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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO DO DIA

Brasília dá uma trégua, Ibovespa sobe 2% e investidores correm para buscar barganhas na bolsa; dólar e juros cedem

A junção de bolsas internacionais fortes, minério de ferro e petróleo em alta, e o comprometimento de Lira com o teto de gastos animou o Ibovespa

Jasmine Olga
Jasmine Olga
24 de agosto de 2021
19:00 - atualizado às 19:41
Touro com óculos na frente do logo da B3, bolsa brasileira | Ibovespa
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Poucas coisas seriam capazes de traduzir tão bem a relação do mercado financeiro com as crises política, institucional e fiscal que tomam conta de Brasília e amargam a vida do Ibovespa. É aquele ditado, muito ajuda quem não atrapalha. 

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Não é que o clima na capital federal tenha melhorado, na verdade, ele apenas não piorou. Tendo em vista o volume de surpresas desagradáveis dos últimos dias — como atritos entre os Poderes e ameaças de rompimento do teto de gastos — esse foi um feito e tanto. 

O presidente da Câmara ajudou. Em evento voltado ao mercado financeiro, Arthur Lira reforçou o seu compromisso com a responsabilidade fiscal e trouxe novidades sobre as reformas que tramitam no Congresso — o controverso texto das mudanças no imposto de renda deve ser mais uma vez adiado e o relatório da reforma administrativa deve ser apresentado nos próximos dias. 

Para os analistas, a bolsa brasileira, nos níveis atuais, segue extremamente descontada de seus pares internacionais, principalmente após a maior parte das companhias terem apresentado resultados animadores e projeções muito melhores para o restante do ano. 

A junção de bolsas internacionais fortes, minério de ferro e petróleo em alta e algum bálsamo nas palavras de Arthur Lira foi o suficiente para motivar os investidores a irem atrás das barganhas. Estamos falando dos papéis que andaram sofrendo um bocado nos últimos tempos, mas que apresentam fundamentos sólidos e boas perspectivas futuras. 

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Quase todos os setores da bolsa brilharam hoje, mas os grandes destaques foram as construtoras (beneficiadas pela queda dos DIs), as varejistas (em especial os papéis das Americanas, que vêm sofrendo desde a fusão com a B2W) e as companhias aéreas (favorecidas pela abertura das fronteiras espanholas para os turistas brasileiros)

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Também não dá para esquecer das commodities, grandes algozes do Ibovespa na semana passada. Com isso, o principal índice da B3 fechou o dia em alta de 2,33%, aos 120.210 pontos — maior nível de fechamento desde o dia 13 de agosto. 

O dólar à vista também cedeu, acompanhando o movimento visto no exterior. A moeda americana encerrou a sessão com um recuo de 2,23%, a R$ 5,2622. O mercado de juros aproveitou o momento para devolver o prêmio dos últimos dias. Além do alívio no cenário fiscal, o Tesouro reduziu a oferta de títulos, amenizando as oscilações do mercado. Confira as taxas do dia:

  • Janeiro/22: de 6,73% para 6,69%
  • Janeiro/23: de 8,55% para 8,42%
  • Janeiro/25: de 9,80% para 9,56%
  • Janeiro/27: de 10,23% para 9,98%

Confira alguns dos destaques do noticiário corporativo:

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Ibovespa2,33%120.210 pontos
Dólar à vista-2,23%R$ 2,26
Bitcoin-4,37%R$ 256.500
S&P 5000,15%4.486 pontos
Nasdaq0,52%15.091 pontos
Dow Jones0,99%

Devagar com o andor

Embora o dia hoje tenha sido de ganhos, os analistas acreditam que ainda é cedo para falar em uma mudança de humor no mercado brasileiro. As palavras de Lira sobre compromisso fiscal e andamento de reformas são só palavras, que podem até ter acalmado os ânimos hoje, mas dificilmente irão sufocar a tensão exacerbada que ronda Brasília. 

