contrapartidas para manter o cenário fiscal controlado, afirmando que há risco de se estimular a economia e ainda assim ter contração e do impacto na dívida.
Boa parte da recuperação vista neste começo de tarde vem sendo puxada pelo setor financeiro.
Marcio Lórega, analista da Ativa Investimentos, pontua que o mercado passa a olhar para os comentários do senador Roberto Rocha, presidente da comissão mista da reforma tributária do Congresso que ventilou a possibilidade de que uma possível volta da CPMF pode ser adotada por um tempo limitado como forma de financiar o auxílio emergencial. Lórega afirma que embora a CPMF não seja bem vista por grande parte do mercado, traria um alívio por tornar viável o financiamento da retomada do auxílio.
Mas temos também no radar uma expectativa pela votação do projeto de autonomia do Banco Central que pode ser votado ainda nesta terça-feira e a notícia de que a Comissão Mista de Orçamento (CMO) deva ser convocada amanhã.
Além do cenário em Brasília, outra notícia que repercute de forma positiva entre os investidores é o número da inflação de janeiro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA),registrou uma alta de 0,25% em janeiro, segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Essa foi a menor leitura desde agosto e veio abaixo do consenso de mercado, que era de alta de 0,30%. Ainda assim, analistas acreditam que a leitura de que o Banco Central deve voltar a elevar a taxa de juros já na próxima reunião deve se manter inalterada.
As ações da Sabesp operam com o melhor desempenho do dia, após a a Agência Reguladora de Serviços Públicos de São Paulo (Arsesp) anunciar um Custo Médio ponderado de capital (WACC) de 8,1% e uma tarifa média de R$ 4,8413 por m³.
As companhias com exposição ao minério de ferro também seguem acompanhando a valorização da commodity. Confira as principais altas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| SBSP3 | Sabesp ON | R$ 42,75 | 7,57% |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 35,41 | 2,31% |
| GGBR4 | Gerdau PN | R$ 24,35 | 1,46% |
| USIM5 | Usiminas PNA | R$ 14,08 | 1,44% |
| BEEF3 | Minerva ON | R$ 9,55 | 1,38% |
Uma das companhias com o melhor desempenho do ano, o BTG Pactual aparece como o principal destaque negativo desta terça-feira (09), após divulgar o seu balanço do quarto trimestre. Confira as principais quedas do dia:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| BPAC11 | BTG Pactual units | R$ 110,75 | -2,98% |
| GOLL4 | Gol PN | R$ 25,01 | -2,91% |
| CVCB3 | CVC ON | R$ 19,28 | -2,97% |
| EZTC3 | EZTEC ON | R$ 37,35 | -2,02% |
| JHSF3 | JHSF ON | R$ 7,41 | -2,24% |
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