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Karin Salomão

Karin Salomão

Jornalista formada pela Universidade de São Paulo (USP), com experiência em economia e negócios. Foi repórter na Exame e editora assistente no UOL Economia. Completou o Curso B3 de Mercado de Capitais para Jornalistas e Formadores de Opinião, em parceria com o Insper. Hoje, é editora assistente de empresas no Seu Dinheiro.

O PIOR FICOU PARA TRÁS

Natura (NATU3) reverte prejuízo, lucra R$ 186 milhões no 4T25, demite 1.400 funcionários e relança Avon; agora vai?

O cenário não ajudou, com desaceleração do segmento de beleza. A empresa também perdeu mercado com a falta de lançamentos no ano passado e viu o número de consultoras caírem; veja o que esperar para a Natura daqui para a frente

Karin Salomão
Karin Salomão
17 de março de 2026
11:02 - atualizado às 11:30
Fachada loja Natura
Natura - Imagem: Divulgação/Natura

Depois de um ano de muita mudança, a Natura (NATU3) está pronta para virar a página. Em 2025, a fabricante de cosméticos vendeu a Avon Internacional, a divisão na América Central e República Dominicana e a subsidiária na Rússia. Também finalizou a fusão da Natura &Co com a Natura Cosméticos,
culminando no retorno das ações NATU3.

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"Concluída a intensa e trabalhosa integração das nossas duas marcas aspiracionais, iniciamos o ano reorganizando a companhia em um modelo operacional único e centrado no cliente", afirmou a empresa.

Nesta manhã, as ações estão em alta de 8,57%. Desde o começo do ano, a alta já é de 25,77%.

A reorganização contou com uma demissão de aproximadamente 1.400 pessoas, equivalente a cerca de 25% do quadro administrativo. A companhia também relançou a marca Avon no Brasil e no México na semana passada, com foco em tecnologia, e deve criar novas fragrâncias e melhorar o nível de serviço.

No entanto, o cenário não ajudou, com desaceleração do segmento de beleza. A empresa também perdeu mercado com a falta de lançamentos no ano passado e viu o número de consultoras caírem. Por isso, ainda não é motivo para cantar vitórias, e o momento continua sendo de cautela.

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Prejuízo da Natura ficou para trás, mas desafios permanecem

A companhia de cosméticos deixou o prejuízo para trás, com um lucro líquido das operações continuadas de R$ 186 milhões no quarto trimestre de 2025.

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O resultado ainda foi pressionado por uma provisão não recorrente de R$ 434 milhões relacionada a recebíveis da venda da The Body Shop, sem efeito caixa. Excluindo esse impacto, o lucro das operações continuadas teria sido de R$ 620 milhões, avanço anual de R$ 321 milhões.

A receita líquida somou R$ 6,19 bilhões no trimestre, queda de 12,1% na comparação anual, refletindo principalmente a desaceleração no Brasil e os efeitos cambiais e de hiperinflação em mercados da América Hispânica, especialmente a Argentina.

Segundo a companhia, a queda também está ligada à reestruturação operacional e à integração das marcas Natura e Avon em mercados-chave.

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“A desaceleração das receitas refletiu principalmente o desempenho mais fraco no Brasil e as instabilidades relacionadas à integração das marcas na Argentina, além de pressões cambiais e do impacto da hiperinflação”, afirmou a Natura, no documento publicado na noite desta segunda-feira (16).

Ainda não é motivo para comemorar

A companhia tinha três desafios estruturais, segundo o BTG Pactual. A alavancagem elevada em um ambiente de juros altos foi parcialmente mitigada pelas vendas da Aesop, The Body Shop e Avon Internacional.

A reestruturação da Avon na América Latina ainda está em andamento nos principais mercados. Além disso, era necessário vender a divisão internacional da marca e conter a queima de caixa.

"Embora a gestão tenha feito um progresso admirável na simplificação da estrutura corporativa, e os resultados operacionais recentes tenham vindo melhores do que o esperado, continuamos monitorando as tendências de recuperação de margem, redução da alavancagem e a retomada das vendas no Brasil e na América Latina Hispânica antes de adotarmos uma postura mais construtiva", disse o banco em relatório.

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Natura vê Brasil desacelerar

No Brasil, a receita líquida recuou 4,8% no quarto trimestre, para R$ 3,77 bilhões, impactada pela queda na atividade das consultoras e pelo desempenho mais fraco da marca Avon.

“A ligeira queda da marca Natura reflete principalmente a redução no número e na atividade das consultoras menos produtivas, enquanto a Avon ainda enfrenta pressões enquanto aguarda a tração do relançamento iniciado em março”, disse a companhia.

Em meio a uma reestruturação, a empresa limpou parte do seu quadro de colaboradores, com demissão de 1.400 funcionários.

A Natura no Brasil viu suas receitas caírem 2,2% no trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, com redução no número e na produtividade das consultoras. O número de consultoras caiu 4,9%, com queda de 10,1% nas receitas vindas desse canal.

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Com menos lançamentos e problemas no estoque de body splash, a categoria de fragrâncias também teve um desempenho baixo. Já na marca Avon no Brasil, a receita caiu 11,5%.

Por outro lado, canais digitais e varejo no Brasil continuaram crescendo. As vendas digitais avançaram 24,5% no trimestre, impulsionadas por iniciativas como live commerce e pela digitalização da base de consultoras.

Rentabilidade em alta

Mesmo com a pressão no topo da linha, a rentabilidade apresentou melhora. O Ebitda recorrente atingiu R$ 978 milhões, avanço de 57,2% na comparação anual, com margem de 15,8%, expansão de cerca de 7 pontos percentuais.

A companhia atribui o ganho de rentabilidade principalmente a eficiências operacionais e redução de despesas com a integração entre Natura e Avon.

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Também houve melhora na estrutura de custos. As despesas com vendas caíram 20,5% no trimestre, refletindo a queda da receita e otimizações comerciais, enquanto as despesas gerais e administrativas recuaram 20%, beneficiadas por eficiências da integração das operações e pela redução das despesas corporativas da antiga holding.

Ao final de dezembro, a dívida líquida da companhia era de R$ 3,5 bilhões, queda de R$ 567 milhões em relação ao trimestre anterior, impulsionada pela geração de caixa sazonal típica do final do ano.

Com isso, a alavancagem caiu para 1,57 vez dívida líquida/EBITDA, ou 1,31 vez ao excluir efeitos não recorrentes, dentro da faixa considerada ideal pela companhia.

Com Money Times

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