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Seja na cadeira do dentista ou no mercado financeiro, cuidado com os conflitos de interesse, que podem ser extremamente danosos para você e sua família
Eu vou te contar um segredo e peço muita discrição de sua parte, por favor: eu não me sinto nem um pouco confortável em consultórios odontológicos.
Que fique claro, não tenho absolutamente nada contra os dentistas que, aliás, exercem atividade fundamental para a nossa saúde. O problema é que só de pensar em chegar perto daquela "maquininha" de furar dentes, eu já começo a ter calafrios.
É por isso que restrinjo as visitas ao meu dentista de confiança (em Piracicaba, minha cidade natal) a apenas duas vezes por ano, caprichando ao máximo na limpeza diária para não ter de aumentar essa frequência.
Infelizmente, as coisas nem sempre saem como planejamos. Recentemente, meu dente do siso começou a doer pra caramba. Muito mesmo!
Longe de Piracicaba e sem conseguir morder nem um pedaço de vento, eu não tive outra escolha a não ser pedir alguma indicação de dentista aqui em São Paulo.
Encontrei um que, pelo telefone, me disse que poderia resolver meu problema:
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No consultório ele procurou por cáries, fez uma limpeza boa e também aproveitou para emendar um clareamento dental.
Cinco segundos depois:
Eu cheguei no consultório para resolver o meu problema no dente do siso. Saí de lá com o meu problema não resolvido e ainda gastei uma baita grana com outros procedimentos que eu nem precisava ter feito.
Se você não conhece, o nome disso é "conflito de interesses". A remuneração do dentista é baseada no número de procedimentos realizados. Se eles são realmente necessários é outra história.
Não fique bravo se você é dentista ou é próximo de alguém do ramo. Eu sei que a grande maioria dos profissionais é honesta e preza pela saúde e bem-estar dos seus pacientes.
Claramente, não foi o que aconteceu comigo naquele dia.
Infelizmente, os conflitos estão por todas as partes e são responsáveis até por colocar vidas em risco. Vários estudos realizados nesta década apontam que mais de um quinto das cirurgias que acontecem são desnecessárias e só são realizadas porque hospitais e médicos têm recompensas financeiras maiores quando o paciente é operado e internado.
Ou seja, aproximadamente 20% dos pacientes passam por procedimentos totalmente desnecessários e que envolvem riscos de danos permanentes à sua saúde simplesmente porque a estrutura de remuneração dos agentes envolvidos é falha. Será que esses mesmos médicos levariam adiante cirurgias desnecessárias caso os pacientes fossem seus filhos? É provável que não.
Existem vários outros exemplos menos dramáticos dessa estrutura errônea de incentivos. Para a vendedora da loja de roupas, o que importa é a comissão da venda, e não se você ficou bonita naquele vestido que ninguém quis comprar até hoje. Por isso, pense duas vezes da próxima vez que você ouvir "nossaaaa, ficou lindaaa!" dentro da loja.
Quando o frentista tentar te convencer a encher o tanque com gasolina aditivada, ele não estará fazendo isso por pensar na maior longevidade do seu motor – é porque a comissão dele provavelmente é bem melhor.
No mercado financeiro, os conflitos também existem e podem ser extremamente danosos para as suas finanças e as da sua família. Quando a sua corretora enviar aquela oportunidade "imperdível" para comprar a ação XPTO3 ou investir em debêntures de uma empresa extremamente "sólida" que você nunca ouviu falar, pare para refletir um pouquinho:
A corretora ganha dinheiro:
Se respondeu "a", sinto lhe dizer que você errou. As corretoras ganham dinheiro com corretagem. E quanto mais ativos você operar, mais receita fornecerá para elas. Se a indicação é boa para a rentabilidade do seu portfólio, aí já é outra história.
Os gerentes de banco também não são bons exemplos de alinhamento: eles ganham mais quando te empurram o produto mais benéfico para o banco, não para você. Quem vende mais títulos de capitalização ganha bônus gordo no final do ano.
Da próxima vez que você for investir, preste bem atenção no modelo de remuneração de quem está "cuidando" do seu dinheiro.
Eu que vos escrevo trabalho na equipe de análise da Empiricus. Aproveito, então para esclarecer: as receitas da Empiricus não estão relacionadas ao número de operações que os assinantes realizam. Elas acontecem quando leitores satisfeitos com as Melhores Ações da Bolsa renovam suas assinaturas e ainda buscam outras séries para diversificar os seus investimentos. Se você não ganha dinheiro, fica insatisfeito, não renova e nem vai procurar outras assinaturas.
É por isso que nós, da Empiricus, queremos ver os seus lucros voando para que você continue conosco para sempre. Isso é ter uma estrutura de remuneração alinhada.
Quer outro exemplo de alinhamento de interesses? Os fundos de investimento.
Os gestores dos fundos são remunerados de acordo com o retorno dos seus cotistas. Se o desempenho do fundo (e, consequentemente, dos cotistas) não superar a meta, o gestor não ganha taxa de desempenho.
Essa regra, no entanto, é um pouco diferente para a taxa de administração. O gestor ganha pelo simples "trabalho" de administrar o seu dinheiro. Então, aí vai uma reflexão: se o fundo oferecer taxas de administração baixas, como é o caso do Carteira Universa, da Vitreo, que replica a Carteira Empiricus, (a taxa é de 1,25% ao ano), o alinhamento é ainda maior, pois o gestor receberá muito pouco se não performar.
Mais uma vez, alinhamento de interesses na veia. E, quando tudo está alinhado para uma relação verdadeiramente "ganha-ganha", a chance de conseguir uma performance positiva é maior. O Carteira Universa, por exemplo, tem uma das melhores performances entre os fundos multimercado desde a sua criação:

E se você está se perguntando sobre meu dente do siso, ele continua no mesmo lugar enquanto eu procuro por um dentista de confiança na capital paulista. Pelo menos ele parou de doer e não é na sexta-feira de Carnaval que eu vou me preocupar com isso.
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