No embalo de Via Varejo e Magazine Luiza, Mosaico vai estrear na bolsa
Dona dos sites Zoom, Buscapé e Bondfaro oficializou intenção de abrir capital em documento ao mercado; empresa atua no início da jornada de compra

Dona dos sites Zoom, Buscapé e Bondfaro, a Mosaico vai abrir capital na B3. O anúncio é feito na esteira da valorização das ações de companhias como Magazine Luiza e Via Varejo, que acelararam a digilização durante a pandemia.
Mas atuação da Mosaico não é exatamente a mesma que a das gigantes do varejo. A empresa trabalha com produção de conteúdo e foco na jornada inicial do consumidor, enquanto as outras companhias do setor com ações na bolsa vendem o próprio estoque ou fornecem uma plataforma de marketplace.
A dona do Zoom tem inclusive Magazine Luiza, Via Varejo, B2W e Amazon como parceiras. O consumidor que acessa o site Buscapé hoje, por exemplo, encontra um mesmo produto com um comparativo de preços entre os sites das varejistas e a opção de ser redirecionado para a compra em um deles.
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Início da compra
Segundo a Mosaico, há um excesso de players e soluções sendo pensadas para o final do processo de compra, mas no início da jornada o consumidor tem grande dificuldade de encontrar informação de fontes confiáveis.
A empresa também apoia a tese de que há espaço para crescer no fato de que o e-commerce tem baixa penetração no Brasil — em 2019, 71% da população tinha acesso à internet, mas o comércio eletrônico correspodia a 7% das vendas totais do varejo no país.
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O cenário faz gente no mercado acreditar — a exemplo do CEO da Via Varejo, Roberto Fulcherberguer — de que não haverá apenas uma gigante que dominará o segmento online.
Em maio deste ano 72% das vendas totais do comércio eletrônico ficaram concentradas em Mercado Livre (24%), B2W (18%), Magazine Luiza (13%), Via Varejo (10%) e Amazon (7%).
Destino do dinheiro
O prospecto da oferta da Mosaico protocolado nesta quarta-feira (26) ainda não traz muitos detalhes da operação, que será coordenada por BTG Pactual em conjunto com Itaú BBA, J. P. Morgan e Goldman Sachs. A emissão de ações será primária — com a emissão de novas ações — e secundária, com parte dos papéis dos atuais acionistas.
A empresa diz que vai usar 15% do valor da oferta para quitar o finaciamento usado na compra do Buscapé e o restante em investimentos para ampliar a participação no mercado.
Segundo a companhia, a ideia é aumentar "fortemente" a produção de conteúdo (artigos, vídeos, reviews) — própria ou através de redes de colaboradores - e distribuição de conteúdo nas plataformas da empresa.
Carta aos investidores
Uma carta dos fundadores da empresa acompanha o prospecto, algo pouco comum no Brasil. O texto assinado por Guilherme Pacheco, José Guilherme Pierotti e Roberto Malta relembra a trajetória dos executivos com o comércio eletrônico, que teria começado em 1999 com a função da Bondfaro.
A empresa se juntou com o Buscapé em 2006 e três anos depois foi vendida para a Naspers — conglomerado com sede na Africado do Sul. Na época, o Buscapé era o segundo maior grupo comércio eletrônico na América Latina em audiência, relatam os executivos.
O trio conta que em 2010 começou um projeto do zero: o Zoom — site que com ferramentas como alertas de preço baixo e especialistas à disposição do consumidor. No ano passado, os executivos compraram de volta o Buscapé. Todas as marcas integram hoje a Mosaico.
Números da companhia
A Mosaico informa ter registrado 450 milhões de visitas acumuladas entre janeiro e junho de 2020 — nos aplicativos e sites das marcas Zoom, Buscapé e Bondfaro, entre outras.
Em junho de 2020, a companhia teria recebido 37,9 milhões visitantes únicos e no período de abril a junho de 2020 originado R$ 1,1 bilhão em GMV para "centenas de lojistas online do Brasil".
A empresa diz ter ao menos 500 lojas parceiras e que, no exercício social encerrado em 2019, gerou R$ 1,89 bilhão em GMV para lojas com que trabalha.
No primeiro semestre deste ano, a receita da Mosaico cresceu na comparação anual 167,87%, saindo de R$ 38.132 para R$ 102.143. O resultado final do balanço passou de um prejuízo de R$ 20.000 para um lucro de R$ 22.815.
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