Ação da BRF dispara com receita melhor do que o esperado
Linha avançou 20%, mas empresa fechou o trimestre no prejuízo; analistas divergem quanto a compra da ação

A ação da gigante de alimentos BRF disparou nesta segunda-feira (11), após a empresa divulgar um avanço de 20% da receita no primeiro trimestre deste ano. Por volta das 12h, os papéis da companhia subiam 14%, a R$ 21,44.
A alta das ações nesta segunda ainda não anula a desvalorização acumulada desde o início do ano. Em meio à crise, os papéis da BRF tem queda de 40% desde o início de janeiro, enquanto o Ibovespa caiu 30%.
Para a XP Investimentos, o momento é de comprar a ação da gigante de alimentos. O banco, que já recomendava os papéis da empresa, disse que o desempenho da companhia nos mercados internacionais foi surpreendente.
Segundo a analista da corretora, Betina Roxo, o Ebitda ajustado do mercado Halal de R$ 237 milhões ficou acima da expectativa da XP de R$ 201 milhões. "Isso aconteceu porque os preços começaram a reagir à restrição de oferta estabelecida desde janeiro de 2019", disse.
À época, autoridades da Arábia Saudita reduziram o número de plantas brasileiras habilitadas para exportar para o país, incluindo algumas da BRF.
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"Além disso, o mercado iraquiano ainda está parcialmente restrito à importação de produtos da Turquia, afetando negativamente os preços tanto no mercado turco quanto nos países vizinhos", lembra a analista.
Segundo Roxo, as restrições afetam a variedade de produtos e, somadas ao aumento das despesas com frete e ao aumento dos custos dos grãos, explicam a maior parte da redução na margem bruta, que diminuiu 340 pontos-base na comparação anual. "Mas os volumes de exportação da Turquia para o Iraque se recuperaram gradualmente ao longo do trimestre".
Excluindo o mercado Halal, o Ebitda ajustado do segmento de outros mercados internacionais de R$ 445 milhões também ficou acima das estimativas da XP. Já os volumes ficaram 6% abaixo da expectativa, mas 13% acima do desempenho do primeiro trimestre do ano passado.
Roxo explica que o mercado sofre os efeitos da Peste Suína Africana (PSA), que segue alterando a oferta de proteínas em vários países asiáticos, particularmente na China - o que resulta em maior demanda por produtos importados.
Na China, por exemplo, os volumes aumentaram 89,5%, beneficiados por um aumento no número de plantas habilitadas. De acordo com a BRF, Japão e Singapura também passaram por melhoras na dinâmica comercial, tendo em vista o receio dos importadores com a possível falta de frango no mercado, dado o aumento da demanda chinesa.
"O principal destaque do segmento Brasil foi o bom desempenho do segmento de alimentos industrializados, cujos volumes cresceram 15% na comparação anual", diz a XP.
Para ficar de olho
A BRF apresentou um prejuízo de R$ 38 milhões nos três primeiros meses do ano, mesmo somando R$ 8,95 bilhões em geração de receita. A empresa teve custos relacionados às vendas em total de R$ 6,69 bilhões, uma alta de 14,6% em um ano.
As despesas operacionais avançaram 13,9%, para R$ 1,46 bilhão, as despesas com vendas subiram 15,5%, para R$ 1,31 bilhão, e as despesas administrativas expandiram 0,9%, para R$ 143 milhões.
Para os analistas do BTG Pactual, os altos custos financeiros podem aumentar a preocupação dos investidores com o balanço da BRF no futuro, caso as margens se deteriorem. O banco mantém a recomendação neutra para os papéis da empresa, mas avalia que eles podem chegar a R$ 23 em 12 meses.
Coronavírus
O CEO global da BRF, Lorival Luz, disse nesta segunda-feira que os preços de carnes de frango e suína devem passar por alta volatilidade por causa da pandemia. “As plantas podem ter de operar com menos funcionários", disse em teleconferência com analistas.
O executivo lembro que há a possibilidade de imposição de fechamento de unidades industriais por autoridades locais. O movimento levaria a uma redução da produção.
No último dia 8, a Justiça de Lajeado (RS) determinou a paralisação por 15 dias da unidade da BRF na cidade. Segundo a decisão, cerca de 26% dos pacientes com covid-19 no Hospital Bruno Born, que fica na cidade, eram funcionários da empresa.
O executivo da BRF não se referiu diretamente ao caso durante a teleconferência, mas a companhia disse anteriormente em nota que recorreria da decisão.
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