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Algo só traz segurança de verdade se permitir a você ausência completa das preocupações para lidar mais com os próprios anseios e problemas.
Já falei bastante por aqui sobre os riscos que devem assombrar os investidores nos próximos meses e anos...
Em resposta, recebi a seguinte mensagem de um leitor: “gostei do destaque que deu aos riscos. Gostaria que escrevesse sobre segurança, se é que ela existe.”
É, talvez eu tenha pesado um pouco nos comentários e passado a impressão de que não há muito para onde fugir.
Por isso, hoje vou falar sobre o tema sugerido pelo leitor: “segurança”.
Aproveito para adiantar que, na minha opinião, não existe segurança no mercado financeiro. Nem no Brasil, nem em lugar algum do mundo.
E calma, não há razão para desespero: você já vai entender o que quero dizer.
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“Segurança” tem origem no latim e basicamente significa “ausência de preocupações”. Na etimologia da palavra, por sua vez, traz o sentido de “ocupar-se de si mesmo”.
O que quero dizer: algo só traz segurança de verdade se permitir a você ausência completa das preocupações para lidar mais com os próprios anseios e problemas.
E isso está longe de ser uma realidade no mercado financeiro, independentemente se você investe de forma sofisticada e profissional ou se ainda deixa o dinheiro parado no banco.
Quem usou do poder do voto, pela primeira vez em quase 30 anos, para eleger o “bonitão” Fernando Collor de Mello, em 1989, sabe muito bem disso.
Ninguém poderia sonhar que, logo em seu segundo dia de mandato, chamaria uma coletiva no auditório do Ministério da Fazenda para anunciar um dos planos econômicos mais desastrosos da história do Brasil, de confisco da poupança.
Pois é, se você deixa todo o seu dinheiro parado na poupança achando estar “seguro(a)”, desculpe, mas você não poderia estar mais enganado(a).
Mesmo os investimentos tidos, em tese, como mais seguros, como os títulos públicos, carregam consigo riscos.
O que quero dizer, portanto, é que não é uma questão de buscar ativos que lhe deixe 100% seguro(a), é uma questão de equilibrar os riscos de forma inteligente.
Felizmente, existem formas perspicazes de conviver com os riscos ao investir.
Pense naquele primo, amigo ou vizinho que se deu bem na vida.
Não é difícil achar exemplos de pessoas que investiram capital e tempo em um negócio que sabiam fazer bem e que, com o passar do tempo, passaram a incorporar outros investimentos.
Começou com uma padaria, comprou um posto de gasolina, uma franquia em shopping center e por aí vai...
No final do dia, a conta que as pessoas fazem é quanto investir em cada negócio, com objetivo de maximizar o seu lucro, levando em consideração uma série de coisas, tais como as perspectivas do setor, barreiras regulatórias, escalabilidade, relacionamento com clientes e fornecedores, enfim, todos os riscos potenciais.
No mundo dos investimentos, não há estritamente nenhuma diferença nesse sentido, amplia-se apenas o espectro de instrumentos: ações, renda fixa (títulos públicos e privados), derivativos, fundos imobiliários, ETFs, e por aí vai...
Eu, particularmente, gosto muito de trabalhar com uma combinação entre ações de empresas boas pagadoras de dividendos, fundos imobiliários bem geridos e com exposição setorial com potenciais seculares de crescimento, e títulos de renda fixa.
Gosto porque acredito que focar estrategicamente em bons negócios, com fluxo de caixa frequente para você, faz a diferença no longo prazo, além de te proteger bem em qualquer crise.
Ainda assim, você vai precisar se acostumar a não consultar o seu extrato financeiro todos os dias.
Uma lição valiosa que espero que você tire desta discussão é que fixar-se às variações de curto prazo pode ser perigoso no seu processo de construção patrimonial.
Você acha mesmo que um grande empresário acorda cedo todos os dias e tenta avaliar o valor das várias empresas? Nem teria como, tamanha a complexidade.
Então qual a razão para criarmos o hábito de abrir o extrato financeiro todos os dias? Se você faz isso é porque provavelmente não está confortável com os seus investimentos.
O que nos leva à última lição de hoje:
Não acredite nesse papo de que não existem alternativas. Há sempre uma alternativa, você só não pode ficar parado(a).
"Não temos mais alternativas. O Brasil não aceita mais derrotas. Agora, é vencer ou vencer”, disse Fernando Collor quando o confisco foi anunciado.
Como diria o brilhante economista Milton Friedman: “nada é tão permanente quanto um programa temporário do governo”.
Portanto, caro leitor, mexa-se para poder ocupar-se mais de si mesmo!
No próximo dia 16 de julho te convido a assistir minha série gratuita de 3 vídeos, em que vou falar sobre como viver em plena ascensão. Te espero lá!
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