Magazine Luiza, Iguatemi e Cosan divulgam resultados; saiba o que esperar
Resultados divulgados até agora pelas empresas têm servido para dimensionar os primeiros impactos da crise do novo coronavírus na economia

A temporada de balanços do primeiro trimestre segue neste semana, com números da varejista Magazine Luiza nesta segunda-feira (25), a rede de shoppings Iguatemi na terça (26) e o grupo Cosan na sexta (29) — cujos negócios abrangem ramos como energia e infraestrutura.
Os resultados divulgados até agora pelas empresas têm servido para dimensionar os primeiros impactos da crise do novo coronavírus na economia. Desde março, o Brasil tem uma série de medidas restritivas de circulação e parte da população teve redução de renda.
A mudança abrupta resultou em perda de faturamento para alguns setores, enquanto outros aceleraram mudanças internas com objetivo de fortalecer a operação online — é do Magazine Luiza.
Logo no início da crise, a varejista foi apontada por especialistas como uma das empresas mais preparadas do setor, por conta da posição de caixa da empresa e a forte atuação online. Analistas da XP, por exemplo, disseram que a empresa poderia se beneficiar de uma quebra de resistência dos brasileiros ao consumo online.
"Dentre as vantagens competitivas do Magalu, destacamos a relevância em categorias de tickets menores após a aquisição da Netshoes, e a estrutura logística de cross-docking, suportada pela aquisição da Logbee", disseram os especialistas da corretora, em 30 dia março.
Leia Também
Com minério de ferro e petróleo jogando contra, Vale (VALE3) vê lucro cair 53%, para US$ 1,255 bilhão
Petrobras (PETR4) confirma terceira descoberta de petróleo na Margem Equatorial
A corretora avaliou que o Magazine Luiza poderia realizar mais investimentos e, possivelmente, aquisições. A companhia, aliás, finalizou no primeiro trimestre a compra da Estante Virtual por R$ 31 milhões.
A XP também estimou um crescimento anual médio de receita ao longo dos próximos três anos de cerca de 20%. Analistas da Bloomberg já apontam que a receita da varejista deve crescer 16,3% último trimestre. O lucro, no entanto, deve cair.
Os três primeiros meses do ano foram marcados por um anúncio de corte de salários de executivos e pela adesão a suspensão de contratos de trabalho, permitida por uma Medida Provisória (MP) do governo. O Magalu ainda endossou uma campanha contra demissões durante a crise e anunciou a doação de R$ 10 milhões.
A presidente do conselho da varejista, Luiza Trajano, uma das porta-vozes do setor, criticou a articulação do Executivo com os Estados e disse que de nada adiantava acabar com o isolamento social sem que houvesse uma "previsibilidade". "Se não tiver uma segurança da área da Saúde, as pessoas podem até transitar, mas não vão sair comprando", afirmou ao Estadão.
Projeções para o Magazine Luiza
- Lucro líquido: R$ 106 milhões (↓21,1% )
- Receita líquida: R$ 5,07 bilhões (↑16,3%)
- Ebitda: R$ 335,25 milhões (↓15,2%)
Sem passeio
Para os shoppings as soluções se mostraram mais restritas. Sem poder fazer uma migração total de fonte de receitas para o online, as redes seguem com serviços essenciais operando — como supermercados e farmácias — e restaurantes oferecendo delivery.
A receita, hoje de aluguéis, eventos, anúncios em mídias e estacionamentos, caiu drasticamente. Apenas parte dos valores pagos pelos inquilinos segue entrando no caixa.
É um cenário que começou a se desenhar a partir de março. O que significa que os resultados apresentados nesta semana ainda não refletirão por completo os impactos da crise. A Multiplan, por exemplo, que já divulgou o balanço trimestral, reportou perdas em todas as linhas do balanço, mas concentradas no terceiro mês do ano.
Os shoppings seguem determinações de governos locais para pausar as atividades físicas. No Estado de Santa Catarina, por exemplo, o Iguatemi já retomou parte das operações. Ainda assim, para os analistas da Bloomberg, o ritmo de hoje não impedirá a empresa de ter uma queda de ao menos 50% do lucro.
Projeções para o Iguatemi
- Lucro líquido: R$ 25,9 milhões (↓52,4% )
- Receita líquida: R$ 149,5 milhões (↓13,9%)
- Ebitda: R$ 83,767 milhões (↓35,3%)
Poucas perdas
O ano de 2019 para a Cosan foi de uma alta de 46% do lucro e havia especialistas que, em fevereiro, diziam que a empresa seguiria apresentando bons resultados.
O Credit Suisse, por exemplo, avaliava bem as margens da subsidiária Raízen Combustíveis, que opera os postos Shell no país. Os analistas do banco diziam ver um potencial de alta das ações de R$ 58 para R$ 80 em 12 meses.
Pouco mais de um mês depois da avaliação, surgiu a crise do coronavírus e hoje os papéis da Cosan estão na casa dos R$ 60. Para o UBS, as perspectivas não mudaram drasticamente para empresa.