Na visão de Marcel Andrade, head de renda variável da Vitreo, e Rafael Passos, sócio e analista da Ajax Investimentos, o mercado segue receoso com o quadro político-fiscal e apenas decidiu aproveitar o momento de alívio para colocar na carteira papéis atrativos que ficaram baratos nas últimas semanas e que valem o risco devido ao grande potencial de alta que carregam.

Para Andrade, a análise gráfica do índice e a disparidade de volume nas negociações dos últimos dias mostram que, embora receoso, o mercado doméstico estava apenas aguardando um bom momento para se posicionar. 

“Lá fora também temos cautela, com a desaceleração chinesa e a redução dos estímulos e possível elevação de juros nos EUA. Mas essas realizações recentes criaram algumas oportunidades de alocação, principalmente para quem olha para ativos com horizonte um pouco maior, como o investidor estrangeiro.”

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- Rafael Passos, Ajax Capital.

Sobe e desce do Ibovespa

Com o mercado de olho nas barganhas, as ações que mais sofreram nas últimas semanas acabaram tirando parte do atraso. Com a desinclinação da curva de juros, os setores de construção e varejo subiram forte. Ainda assim, a Eztec (EZTC3) foi a única que conseguiu reverter a queda acumulada no ano. Confira as maiores altas do dia:

CÓDIGONOMEVALORVAR
CYRE3Cyrela ONR$ 20,4112,33%
LAME4Lojas Americanas PNR$ 5,8711,81%
EZTC3EZTEC ONR$ 27,8410,61%
GOLL4Gol PNR$ 20,4310,37%
AMER3Americanas S.AR$ 43,009,69%

Com o forte recuo do dólar e grande otimismo na bolsa, poucas ações fecharam no vermelho. A maior queda ficou com os papéis da JBS (JBSS3), que acompanharam o forte recuo do dólar. Confira:

CÓDIGONOMEVALORVAR
JBSS3JBS ONR$ 31,78-3,11%
RADL3Raia Drogasil ONR$ 25,84-2,49%
PCAR3GPA ONR$ 29,56-2,09%
HYPE3Hypera ONR$ 34,69-1,76%
VIVT3Telefônica Brasil ONR$ 43,57-0,66%

Fôlego extra

A tendência no exterior tem sido de otimismo nos últimos dias, mas alguns novos elementos ajudaram as bolsas americanas a mais uma vez romperem seus topos históricos. 

A variante delta ainda assusta, mas a liberação definitiva da vacina da Pfizer pela FDA (a Anvisa dos Estados Unidos) é vista como um fator positivo para avançar a vacinação no país. Além de reduzir a desconfiança da população adulta que ainda não se vacinou, o anúncio de uma terceira dose deve minimizar o temor de que novas ondas da doença prejudiquem o andamento da economia global.

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Um dos reflexos desse otimismo pode ser sentido na recuperação dos preços das commodities. O minério de ferro e o petróleo, que vinham derrapando nas últimas semanas, voltaram a exibir ganhos expressivos, beneficiando empresas como a Vale, Petrobras e as siderúrgicas, de grande peso para a bolsa brasileira. 

Agora, os investidores estão de olho no grande evento da semana: o simpósio de Jackson Hole. O encontro, que reúne os principais chefes de bancos centrais do mundo, vem acompanhado de expectativas já que o mercado espera novidades sobre o possível impacto da variante delta na economia global e sinais sobre o futuro da política monetária dos Estados Unidos. 

Hoje Wall Street viu mais uma dobradinha recorde, com o avanço do S&P 500 e do Nasdaq. Confira o fechamento dos principais índices americanos:

  • Nasdaq: 0,52% - 15.091 pontos ?
  • S&P 500: 0,15% - 4.486 pontos ?
  • Dow Jones - 0,09% - 35.366 pontos

*Colaboraram Marcel Andrade, da Vitreo; Rafael Passos, da Ajax Capital; e Marcio Lórega, do Pagbank.

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