Por que as ações da Eneva e AES Tietê caem após nova proposta de incorporação
A Eneva até melhorou a oferta em relação à proposta anterior, apresentada no fim de fevereiro. Mas ao mesmo tempo reduziu a parcela em dinheiro, o que teria desagradado o BNDES

A nova proposta da Eneva para combinar os seus negócios com a AES Tietê não empolgou o mercado. As ações de ambas as empresas de geração de energia reagem em queda expressiva no pregão desta sexta-feira na B3, em um sinal de que os investidores veem um risco maior de o negócio não acontecer.
A Eneva até melhorou a oferta em relação à proposta anterior, apresentada no fim de fevereiro. Mas ao mesmo tempo mudou a forma de pagamento, aumentando suas próprias ações como moeda e reduzindo a parcela em dinheiro.
Esse ponto teria desagradado o BNDES, um dos principais acionistas da AES Tietê com 28,41% do capital total da companhia (14,4% em ações ordinárias e 37,5% de preferenciais), de acordo com informação do blog do jornalista Lauro Jardim, de O Globo.
A Eneva já adiantou que só levará a proposta de incorporação adiante se o BNDES aceitar os termos do negócio. O receio de que a aguardada fusão não saia penalizou as ações de ambas as empresas.
Os papéis da Eneva (ENEV3) recuaram 1,84% e os da AES Tietê (TIET11) despencaram 9,12%. Leia também nossa cobertura completa de mercados.
Entenda a disputa
A Eneva lançou uma primeira oferta para incorporar a AES Tietê no fim de fevereiro, mas encontrou resistência do grupo norte-americano AES Corp, que detém 24,35% do capital total, mas controla a empresa por deter 61,6% das ações ON, que dão direito a voto.
Leia Também
Em tese, o negócio não iria para frente com a recusa do controlador em se sentar à mesa. Mas a AES Tietê tem uma peculiaridade por ser listada no Nível 2 da bolsa.
As regras do segmento de governança corporativa da B3 estabelecem que os detentores de ações preferenciais têm direito a voto em temas como uma proposta de incorporação nos moldes da realizada pela Eneva.
O problema é que os americanos bateram o pé e disseram que não reconheceriam a operação caso fosse aprovada em uma assembleia de acionistas.
Com receio de uma longa e incerta disputa judicial, a Eneva decidiu, então, retirar a oferta pela companhia. Mas logo depois a B3 — responsável pelas regras — decidiu se posicionar e esclareceu que as ações preferenciais têm, sim, direito de voto.
Foi depois desse imbróglio que o BNDES anunciou a intenção de vender a sua participação na geradora de energia, com a contratação do Banco BR Partners como assessor financeiro.
Americanos em vantagem
A expectativa agora é pela posição da AES Corp. Os americanos podem acabar de vez com as pretensões da Eneva se decidirem colocar a mão no bolso e fazer uma proposta mais vantajosa pelas ações da Tietê detidas pelo banco público.
Para uma fonte com quem eu conversei, a AES tem uma clara vantagem nessa disputa. Por ser o atual controlador da Tietê, o grupo americano não a necessidade de estender a oferta que será feita ao BNDES para os minoritários da companhia, como fez a Eneva.
A proposta da AES pela participação do banco teria ficado em R$ 17,15 por ação, de acordo com informações da Broadcast. O valor é menor que o proposto pela Eneva, que gira em torno de R$ 18,88 com base no fechamento dos papéis ontem, mas será pago integralmente em dinheiro.
A recente melhora dos mercados também joga a favor da AES Corp, que pode captar recursos a um custo bem baixo com a emissão de dívida para financiar uma eventual oferta ao BNDES.
SD EXPLICA
Crise das Casas Bahia (BHIA3): o que realmente aconteceu para levar a varejista à recuperação judicial?
25 de agosto de 2026 - 18:45QUEBROU
De novo: Oi (OIBR3) tem falência decretada pela Justiça pela segunda vez
25 de agosto de 2026 - 15:59VEM COISA BOA POR AÍ?
A declaração do CEO da Vale (VALE3) que fez as ações da mineradora subirem quase 2%
25 de agosto de 2026 - 15:38R$ 6 BILHÕES EM JOGO
O bilhete premiado de ONCO3? CVM julga oferta que pode pagar 10 vezes o preço atual da ação — mas só para alguns acionistas
25 de agosto de 2026 - 10:02MINORITY REPORT?
Do PABX aos drones com reconhecimento facial: como a Intelbras (INTB3) se reinventou e hoje usa a IA para ir além das câmeras de segurança
25 de agosto de 2026 - 6:07PENNY STOCK
Ações abaixo de R$ 1,00: Viveo (VVEO3) é cobrada pela B3 e traça plano para regularizar papéis
24 de agosto de 2026 - 20:00TENTATIVA DE FÔLEGO
Agora é pra valer: Braskem (BRKM5) entra com pedido de recuperação extrajudicial com mais de R$ 50 bilhões em dívidas
24 de agosto de 2026 - 18:34ALERTA MACROECONÔMICO
“O juro é o sintoma, não a causa”: o que os CEOs dos maiores bancos do Brasil esperam da economia após a eleição
24 de agosto de 2026 - 14:20A HISTÓRIA DA CRISE
De gigante petroquímica a uma dívida de US$ 11 bilhões: como a Braskem (BRKM5) chegou às portas da recuperação extrajudicial
24 de agosto de 2026 - 14:04TROCA DE CADEIRAS
Fundador do PagBank (PAGS34), Luiz Frias dá adeus ao conselho da dona da ‘moderninha’; o que muda para a empresa?
24 de agosto de 2026 - 12:07MAIS PRAZO PARA NEGOCIAR
Braskem (BRKM5) avança para pedir recuperação extrajudicial com mais de US$ 10 bilhões em dívida, diz jornal
24 de agosto de 2026 - 8:49DEFESA
Nova aposta dos irmãos Batista: Joesley e Wesley compram Avibras, maior indústria bélica do país e que está em profunda crise
22 de agosto de 2026 - 9:24BOM NEGÓCIO
A venda de fatia da Rumo (RAIL3) resolve os problemas da Cosan (CSAN3)? Veja o que diz o Citi
21 de agosto de 2026 - 16:12O TETO AINDA ESTÁ LONGE
Nubank ainda tem muito chão para crescer no Brasil; “pote de ouro” está justamente onde os bancões querem brigar
21 de agosto de 2026 - 13:31SONHO VIRANDO REALIDADE, MAS A QUE CUSTO?
Shein a preço de liquidação? Gigante chega ao IPO valendo um quarto do que no auge — mas há motivos para o desconto
21 de agosto de 2026 - 12:40EM BUSCA DE PETRÓLEO
Depois da Margem Equatorial, Petrobras (PETR4) agora quer atravessar o oceano para extrair petróleo em Gana
21 de agosto de 2026 - 11:15MAIS UMA REESTRUTURAÇÃO?
Aeris (AERI3) pede 60 dias de ‘blindagem’ contra credores enquanto tenta colocar dívida de R$ 1,94 bilhão em ordem
21 de agosto de 2026 - 10:41TROCA DE MÃOS
SPX e DSK Capital zeram aposta no Grupo Toky (TOKY3), mas ainda tem investidor interessado na dona da Mobly e Tok&Stok
21 de agosto de 2026 - 10:32CONARH 2026
Uma ‘cara diferente’ do BTG Pactual: como o banco se ‘reapresentou’ para clientes em sua participação no ConaRH, em São Paulo
21 de agosto de 2026 - 10:00VACAS LEITEIRAS