Carrinho cheio: Assaí (ASAI3) e Grupo Mateus (GMAT3) são as melhores ações do setor de supermercados, diz Credit Suisse
O banco suíço está otimista com os players de atacarejo, apostando num aumento na demanda desse tipo de operação ao longo de 2022

As perspectivas para o setor de consumo não são exatamente animadoras: inflação nas alturas, juros acima dos 10% ao ano, economia fraca — uma combinação que mexe com a confiança dos consumidores. E, com esse cenário em mente, o Credit Suisse mostra-se otimista com as ações do Assaí (ASAI3) e do Grupo Mateus (GMAT3) dentro do universo dos supermercados; não por coincidência, estamos falando de dois dos principais players de atacarejo do país.
A lógica do banco suíço é bastante direta: a alimentação representa cerca de 18% das despesas mensais dos brasileiros; desse total, cerca de dois terços são gastos com o consumo doméstico — ou seja, em supermercados em geral. É um volume de dinheiro relevante alocado num setor que não é dispensável.
Ainda assim, os gastos em supermercados não são inelásticos: sim, você precisa comprar comida e outros itens para a casa, mas isso não quer dizer que aceitará pagar qualquer preço. Nesse panorama mais difícil para 2022, a tendência é que os consumidores busquem, cada vez mais, uma relação entre custo e benefício mais vantajosa.
E é aí que entra o trunfo do atacarejo: empresas como Assaí e Grupo Mateus, ao apresentarem um modelo de vendas que mescla o varejo alimentar tradicional com o atacado, conseguem oferecer preços mais atraentes aos clientes; ao mesmo tempo, têm custos operacionais mais baixos e um volume de vendas mais elevado que os mercados comuns.
Nesse sentido, o Credit Suisse possui recomendação de compra para ASAI3 e GMAT3; o outro grande player de varejo alimentar analisado pelo banco, o GPA (PCAR3), tem recomendação neutra. Veja abaixo os preços-alvo das três ações e seus respectivos potenciais de lucro:
| Empresa | Código da ação | Cotação atual (R$) | Preço-alvo (R$) | Potencial |
| Assaí | ASAI3 | 13,64 | 20,00 | +46,6% |
| Grupo Mateus | GMAT3 | 6,00 | 9,00 | +50,0% |
| GPA | PCAR3 | 22,38 | 29,00 | +29,6% |
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Assaí (ASAI3): Espaço para crescer
O Assaí é um player 'puro' de atacarejo: contava com 194 lojas em operação no país ao fim do terceiro trimestre, com perspectiva de abertura de ao menos 15 novas unidades ainda neste ano — a meta é que, até 2023, a rede conte com 300 estabelecimentos.
Esse cenário de expansão física do atacarejo, inclusive, é um dos pilares do otimismo do Credit Suisse: atualmente, há cerca de 1.400 lojas do tipo no Brasil, e o banco acredita que há espaço para a abertura de mais de 400 unidades ao longo dos próximos cinco anos.
Ou seja: é um setor cuja demanda tende a se aquecer ainda mais no curto e no médio prazo, e que, em paralelo, ainda possui muito espaço para crescer e se desenvolver.
A visão construtiva em relação ao Assaí e ao atacarejo também foi compartilhada por boa parte do mercado: os papéis estrearam na bolsa em março, a R$ 14,28, e chegaram perto dos R$ 20,00 em setembro. De lá para cá, no entanto, as ações sofreram com a turbulência da bolsa e, hoje, estão abaixo do preço inicial — o que abre uma oportunidade interessante de compra.
"Acreditamos que a tese de investimento no Assaí cumpre os critérios de muitos investidores, com uma história de crescimento forte no Brasil, uma administração de histórico sólido e uma boa posição para se beneficiar com o impulso do atacarejo", escreve Marcella Recchia, analista do Credit Suisse, em relatório.

Grupo Mateus (GMAT3): Força em mercados estratégicos
O Grupo Mateus, por sua vez, não é um player puro de atacarejo — suas operações também incluem supermercados e atacadistas tradicionais, unidades de varejo alimentar variadas e de lojas de eletrodomésticos. Dito isso, o grande apelo das ações GMAT3 está na exposição geográfica da empresa.
Por mais que o ambiente desfavorável para o consumo possa reduzir a demanda em algumas de suas operações, o Grupo Mateus tem foco nas regiões Norte e Nordeste, atuando em diversas cidades e mercados que, muitas vezes, são negligenciados por outras grandes redes varejistas do país.
Essa estratégia, somada à execução sólida de seu plano de negócios, dá à empresa uma vantagem competitiva importante e dificulta a entrada de novos competidores nessas áreas — o que, para o Credit Suisse, é um ponto relevante na tese de investimento na empresa.
Assim como no caso do Assaí, o Grupo Mateus também tem sofrido com as turbulências recentes do mercado de ações. Os papéis GMAT3 acumulam perdas de mais de 20% no ano; comparado com o preço do IPO, de R$ 8,97, a queda é de 30% — o que, novamente, é apontado pelo banco suíço como uma boa oportunidade de compra.

GPA (PCAR3): Riscos menores, mas ainda presentes
A recomendação neutra do Credit Suisse para as ações do GPA (PCAR3) ocorre no contexto de que a empresa não tem mais exposição direta ao atacarejo, o segmento mais visado do varejo alimentar — o Assaí, afinal, foi cindido da companhia.
Dito isso, o banco ressalta que a saída da empresa do setor de hipermercados, com a venda das unidades do Extra, foi um passo importante para a companhia, dado o desempenho fraco desse tipo de unidade no passado recente. Ainda assim, há fatores de risco que seguem associados à companhia.
"Incertezas em relação à governança corporativa, a outros potenciais desinvestimentos e aos desenvolvimentos operacionais de seu negócio central podem continuar travando a liberação de valor da empresa", escreve Recchia, do Credit Suisse. "Assim, acreditamos que o GPA precisa entregar um desempenho sólido para que os investidores deixem o ceticismo de lado".

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