CSN (CSNA3): com mais dívidas até 2027 que dinheiro em caixa, situação segue em deterioração, diz BB Investimentos
Uma redução mais relevante do endividamento dependerá de iniciativas de execução mais complexa, como a venda de ativos, mas que estão fora do controle da CSN, diz o banco

A CSN (CSNA3) tem mais dívidas a pagar nos próximos dois anos que dinheiro no caixa — e essa situação só parece piorar. Ainda que a empresa de mineração e siderurgia tenha divulgado um plano de vendas de ativos para levantar até R$ 18 bilhões em desinvestimentos, o BB Investimentos está cético em relação à capacidade da empresa de fechar essas vendas ainda em 2026, seguindo o plano que foi anunciado.
"Apesar dos esforços da companhia para capturar ganhos de eficiência operacional e mitigar os desafios do segmento de siderurgia, os indicadores de endividamento e alavancagem seguem em deterioração e continuam exigindo acompanhamento próximo", diz o BB Investimentos, em relatório.
Uma redução mais relevante do endividamento dependerá de iniciativas de execução mais complexa, como a venda de ativos, porém, "ainda que haja otimismo quanto à conclusão em 2026, trata-se de um processo condicionado a fatores externos e fora do controle direto da CSN, em nossa avaliação".
Uma gigante endividada
A CSN é uma das maiores produtoras integradas de aço no Brasil, a segunda maior no mercado de cimentos, com um enorme sistema logístico de ferrovias e terminais portuários.
Mas os investimentos para a construção de todo esse colosso estão cobrando o seu preço. No último trimestre, a sua dívida aumentou ainda mais, e a empresa voltou a ter prejuízo e queima de caixa.
A alta do endividamento veio após a CSN registrar fluxo de caixa livre negativo de R$ 282 milhões no período. O número foi pressionado por investimentos elevados e despesas financeiras relevantes, fatores que continuam limitando uma melhora mais consistente da estrutura de capital da companhia.
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Mais dívida que caixa até 2027
Com R$ 16 bilhões em caixa — R$ 2,8 bilhões a menos que há um trimestre —, a empresa tem R$ 10,52 bilhões a pagar em 2026 e R$ 7,81 bilhões a vencer em 2027. Para 2028, a dívida é ainda maior, de R$ 11,4 bilhões.
A dívida bruta total é de R$ 57,2 bilhões, alta de R$ 867 milhões em relação ao trimestre passado.
A empresa de mineração e siderurgia deve continuar queimando caixa para pagar o que deve. Ao considerar o capex (investimentos estimados), a geração de caixa deixa de ser suficiente para cobrir os custos financeiros.
A relação entre o Ebitda ajustado, excluindo capex, e a dívida líquida é de 0,7 vez em 2025. Em 2022, essa relação era de 3 vezes. Esse indicador é importante para avaliar se a empresa consegue pagar as dívidas apenas com sua operação.
E a situação está se deteriorando. A alavancagem financeira subiu de 3,14x para 3,47x na relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado, "interrompendo a lenta trajetória de desalavancagem e ficando acima do guidance de 3,0x estimado pela companhia para o final de 2025", escreve o BB Investimentos. Assim, a empresa está ficando sem tempo para encontrar soluções.
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