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Algo frágil se desmorona diante da adversidade, enquanto algo robusto apenas se preserva. Algo antifrágil, por sua vez, ganharia valor perante um ambiente difícil
Partindo do princípio que o investidor já é dotado de uma reserva de emergência (de três a 12 meses de seus gastos mensais), podemos pensar em arquitetar uma parcela patrimonial voltada para ativos tidos como antifrágeis.
Explico-me.
A antifragilidade é um conceito cunhado por Nassim Taleb, um dos principais nortes intelectuais aqui na Empiricus, e se refere aos ativos que se beneficiariam do caos, em oposição à fragilidade. Algo frágil se desmorona diante da adversidade, enquanto algo robusto apenas se preserva. Algo antifrágil, por sua vez, ganharia valor perante um ambiente difícil. Em um cisne negro, por exemplo; isto é, um evento raro, de alto impacto e completamente imprevisível.
A ideia deriva do brilhantismo do pessoal da Gavekal, uma das casas de análise especializadas em China mais respeitadas. Segundo a equipe, é possível verificar quatro grandes classes de ativos que se beneficiaram da crise em 2020.
Ou seja, estaríamos elaborando um conjunto de ativos (quatro) que serviriam de exposição a i) potenciais ganhos e ii) proteção. Tudo isso, claro, feito sob o devido dimensionamento das posições, conforme seu perfil de risco, e a devida diversificação de carteira, com as respectivas proteções associadas.
Para as ideias, será necessário ter conta no exterior. Para isso, a corretora mais simples para se operacionalizar tudo isso é a Avenue Securities, mas fica a critério do leitor escolher o melhor nome. Todas as ideias serão ETFs (Exchange Traded Funds, ou fundos índice), de modo que o investidor consiga combinar diversificação com o limitado nível de capital.
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Considerando os R$ 10 mil e a cotação do dólar de US$ 5,50, poderíamos estabelecer um total de US$ 1.818,18 para investirmos.
A primeira classe se relaciona às ações de tecnologia. Elas parecem sair como as grandes ganhadoras do processo pós-pandemia de stay-at-home e com um potencial de crescimento fenomenal. Para a exposição, pensei no Vanguard Information Technology Index Fund ETF (NYSE: VGT) por ser um veículo barato, confiável e bem estruturado. Preço da cota: US$ 298,04.
A segunda classe são as chamadas “máquinas verdes”, se referindo à energia alternativa. O mundo entrará cada vez mais em uma onda de economia sustentável e será muito importante que nos posicionemos de maneira responsável para esse movimento. Se trata da classe mais especulativa, mas com potencial de se beneficiar do fluxo de millenials entrando no mercado. O ETF para a classe é o iShares Global Clean Energy (Nasdaq: ICLN) pelo sponsorship da Blackrock e pelo custo. Preço da cota: US$ 16,44.
A terceira classe reside nos metais preciosos, mais precisamente o ouro. Além de ser a reserva de valor mais clássica da história da humanidade, também se beneficiará da grande expansão de liquidez nos mercados globais. O ETF é o iShares Gold Trust (NYSE: IAU). Preço da cota: US$ 17,83.
Por fim, mas não menos importante, temos na quarta classe a exposição equilibrada às empresas chinesas. Independentemente da guerra comercial entre EUA e China continuar ou terminar, os efeitos de uma separação das duas maiores potencias já começam a ser sentidos. Agora, a China poderá se posicionar com mais independência no mundo. O ETF será o Invesco China Technology (NYSE: CQQQ), por proporcionar exposição às empresas de tecnologia chinesas. Preço da cota: US$ 67,55.
Novamente a composição leva em conta um investidor já dotado de reserva de emergência. Além disso, tudo deverá ser realizado sob o devido dimensionamento das posições, conforme seu perfil de risco, e a devida diversificação de carteira, com as respectivas proteções associadas.
Na última vez que o ouro representou uma fatia maior das reservas globais, a tendência dos mercados ainda era de acumulação do metal precioso
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