Um jeito simples para ganhar dinheiro com a Nova Rota da Seda, o mega projeto chinês de infraestrutura
O “China Belt and Road Initiative” foi inicialmente traçado por um só país, mas se expande por três continentes e atinge 60% da população mundial. Encontrei um investimento que permite que você "compre" o projeto.

Por viver no Brasil, sempre admirei iniciativas em infraestrutura. Para mim, sanar os grandes gargalos estruturais de nosso país passaria, inevitavelmente, por investimentos pesados em infraestrutura, aqui no sentido de maior integração geral de nossa economia - com ferrovias, portos, estradas, saneamento, projetos de geração e transmissão de energia, e afins.
Mirar um planejamento de crescimento sustentável de longo prazo requer dedicação em entender as necessidades de infraestrutura que a pujança econômica solicita.
Tome a história recente como exemplo. Nosso sistema elétrico não estava preparado para o crescimento proporcionado pelo Plano Real. Deu na Crise do Apagão, ao final do Governo Fernando Henrique.
Hoje me lembro de um provérbio chinês:
"Se quiser derrubar uma árvore na metade do tempo, passe o dobro do tempo amolando o machado.”
Esse provérbio se refere justamente à necessidade de se preparar para grandes avanços. Para se derrubar uma árvore na metade do tempo precisamos gastar o dobro amolando o machado. Se quisermos crescer mais em menos tempo, com mais qualidade, devemos despender o dobro do tempo preparando a estrutura na qual tal crescimento será sustentado; isto é, suas bases.
O maior de todos os projetos
Desenho este preâmbulo justamente para tratar do que acredito ser um dos mais ambiciosos e relevantes projeto em infraestrutura da história moderna: a iniciativa chinesa chamada de “Nova Rota da Seda”, ou “One Belt, One Road”.
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Falamos aqui de uma tentativa em se recuperar a antiga e mundialmente conhecida roda da seda, que interligava a Ásia, o Oriente e a Europa. A primeira vez que tivemos um registro formal dessa designação (Rota da Seda) foi durante o séculos XIX, com o geógrafo alemão Ferdinand von Richthofen (Seidenstrasse), mas sua existência em si remonta ao século 200 a.C..
O Legado de Xi Jinping, como também é conhecido, busca reviver e integrar a infraestrutura na Ásia por meio de ferrovias, portos e gasodutos. São seis corredores (terrestres e marítimos) para transportar produtos para dentro e para fora da China.
O “China Belt and Road Initiative” (BRI) foi inicialmente traçado por um só país, mas se expande por três continentes e atinge 60% da população mundial. Sua concepção tenta reconfigurar o comércio global construindo indústrias, refinarias, plantas de geração de energias et cetera, ao longo de todo o percurso da Nova Rota da Seda.
Abaixo um mapa que reproduz o potencial de interligação da estratégia:

[captacao]
O real motivo…
Dividido em “economic belt” na terra firme e “maritime silk road” no mar, o BRI procura elaborar o caminho de infraestrutura necessário para que a China possa desafiar a hegemonia americana. O trecho marítimo do plano mistura-se com a teoria do “String of Pearls” (colar de pérolas), em que há estabelecimento de bases militares chinesas no Oceano Índico.
Notadamente, referimo-nos a uma elegante e sagaz maneira da China consolidar sua influência no Globo.
Avaliada entre US$ 4 trilhões e US$ 8 trilhões, a Nova Rota da Seda tem mais de 60 países em acordo com o gigante asiático no sentido da construção por meio de uma “Win-Win Strategy” (estratégia ganha-ganha).
Existe, com isso, possibilidade para crescimento de PIB, boost de infra, boost imobiliário, geração de emprego e financiamento de bilhões de dólares com condições menos rígidas se comparadas com o Ocidente, uma vez que entre os integrantes da proposta existem países corruptos, sob ditadura, sob conflito e assim por diante.
A pergunta que fica: como ganhar com isso?
Acredito que o melhor veículo para se surfar uma onda de longo prazo como essa poderia ser, em tese, um ETF (Exchange Traded Fund, ou fundo índice). Basicamente, um ETF espelha a carteira de um índice e a persegue obstinadamente, de modo a entregar ao detentor da cota do fundo um retorno igual ao do índice. ETFs possibilitam diversificação setorial.
Nesse sentido, poderíamos pensar em um ETF que invista em boas empresas na Ásia, passando pelos territórios em que a Nova Rota da Seda está presente. Nesse sentido, o iShares MSCI EM Asia UCITS ETF (CEMA) talvez possa ser uma boa pedida. Em linhas gerais, o CEMA replica a carteira de ações com empresas asiáticas. Para mais informações, clique aqui.
Contudo, acredito ter encontrado uma oportunidade ainda melhor: o KraneShares MSCI One Belt One Road ETF (NYSE: OBOR). Criado com o objetivo de reproduzir uma carteira ideal e balanceada de nomes com muito mais potencial diante de um possível sucesso da Nova Rota da China.
Grosso modo, o ETF fornece resultados que acompanham o desempenho do Índice Global de Exposição de Infraestrutura da China MSCI (MSCI Global China Infrastructure Exposure Index). O Índice visa identificar potenciais beneficiários da iniciativa "One Belt One Road", com base em como seus atributos de geografia, receita e setor estão alinhados com o tema amplo. Informações aqui.
Cumpre dizer aqui que esse tipo de investimento envolve riscos elevados, não só por se tratar de renda variável, mas também por estar envolvido com risco de insucesso do projeto, que pode ser grande, a depender da sequência de fatos envolvendo a China em um futuro próximo.
E, claro, no curto prazo a volatilidade faz parte do jogo. O coronavírus, por exemplo, tem afetado e continuará afetando a rentabilidade dos ativos relacionados à Ásia. No longo prazo, contudo, quem acreditar no projeto tem mais chances de sair vitorioso.
Em um portfólio diversificado, o ativo pode casar bem dentro de uma parcela destinada a aplicações no exterior, a que deve perfazer algo em torno de 10% a 15% do total investido. Nesse caso, um investimento como esse caberia em 3% a 5% do total, sempre contrabalanceando com proteções e ativos de menor risco.
Quem entende muito de investimentos internacionais são o João Piccioni e o Enzo Pacheco, especialistas em aplicações no estrangeiro da Empiricus, a maior publicadora de conteúdos financeiros da América Latina. Vocês podem acompanhar suas sugestões por meio da série Money Rider, carro chefe da Empiricus para esse tipo de investimento. Ideias como essa e muitas outras vocês podem checar por lá.
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