Segundo a instituição americana, as ações da Cosan ainda podem chegar a R$ 76. O banco avalia que o cenário deve ser difícil para a empresa por conta do impacto na demanda por combustível em todo o país, mas que o atual preço das ações não dimensiona adequadamente a qualidade dos ativos da companhia.
A Cosan atua em várias frentes, de modo que perdas na distribuição de combustíveis, por exemplo, podem ser compensadas pelo desempenho em outras divisões. As projeções dos analistas ouvidos pela Bloomberg também atesta a resiliência da empresa, ao menos no primeiro trimestre.
Projeções para a Cosan
- Lucro líquido: R$ 409 milhões (↓26,0% )
- Receita líquida: R$ 16,9 bilhões (↓0,91%)
- Ebitda: R$ 1,629 bilhões (↑12,3%)
Agenda da semana
Outros destaques dos próximos dias incluem:
- Marcopolo nesta segunda-feira;
- C&A na quarta;
- Eletrobras e MRV na próxima quinta
CILADA NA BOLSA?
E agora, Nubank? Itaú BBA corta preço-alvo e alerta: o pior ainda pode estar por vir
29 de outubro de 2026 - 11:22NA MIRA DO BC
Mais uma liquidação: Banco Central tira do ar empresa que operava nos bastidores do Pix após encontrar “graves violações”
29 de outubro de 2026 - 9:34AQUECIMENTO PARA O BALANÇO
Vale (VALE3): lucro deve cair quase 50% no 3T26 com inimigo persistente roubando a cena. O que esperar do balanço de hoje?
29 de outubro de 2026 - 6:30RENEGOCIAÇÃO
Raízen (RAIZ4) consegue desconto de R$ 8,5 bilhões em dívidas tributárias; veja quanto a empresa terá de pagar
28 de outubro de 2026 - 18:26PERDEU O ENCANTO?
Itaú BBA deixa de recomendar compra de Bradesco (BBDC4), e ação cai forte; o que levou o bancão a perder o brilho?
28 de outubro de 2026 - 16:27O DILEMA DO BANCÃO
“O preço a pagar” para reduzir riscos: CEO do Santander revela plano para atingir ROE acima de 20%
28 de outubro de 2026 - 14:32BALANÇO AGRADOU
Caneta emagrecedora e dívida menor: os dois motores que fazem da Hypera (HYPE3) uma das poucas altas do Ibovespa hoje
28 de outubro de 2026 - 13:31REAÇÃO AO RESULTADO
Santander (SANB11) afunda mais de 5% após resultado fraco, mas analistas revelam ‘trunfo’ que pode salvar as ações da queda
28 de outubro de 2026 - 11:54OS BASTIDORES DA OPERAÇÃO
Por dentro da Shopee: 150 mil tipos de produtos, muitas mãos e uma corrida para fazer cada pedido chegar à sua casa
28 de outubro de 2026 - 10:46BALANÇO
Santander Brasil (SANB11) frustra no 3T26: lucro tomba 28% e ROE cai a 11,9%; veja os destaques do balanço
28 de outubro de 2026 - 6:16POTENCIAL DE ALTA
Maré favorável? Citi inicia cobertura da OceanPact (OPCT3) e vê espaço para alta de 48%
27 de outubro de 2026 - 17:06PRÉVIA DO BALANÇO
Lucro menor, calotes no radar e recuperação adiada: o que esperar do balanço do Santander Brasil (SANB11) no 3T26
27 de outubro de 2026 - 13:28FACA AFIADA
Citi manda vender Banco do Brasil (BBAS3) após eleições; veja o que colocar no lugar
27 de outubro de 2026 - 13:09SD ENTREVISTA
Agência com cara de hotel? A aposta do Bradesco (BBDC4) para atrair clientes endinheirados
27 de outubro de 2026 - 12:03APOSTA NO LUXO
Massagem, hotéis Fasano e descontos: a nova cartada do Itaú (ITUB4) e da JHSF (JHSF3) para conquistar os clientes ricos
27 de outubro de 2026 - 8:33VAI DE BOLSA
Após SpaceX (SPCX), Anthropic quer entrar no grupo do ‘IPO do trilhão’ com documento enviado à SEC
26 de outubro de 2026 - 14:45AQUISIÇÃO BILIONÁRIA
Itaú (ITUB4) desembolsa R$ 2,925 bilhões para comprar NeoSpace e fortalecer operação de inteligência artificial
26 de outubro de 2026 - 9:12AGORA VAI?
Oncoclínicas (ONCO3) avança em reestruturação e apresenta novo plano para renegociar R$ 5,7 bilhões em dívidas
23 de outubro de 2026 - 19:43MAIS UM RECORDE
Embraer (EMBJ3) tem novo recorde na carteira de pedidos, que totalizou US$ 35,7 bilhões no 3T26; veja os números
23 de outubro de 2026 - 16:48BARATA DEMAIS?