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Bia Azevedo

Bia Azevedo

Jornalista pela Universidade de São Paulo (USP). Em 2025, esteve entre os 50 jornalistas mais admirados da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já trabalhou como coordenadora e editora de conteúdo das redes sociais do Seu Dinheiro e Money Times. Além disso, é pós-graduada em Comunicação digital e Business intelligence pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM).

HORA DE COMPRAR?

Mercado Livre (MELI34): mesmo com concorrência sem misericórdia e poucos gatilhos à vista, ação guarda oportunidade rara, diz Itaú BBA

Concorrência crescente no e-commerce exige gastos maiores do Mercado Livre, pressiona margens no curto prazo e leva Itaú BBA a revisar projeções

Bia Azevedo
Bia Azevedo
16 de março de 2026
15:33 - atualizado às 14:55
Mercado Livre
Imagem: Divulgação/Mercado Livre

O Mercado Livre (MELI34) vem enfrentando uma concorrência cada vez mais acirrada no Brasil, o que tem exigido investimentos robustos para preservar sua participação de mercado. Esse ambiente tem pressionado o desempenho das ações e fez o Itaú BBA reduzir o preço-alvo para a companhia, de US$ 2.600 para US$ 2.500 — o que ainda representa uma alta potencial de 50%.

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A recomendação da casa é de compra dos papéis. Os analistas argumentam que reduziram as estimativas para incorporar um período maior de margem Ebit (lucro antes de juros e impostos) mais baixas, um dos principais reflexos dos investimentos que a companhia vem fazendo para enfrentar a concorrência.

Isso também se traduz em quedas nominais ano a ano no lucro por ação (EPS). Entre as iniciativas está a redução do valor mínimo de compra para frete grátis, estratégia que estimula um maior volume de pedidos para manter a competitividade da plataforma.

Com isso em mente, o Itaú cortou a projeção de Ebit para 2026 em 13,8%, para US$ 3,5 bilhões (margem de 9,1%), e a de lucro líquido em 14,3%, para US$ 2,37 bilhões. Para o primeiro trimestre de 2026, os analistas dizem que o nível típico de margem Ebit deverá ficar em torno de 9%.

No entanto, mesmo com o cenário de curto prazo pressionado, o banco afirma que a situação abre uma oportunidade única para quem se interessar a levar o papel no longo prazo.

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Crescimento em primeiro lugar, qualidade depois

Os investimentos da empresa estão gerando resultados. Segundo o Itaú BBA, os indicadores qualitativos e quantitativos sugerem que a execução está indo na direção certa.

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Ainda assim, investidores parecem pouco dispostos a pagar por essa melhora, já que a empresa é negociada a um múltiplo preço/lucro (P/L) considerado elevado, de aproximadamente 36 vezes para 2026. Outras varejistas negociam na faixa de 20 vezes.

O time de análise vê as projeções convergindo para um Ebit de aproximadamente US$ 3,5 bilhões (margem de 9%) para 2026. “Poucas coisas são mais prejudiciais para uma ação do que revisões negativas persistentes nos lucros”, afirma o relatório.

O segundo semestre de 2026 poderá marcar uma inflexão nas margens, com retomada da expansão ano a ano — o que naturalmente proporcionaria um alívio relevante.

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“Até lá, é provável que as ações permaneçam sob pressão, sem catalisadores claros no curto prazo. Assim, para fundos de hedge, a relação risco-retorno parece pouco atraente. Para investidores de longo prazo, talvez seja uma daquelas oportunidades que a Meli raramente oferece”, escrevem os analistas.

Enquanto isso, no Mercado Pago…

Em outro relatório, os analistas estacam o avanço do Mercado Pago, braço de meios de pagamento do Meli, no mercado de cartões de crédito. Segundo o time de análise, ao lado do Nubank, a fintech da plataforma argentina está dominando esse mercado.

Juntas, as duas empresas respondem por cerca de 36% da expansão da carteira no país no acumulado de 12 meses até o quarto trimestre de 2025.

Os analistas afirmam que as duas companhias estão confortáveis com seus modelos de risco e decidiram acelerar a concessão de crédito, ampliando participação em um dos segmentos mais rentáveis do sistema financeiro brasileiro.

