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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

Esquenta dos Mercados

À espera de fala de Biden sobre pacote de estímulos, bolsa brasileira deve viver sua própria história

Enquanto o mundo espera a fala de Joe Biden sobre o pacote de estímulos ao setor de infraestrutura, o Brasil deve repercutir o cenário interno

Renan Sousa
Renan Sousa
31 de março de 2021
8:02 - atualizado às 8:07
Moedas empilhadas em cima de um livro aberto. Ao fundo, uma estante.
Imagem: Shutterstock

Assim como em “As Mil e Uma Noites”, o Brasil parece estar preso em uma série de histórias que tem mais ou menos uma relação umas com as outras, mas nenhum fim. Enquanto o país vive o pior momento da pandemia, batendo trágicos recordes de mortes por dia, a reforma ministerial pegou todos de surpresa, bem como a saída dos chefes das forças armadas. 

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Do lado de fora do livro Brasil, o exterior segue à espera de maiores informações sobre o pacote de estímulos de Joe Biden, que deve contar com um aumento significativo de impostos para empresas e resistência do Congresso. 

Também de olho nos Estados Unidos, o atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, fez duas reuniões com representantes dos EUA para, segundo ele, “ampliar a vacinação em curto prazo”. Ele pediu uma antecipação de 20 milhões de doses da vacina da Pfizer, que estão em estoque no país. O Brasil já vacinou 8,0% da sua população até o momento.

E vivendo sua própria história, o Ibovespa encerrou o dia com fortes ganhos, de mais de 1%. Os investidores estão otimistas com a perspectiva de que a nova troca de ministérios configure uma mudança na atual política de Bolsonaro e sua relação com o Centrão, e que as pautas relativas à economia, como privatizações e reformas, consigam ganhar o debate nacional.

Confira esses e mais destaques que irão influenciar os mercados nesta quarta-feira (31):

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Fechamento ontem

O Ibovespa encerrou o pregão de ontem em alta de 1,24%, aos 116.849 pontos, maior patamar desde o dia 15 de março, enquanto o dólar à vista encerrou em leve queda de 0,08%, a R$ 5,761.

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O principal índice da bolsa brasileira se descolou de Brasília para operar. Também se afastou do fechamento negativo em Nova York, que sofreu com a alta dos juros futuros no último pregão. 

O plano de Biden

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, pretende aprovar um pacote de US$ 3 trilhões para o setor de infraestrutura. Isso implicaria em um aumento da carga tributária no país, que subiria de 21% para 28% dos impostos corporativos.

De acordo com a versão preliminar do projeto, o montante será distribuído ao longo de oito anos para os segmentos de construção de estradas e pontes, ampliação do acesso à internet banda larga, linhas de financiamento para carros elétricos e modernização das redes elétrica e de saneamento básico.

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A notícia é positiva, em especial para países exportadores de matérias primas, porque representaria uma alta na demanda de commodities, como minério de ferro e petróleo. Apesar do tema ser controverso ao Congresso americano, Biden dará mais detalhes em uma coletiva ainda hoje (veja agenda do dia). 

Dança das cadeiras (ainda)

A troca de seis ministros pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, ainda repercute no mercado interno, e ganhou mais um capítulo. Os comandantes da Marinha, Aeronáutica e Exército foram retirados dos cargos na tarde de ontem, o que aumentou a tensão em Brasília.

Clicando aqui você confere o texto da Julia Wiltgen, que comenta sobre como essas trocas devem ser analisadas pelo mercado e por economistas daqui para frente. 

Bolsas pelo mundo

As bolsas da Ásia fecharam em queda generalizada, em linha com o fechamento de Nova York. O mau humor prevaleceu, ainda como reflexo do baque que sofreu um grande fundo de investimento dos EUA. O tom negativo superou os dados da economia chinesa, que está se recuperando dos efeitos da covid-19 mais rápido do que o esperado. 

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Enquanto isso, as bolsas da Europa abriram sem direção definida, com dados locais de inflação e crescimento. Mas os investidores seguem à espera do detalhamento de Biden sobre o plano de investimento em infraestrutura, o que aumenta o clima de cautela no mercado europeu. 

Agenda do dia

Confira os principais indicadores e eventos para esta quarta-feira (31):

  • IBGE: PNAD Contínua - taxa de desemprego para o trimestre encerrado em janeiro (9h)
  • EUA: Relatório sobre criação de empregos no setor privado (9h15)
  • Banco Central: Nota sobre política fiscal e setor público consolidado (9h30)
  • EUA: Secretária do Tesouro dos EUA, Janet Yellen, participa de evento do Conselho de Estabilidade Financeira (16h)
  • EUA: Biden detalha plano trilionário de infraestrutura (sem horário marcado)

Empresas

Confira os destaques das empresas:

  • A Qualicorp teve lucro de R$ 67,6 milhões no quarto trimestre do ano passado (alta de 12,4%) e o Ebitda ajustado caiu 16,8%, para R$ 190,3 milhões
  • O Enjoei registrou prejuízo líquido de R$ 18,856 milhões no quarto trimestre, 46,9% pior do que um ano antes
  • A Méliuz teve lucro líquido de R$ 32 milhões em 2020, alta de 175% em relação ao ano passado
  • A Westwing teve prejuízo líquido de R$ 5,357 milhões no quarto trimestre de 2020

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