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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Jornalista e escritor, é diretor de redação dos sites Money Times e Seu Dinheiro. Formado em Jornalismo e com MBA em Derivativos e Informações Econômico‑Financeiras pela FIA, tem mais de 25 anos de experiência e passou por redações como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances Os Jogadores, Abandonado e O Roteirista

Incorporação

Por que as ações da Eneva e AES Tietê caem após nova proposta de incorporação

A Eneva até melhorou a oferta em relação à proposta anterior, apresentada no fim de fevereiro. Mas ao mesmo tempo reduziu a parcela em dinheiro, o que teria desagradado o BNDES

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
24 de julho de 2020
15:42 - atualizado às 17:27
Complexo Parnaíba, parque de geração de energia da Eneva
Complexo Parnaíba, parque de geração de energia da Eneva - Imagem: Divulgação

A nova proposta da Eneva para combinar os seus negócios com a AES Tietê não empolgou o mercado. As ações de ambas as empresas de geração de energia reagem em queda expressiva no pregão desta sexta-feira na B3, em um sinal de que os investidores veem um risco maior de o negócio não acontecer.

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A Eneva até melhorou a oferta em relação à proposta anterior, apresentada no fim de fevereiro. Mas ao mesmo tempo mudou a forma de pagamento, aumentando suas próprias ações como moeda e reduzindo a parcela em dinheiro.

Esse ponto teria desagradado o BNDES, um dos principais acionistas da AES Tietê com 28,41% do capital total da companhia (14,4% em ações ordinárias e 37,5% de preferenciais), de acordo com informação do blog do jornalista Lauro Jardim, de O Globo.

A Eneva já adiantou que só levará a proposta de incorporação adiante se o BNDES aceitar os termos do negócio. O receio de que a aguardada fusão não saia penalizou as ações de ambas as empresas.

Os papéis da Eneva (ENEV3) recuaram 1,84% e os da AES Tietê (TIET11) despencaram 9,12%. Leia também nossa cobertura completa de mercados.

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Entenda a disputa

A Eneva lançou uma primeira oferta para incorporar a AES Tietê no fim de fevereiro, mas encontrou resistência do grupo norte-americano AES Corp, que detém 24,35% do capital total, mas controla a empresa por deter 61,6% das ações ON, que dão direito a voto.

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Em tese, o negócio não iria para frente com a recusa do controlador em se sentar à mesa. Mas a AES Tietê tem uma peculiaridade por ser listada no Nível 2 da bolsa.

As regras do segmento de governança corporativa da B3 estabelecem que os detentores de ações preferenciais têm direito a voto em temas como uma proposta de incorporação nos moldes da realizada pela Eneva.

O problema é que os americanos bateram o pé e disseram que não reconheceriam a operação caso fosse aprovada em uma assembleia de acionistas.

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Com receio de uma longa e incerta disputa judicial, a Eneva decidiu, então, retirar a oferta pela companhia. Mas logo depois a B3 — responsável pelas regras — decidiu se posicionar e esclareceu que as ações preferenciais têm, sim, direito de voto.

Foi depois desse imbróglio que o BNDES anunciou a intenção de vender a sua participação na geradora de energia, com a contratação do Banco BR Partners como assessor financeiro.

Americanos em vantagem

A expectativa agora é pela posição da AES Corp. Os americanos podem acabar de vez com as pretensões da Eneva se decidirem colocar a mão no bolso e fazer uma proposta mais vantajosa pelas ações da Tietê detidas pelo banco público.

Para uma fonte com quem eu conversei, a AES tem uma clara vantagem nessa disputa. Por ser o atual controlador da Tietê, o grupo americano não a necessidade de estender a oferta que será feita ao BNDES para os minoritários da companhia, como fez a Eneva.

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A proposta da AES pela participação do banco teria ficado em R$ 17,15 por ação, de acordo com informações da Broadcast. O valor é menor que o proposto pela Eneva, que gira em torno de R$ 18,88 com base no fechamento dos papéis ontem, mas será pago integralmente em dinheiro.

A recente melhora dos mercados também joga a favor da AES Corp, que pode captar recursos a um custo bem baixo com a emissão de dívida para financiar uma eventual oferta ao BNDES.

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