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Nubank e Mercado Livre

No caso da plataforma argentina, a carteira no Brasil cresceu cerca de US$ 0,84 bilhão (R$ 4,6 bilhões) no quarto trimestre, segundo estimativas baseadas em dados do Banco Central.

No período, o braço financeiro do marketplace emitiu quase 3 milhões de novos cartões na América Latina, acima dos cerca de 2 milhões do trimestre anterior, movimento impulsionado por melhorias nos modelos de crédito no Brasil e no México e pela expansão do produto na Argentina, onde a operação começou recentemente a ganhar escala.

Já o roxinho adicionou cerca de US$ 2,1 bilhões (R$ 11,4 bilhões) ao portfólio no mesmo período, permanecendo como o principal responsável individual pela expansão do mercado de cartões.

No acumulado de 12 meses, a carteira do Mercado Livre cresceu cerca de US$ 2,6 bilhões (R$ 12,9 bilhões) — avanço relevante, mas ainda equivalente a aproximadamente 40% da expansão registrada pelo Nubank, que somou US$ 6,5 bilhões (R$ 26,6 bilhões) no período.

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Nubank ainda lidera em rentabilidade

Apesar da expansão mais agressiva do Mercado Livre, o relatório aponta que o Nubank ainda apresenta vantagem relevante na rentabilidade do negócio de cartões.

O Itaú BBA estima que a Nimal (margem líquida de juros após perdas com inadimplência) da operação do banco digital ficou em cerca de 19% no quarto trimestre de 2025, queda de 3,7 pontos percentuais em relação ao pico de 22% registrado no trimestre anterior, mas praticamente estável na comparação anual.

Segundo os analistas, esse desempenho é sustentado principalmente por uma maior presença de crédito que gera juros. Cerca de 35% da carteira do Nubank é composta por crédito rotativo, contra aproximadamente 15% no Mercado Livre.

Como consequência, o Nubank registra yield bruto próximo de 38% ao ano sobre a carteira total, considerando também receitas de intercâmbio. No caso do Mercado Livre, esse número fica próximo de 19%.

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O custo de risco também é menor no banco digital. O Nubank opera com cerca de 14% da carteira, enquanto o Mercado Livre ainda apresenta entre 23% e 24%, embora com melhora relevante ao longo do último ano.

Mesmo assim, a qualidade do crédito do Mercado Livre tem mostrado evolução. A companhia informou que a inadimplência dos cartões atingiu mínima histórica de 4,4% no quarto trimestre.

Segundo o Itaú BBA, a Nimal consolidada da carteira de cartões do Mercado Livre (Brasil, México e Argentina) ainda permaneceu negativa em um dígito médio, reflexo da emissão acelerada de novos cartões e do estágio ainda inicial de parte da carteira.

Mercado Livre lidera rentabilidade em empréstimos

No segmento de empréstimos a consumidores e lojistas, porém, o cenário é diferente. O relatório aponta que o Mercado Livre apresenta Nimal estimada em cerca de 46% nesse produto, bem acima dos 19% registrados pelo Nubank em crédito pessoal.

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Segundo o Itaú BBA, essa diferença está diretamente ligada ao modelo de negócios da empresa.

O crédito do Mercado Livre nasceu dentro da própria plataforma de e-commerce, inicialmente como um mecanismo de financiamento para vendedores e compradores dentro do marketplace.

Com acesso a dados detalhados sobre vendas, fluxo de caixa e comportamento de consumo, a empresa consegue avaliar risco de forma mais precisa e oferecer crédito a segmentos pouco atendidos pelo sistema financeiro tradicional, mantendo spreads mais elevados.

A própria companhia afirmou em teleconferência que a rentabilidade dessa carteira está “entre a casa dos 30% e o final dos 40%”, em linha com as estimativas do banco.

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Os analistas do Itaú BBA avaliam que a expansão da carteira de cartões do Mercado Livre deve continuar acelerando nos próximos trimestres.

Isso porque, no Brasil, cortes mais antigas da carteira já apresentam rentabilidade positiva. Segundo a companhia, cerca de metade da carteira de cartões no país já atingiu Nimal positiva, enquanto clientes com mais de dois anos de relacionamento já geram retorno.

Com a carteira brasileira se aproximando do ponto de equilíbrio em rentabilidade, o banco acredita que o crescimento do crédito tende a ganhar ainda mais tração.

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