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FECHAMENTO DO DIA

Ibovespa não escapa do risco fiscal e da tensão pré-Copom e recua mais de 1%; dólar fecha em leve queda

Em mais um dia de grande volatilidade, o Ibovespa não conseguiu escapar do impacto do recuo das ações da Petrobras. Já o dólar tentou escapar dos temores fiscais e recuou

Imagem: Shuttertstock

Há semanas o mercado financeiro já trabalha com a hipótese de uma alta de 1 ponto percentual para a Selic, mas isso não impediu que o pregão pré-Copom desta quarta-feira (04) fosse marcado pela cautela. E o Ibovespa que o diga.

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Receios sobre o ritmo de crescimento da economia americana levaram aversão ao risco às bolsas em Wall Street, o que respingou na B3, onde os investidores já estavam de cabelo em pé com o clima político em Brasília e a preocupação com o teto de gastos.

O resultado foi mais uma sessão de intensa volatilidade e sem uma direção definida. O câmbio e os juros futuros até fecharam o dia mais comportados, mas o Ibovespa não escapou da queda de 1,44%, aos 121.801 pontos. A Petrobras, que acompanhou a queda do petróleo WTI, e as ações do Bradesco, com a reação negativa do mercado ao balanço, foram os principais responsáveis pelo recuo.

Tão importante quanto o novo nível da Selic deve ser o tom utilizado pelos dirigentes do Banco Central, já que a última edição do Boletim Focus mostra que as projeções para o ano que vem começam a comprometer a meta. 

Pesando a expectativa de um aumento da Selic, dados mistos da economia americana e as dúvidas com relação aos passos do governo federal, o dólar à vista chegou a subir mais de 1% na máxima, mas encerrou o dia em leve queda de 0,13%, aos R$ 5,1858.

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Com as apostas de alta de no mínimo 0,75 ponto percentual já feitas, o mercado de juros se ajustou de forma marginal, refletindo principalmente a piora do cenário fiscal. Confira:

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  • Janeiro/22: de 6,36% para 6,37%
  • Janeiro/23: de 7,88% para 7,93%
  • Janeiro/25: de 8,77% para 8,82%
  • Janeiro/27: de 9,11% para 9,11%

De onde vem o vento?

O clima nos corredores do Congresso não é dos melhores. Os parlamentares voltaram do recesso e, com eles, voltaram também os debates envolvendo a reforma tributária. Além disso, as contas públicas geram preocupação, com o governo buscando soluções para honrar a dívida de quase R$ 90 bilhões em precatórios, incluídos no Orçamento de 2022. 

Embora o presidente da Câmara, Arthur Lira, já tenha expressado contrariedade à possibilidade de que o teto de gastos seja furado, as negociações em torno do novo Bolsa Família seguem em alta. 

Para Leonardo Milane, sócio e economista da VLG Investimentos, a volatilidade do câmbio é explicada pela tensão em torno do pagamento dos precatórios para abrir espaço para a reformulação do Bolsa Família com um valor acima do que era esperado pelo mercado. 

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“O governo está prometendo usar 60% do fundo de privatização para pagar dívida. E aí, essa é uma leitura positiva. A leitura negativa é que os outros 40%, o governo vai usar para pagar precatório e para aumentar o Bolsa Família, que seriam linhas de despesa que furariam o teto se fossem feitas de uma outra maneira”. 

Números nebulosos

Os dias passam, mas o temor do mercado financeiro com relação aos próximos passos do Federal Reserve persiste. Com os indicadores macroeconômicos sem mostrar uma tendência clara de direção, a especulação é constante. 

Dados mistos são comuns em economias que estão atravessando uma crise econômica, mas não agradam. E hoje foi mais um dia de decepção para o mercado.

O relatório de empregos privados ADP, que é considerado uma prévia do payroll dos Estados Unidos, veio abaixo do esperado. A previsão do The Wall Street Journal era de 653 mil novos postos de trabalho, mas o número veio quase pela metade, com 330 mil novas vagas de emprego em julho.

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Já os índices do gerente de compras (PMI, na sigla em inglês) também inspiraram cautela. O PMI composto dos Estados Unidos recuou de 63,7 para 59,9 em julho. Já o PMI de serviços caiu de 64,6 para 59,9, acima da previsão do The Wall Street Journal de 59,8.

A leitura do mercado é de que a economia está longe do superaquecimento que por vezes é sugerido. 

A piora do sentimento em relação ao emprego fez Nova York inverter o sinal e lá ficar durante a maior parte do dia, ainda que os números reforcem a tese defendida pelo Federal Reserve de uma economia ainda com setores frágeis e crescimento desigual para justificar a manutenção dos estímulos  — o S&P 500 e o Dow Jones recuaram 0,46% e 0,92%, respectivamente, enquanto o Nasdaq avançou 0,13%. 

O momento inflacionário dos Estados Unidos segue pressionando o Federal Reserve, que vê o fim da compra de bônus de dívida no fim do primeiro trimestre de 2022.

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Sobe e desce do Ibovespa

Com balanços positivos para alimentar o apetite por risco, o setor de siderurgia foi o grande destaque positivo do dia do Ibovespa hoje. Confira as maiores altas:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
USIM5Usiminas PNAR$ 21,394,60%
KLBN11Klabin unitsR$ 24,992,04%
NTCO3Natura ONR$ 55,151,25%
TOTS3Totvs ONR$ 36,941,21%
CSNA3CSN ONR$ 45,431,07%

Com o WTI recuando mais de 3%, nem a expectativa de números robustos no balanço da Petrobras salvaram os papéis da estatal hoje.

Além da queda expressiva das ações da Petrobras, não tem como não destacar o tombo dos papéis do Bradesco. O banco, que divulgou os seus resultados na noite de ontem, não agradou o mercado. Embora a companhia tenha registrado um crescimento de 60% no lucro ante o mesmo período do ano passado, os investidores se decepcionaram com os números do segmento de seguros. Confira também as maiores quedas:

CÓDIGONOMEVALORVARIAÇÃO
BBDC4Bradesco PNR$ 23,45-4,36%
CSAN3Cosan ONR$ 24,55-4,06%
PETR3Petrobras ONR$ 26,70-3,61%
LCAM3Locamérica ONR$ 26,18-3,54%
BBDC3Bradesco ONR$ 20,20-3,53%

Resumo do dia

Veja como fecharam o Ibovespa, dólar, bitcoin e as bolsas americanas hoje:

Ibovespa1,44%121.801 pontos
Dólar à vista-0,13%R$ 5,1858
Bitcoin3,70%R$ 207.158
S&P 500-0,46%4.402 pontos
Nasdaq0,13%14.780 pontos
Dow Jones-0,92%34.792 pontos
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