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Dados fracos da economia americana, somados à baixa do petróleo e às turbulências no cenário político doméstico colocam pressão sobre o Ibovespa e o dólar
A aversão ao risco volta a pesar sobre os mercados globais, colocando pressão sobre as bolsas e aumentando a busca por proteção no câmbio. Nesse cenário, o Ibovespa passou boa parte da sessão desta quarta-feira (15) em queda, enquanto o dólar à vista engata mais uma alta.
Por volta de 16h20, o principal índice acionário brasileiro recuava 0,95%, aos 79.157,13 pontos, num desempenho em linha com o visto no exterior: nos Estados Unidos, o Dow Jones (-1,66%), o S&P 500 (-1,96%) e o Nasdaq (-0,97%) também operam em queda.
No câmbio, o dólar à vista subia 0,86% no mesmo horário, a R$ 5,2346, engatando a terceira alta consecutiva. O dia é de valorização da moeda americana em relação às divisas de países emergentes.
Uma combinação de fatores contribui para elevar a cautela entre os investidores nesta manhã. Em primeiro plano, aparece a forte queda de 8,7% nas vendas no varejo nos Estados Unidos em março, o maior recuo mensal da série histórica do Departamento do Comércio do país.
Trata-se de mais um indicador que evidencia o forte impacto que o surto de coronavírus está causando à economia americana. Mais cedo, o índice de atividade industrial Empire State despencou a -78,2 em abril, um desempenho muito pior que o projetado pelos analistas.
A fraqueza demonstrada pela economia dos EUA faz jus à visão pessimista do FMI para a atividade global em meio à pandemia. A instituição prevê uma baixa de 3% no PIB mundial em 2020 — em janeiro, a estimativa era de crescimento de 3,3% neste ano.
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O viés mais defensivo também é visto no mercado de petróleo: o Brent cai 5,24%, refletindo o cenário de queda no consumo global da commodity. Em relatório, a Agência Internacional de energia (AIE) prevê uma baixa na demanda mundial de 9,3 milhões de barris por dia em 2020 — um cenário que, naturalmente, afeta as cotações do produto.
O cenário doméstico também inspira cuidado: por aqui, os investidores acompanham de perto eventuais movimentações por parte do governo, uma vez que alguns jornais já dão como certa a demissão do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ainda nesta semana.
O titular da pasta vem se desentendendo com o presidente Jair Bolsonaro há algumas semanas — enquanto Mandetta defende o isolamento social para combater o coronavírus, Bolsonaro alega que o nível de atividade precisa ser retomado o mais rápido possível, de modo a não impactar a economia de maneira mais severa.
No fim de semana, o ministro da Saúde deu entrevista à TV Globo cobrando um discurso único por parte das autoridades, o que teria gerado descontentamento dentro do governo.
Além disso, o mercado também está atento às movimentações de bastidores no Congresso, dadas as discussões acaloradas envolvendo o pacote de auxílio emergencial a Estados e municípios — o projeto foi aprovado pelo plenário da Câmara e agora segue para votação no Senado.
O texto poderá causar um impacto de cerca de R$ 100 bilhões às contas públicas e, por isso, vem sendo chamado de 'bomba fiscal' — economistas ouvidos pelo Seu Dinheiro temem que a aprovação da pauta poderá forçar uma elevação nos juros.
Esse cenário, somado à pressão vista na bolsa e no câmbio, faz os DIs mais curtos operarem em baixa. Esses ajustes positivos, no entanto, não enfraquecem a percepção de que a taxa Selic continuará sendo cortada para dar estímulo à economia:
Veja abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do Ibovespa no momento:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| COGN3 | Cogna ON | 5,33 | +7,46% |
| NTCO3 | Natura ON | 31,64 | +6,25% |
| GOLL4 | Gol PN | 12,16 | +6,11% |
| BTOW3 | B2W ON | 62,39 | +4,86% |
| SMLS3 | Smiles ON | 14,39 | +4,65% |
Confira também as maiores quedas do índice:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| PETR3 | Petrobras ON | 16,54 | -3,73% |
| BRML3 | BR Malls ON | 9,36 | -3,60% |
| SANB11 | Santander Brasil units | 27,10 | -3,46% |
| KLBN11 | Klabin units | 15,93 | -3,16% |
| RAIL3 | Rumo ON | 19,46 | -3,14% |
Banco é o único brasileiro na operação, que pode movimentar até US$ 10 bilhões e marca nova tentativa de Bill Ackman de abrir capital; estrutura combina fundo fechado e holding da gestora, em modelo inspirado na estratégia de longo prazo de Warren Buffett.
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