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Em mais um dia de grande volatilidade, o Ibovespa não conseguiu escapar do impacto do recuo das ações da Petrobras. Já o dólar tentou escapar dos temores fiscais e recuou
Há semanas o mercado financeiro já trabalha com a hipótese de uma alta de 1 ponto percentual para a Selic, mas isso não impediu que o pregão pré-Copom desta quarta-feira (04) fosse marcado pela cautela. E o Ibovespa que o diga.
Receios sobre o ritmo de crescimento da economia americana levaram aversão ao risco às bolsas em Wall Street, o que respingou na B3, onde os investidores já estavam de cabelo em pé com o clima político em Brasília e a preocupação com o teto de gastos.
O resultado foi mais uma sessão de intensa volatilidade e sem uma direção definida. O câmbio e os juros futuros até fecharam o dia mais comportados, mas o Ibovespa não escapou da queda de 1,44%, aos 121.801 pontos. A Petrobras, que acompanhou a queda do petróleo WTI, e as ações do Bradesco, com a reação negativa do mercado ao balanço, foram os principais responsáveis pelo recuo.
Tão importante quanto o novo nível da Selic deve ser o tom utilizado pelos dirigentes do Banco Central, já que a última edição do Boletim Focus mostra que as projeções para o ano que vem começam a comprometer a meta.
Pesando a expectativa de um aumento da Selic, dados mistos da economia americana e as dúvidas com relação aos passos do governo federal, o dólar à vista chegou a subir mais de 1% na máxima, mas encerrou o dia em leve queda de 0,13%, aos R$ 5,1858.
Com as apostas de alta de no mínimo 0,75 ponto percentual já feitas, o mercado de juros se ajustou de forma marginal, refletindo principalmente a piora do cenário fiscal. Confira:
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O clima nos corredores do Congresso não é dos melhores. Os parlamentares voltaram do recesso e, com eles, voltaram também os debates envolvendo a reforma tributária. Além disso, as contas públicas geram preocupação, com o governo buscando soluções para honrar a dívida de quase R$ 90 bilhões em precatórios, incluídos no Orçamento de 2022.
Embora o presidente da Câmara, Arthur Lira, já tenha expressado contrariedade à possibilidade de que o teto de gastos seja furado, as negociações em torno do novo Bolsa Família seguem em alta.
Para Leonardo Milane, sócio e economista da VLG Investimentos, a volatilidade do câmbio é explicada pela tensão em torno do pagamento dos precatórios para abrir espaço para a reformulação do Bolsa Família com um valor acima do que era esperado pelo mercado.
“O governo está prometendo usar 60% do fundo de privatização para pagar dívida. E aí, essa é uma leitura positiva. A leitura negativa é que os outros 40%, o governo vai usar para pagar precatório e para aumentar o Bolsa Família, que seriam linhas de despesa que furariam o teto se fossem feitas de uma outra maneira”.
Os dias passam, mas o temor do mercado financeiro com relação aos próximos passos do Federal Reserve persiste. Com os indicadores macroeconômicos sem mostrar uma tendência clara de direção, a especulação é constante.
Dados mistos são comuns em economias que estão atravessando uma crise econômica, mas não agradam. E hoje foi mais um dia de decepção para o mercado.
O relatório de empregos privados ADP, que é considerado uma prévia do payroll dos Estados Unidos, veio abaixo do esperado. A previsão do The Wall Street Journal era de 653 mil novos postos de trabalho, mas o número veio quase pela metade, com 330 mil novas vagas de emprego em julho.
Já os índices do gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) também inspiraram cautela. O PMI composto dos Estados Unidos recuou de 63,7 para 59,9 em julho. Já o PMI de serviços caiu de 64,6 para 59,9, acima da previsão do The Wall Street Journal de 59,8.
A leitura do mercado é de que a economia está longe do superaquecimento que por vezes é sugerido.
A piora do sentimento em relação ao emprego fez Nova York inverter o sinal e lá ficar durante a maior parte do dia, ainda que os números reforcem a tese defendida pelo Federal Reserve de uma economia ainda com setores frágeis e crescimento desigual para justificar a manutenção dos estímulos — o S&P 500 e o Dow Jones recuaram 0,46% e 0,92%, respectivamente, enquanto o Nasdaq avançou 0,13%.
O momento inflacionário dos Estados Unidos segue pressionando o Federal Reserve, que vê o fim da compra de bônus de dívida no fim do primeiro trimestre de 2022.
Com balanços positivos para alimentar o apetite por risco, o setor de siderurgia foi o grande destaque positivo do dia do Ibovespa hoje. Confira as maiores altas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| USIM5 | Usiminas PNA | R$ 21,39 | 4,60% |
| KLBN11 | Klabin units | R$ 24,99 | 2,04% |
| NTCO3 | Natura ON | R$ 55,15 | 1,25% |
| TOTS3 | Totvs ON | R$ 36,94 | 1,21% |
| CSNA3 | CSN ON | R$ 45,43 | 1,07% |
Com o WTI recuando mais de 3%, nem a expectativa de números robustos no balanço da Petrobras salvaram os papéis da estatal hoje.
Além da queda expressiva das ações da Petrobras, não tem como não destacar o tombo dos papéis do Bradesco. O banco, que divulgou os seus resultados na noite de ontem, não agradou o mercado. Embora a companhia tenha registrado um crescimento de 60% no lucro ante o mesmo período do ano passado, os investidores se decepcionaram com os números do segmento de seguros. Confira também as maiores quedas:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| BBDC4 | Bradesco PN | R$ 23,45 | -4,36% |
| CSAN3 | Cosan ON | R$ 24,55 | -4,06% |
| PETR3 | Petrobras ON | R$ 26,70 | -3,61% |
| LCAM3 | Locamérica ON | R$ 26,18 | -3,54% |
| BBDC3 | Bradesco ON | R$ 20,20 | -3,53% |
| Ibovespa | 1,44% | 121.801 pontos |
| Dólar à vista | -0,13% | R$ 5,1858 |
| Bitcoin | 3,70% | R$ 207.158 |
| S&P 500 | -0,46% | 4.402 pontos |
| Nasdaq | 0,13% | 14.780 pontos |
| Dow Jones | -0,92% | 34.792 pontos |
Foram mantidas C&A (CEAB3), Brava Energia (BRAV3), Suzano (SUZB3), Plano&Plano (PLPL3), Smart Fit (SMFT3) e Intelbras (INTB3)
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