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O dólar é um ativo de proteção contra as crises. Mas ainda dá tempo de se proteger?
Uma coisa boa que a quarentena nos proporcionou foi a oportunidade de entender melhor como funcionam as cabeças dos melhores gestores do país, através das várias lives que eles têm participado.
O que me chamou muito a atenção entre os gestores de fundos multimercado é que a maioria deles se mostrou muito preocupada com o cenário atual, sugerindo a nós, além de uma boa dose de cautela, alocação em dólares para proteger o portfólio.
Até aí, tudo bem. O problema surge quando o investidor, prestes a colocar as ideias das melhores cabeças do mercado em prática, se depara com esse gráfico de cotação do dólar:

"Poxa, será que essa é mesmo uma boa hora de comprar dólar? Mesmo depois de toda essa alta?." Essa pergunta provavelmente passou pela sua cabeça.
Quando os gestores recomendam que você tenha um pouco de dólar na carteira não é porque eles estão apostando que a moeda vai continuar subindo. Nem eles, nem ninguém tem como saber!
Na verdade, eles estão fazendo o que todo gestor preocupado com o dinheiro dos seus cotistas deveria fazer neste momento de enormes incertezas: considerar que as coisas ainda podem piorar.
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Se o desfecho dessa história for otimista, a vida voltará ao normal daqui a alguns dias, todos retornarão à rotina de antes e se lembrarão apenas vagamente de um período no qual tiveram que ficar confinados em casa, tomando banho de álcool gel a cada dez minutos.
Nesse cenário, as ações dobram (triplicam, quadruplicam...), aqueles que recomendaram colocar tudo em renda variável – mais por falta de juízo do que brilhantismo – se tornarão os novos popstars do mercado e qualquer proteção que você comprou terá se tornado inútil.
Mas também existe uma possibilidade, mesmo que remota, de as coisas ficarem muito feias. Se o lockdown demorar bem mais do que estamos esperando, as finanças de muitas empresas no país serão estranguladas, impactando o desemprego, a confiança e o consumo (que, convenhamos, já não estavam bem das pernas).
Nesse caso, depois de ver as ações derreterem, os tais gestores "sem juízo" apenas ganhariam o status de ex-gestores e veríamos uma redução brutal da exposição de investidores globais à países emergentes. No caso do Brasil, isso ainda seria intensificado pelo diferencial de juros (carry trade) bem abaixo da média histórica – como você já sabe, quanto mais gringos tirarem o dinheiro daqui, mais o dólar será pressionado para cima.
No fundo, o que os melhores gestores querem dizer para você é: "sempre carregue um pouco de dólares em seu portfólio. Se já possui, ótimo! Se não tem, compre um pouco, independente das cotações atuais. Nunca sabemos o quanto as coisas podem piorar".
Perceba que isso não funciona apenas para o dólar. Por exemplo, apesar de as perspectivas não serem das melhores para o Ibovespa neste momento, isso não quer dizer que você não deveria ter ações na carteira.
Se o desfecho dessa pandemia for mais rápido e mais positivo do que todos nós estamos imaginando, ter exposição à Bolsa fará uma grande diferença para a sua rentabilidade.
Para te dar uma referência, vou usar a recomendação da Carteira Empiricus, que sugere em torno de 12% de exposição líquida à Bolsa e cerca de 15% do portfólio investido em dólar.
Caso queria uma sugestão de alocação completa para seu portfólio, deixo o convite para conhecer a série, que indica vários outros investimentos que você deveria ter em seu portfólio – como ouro, fundos de investimentos imobiliários, renda fixa, etc – e, mais importante, quanto e quando investir em cada um deles.
Para entender as projeções para este ano, o Seu Dinheiro conversou com a analistas da EQI Research e da Empiricus Research, além de gestores de fundos imobiliários da Daycoval Asset e da TRX
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