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O bitcoin rumo à etapa do ‘frenesi’

O momento que os criptoativos vivem atualmente — o de instalação — é provavelmente o que levará o mercado a essa fase até 2022

20 de maio de 2020
20:32 - atualizado às 20:33
bitcoin
Imagem: Shutterstock

Caso você seja um leitor mais antigo desta newsletter, já deve ter lido alguma coisa no passado recente que escrevi sobre Carlota Perez.

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Ela é autora do livro “Technological Revolutions and Financial Capital: The Dynamics of Bubbles and Golden Ages” e propõe uma análise de como as grandes inovações acontecem em nossa sociedade.

Segundo a autora, as inovações como máquinas a vapor, energia elétrica e até a internet passaram por quatro fases distintas: irrupção, frenesi, sinergia e maturidade. Além das quatro fases, é interessante saber que entre o frenesi e a sinergia existe um “crash” (ou “turning point”, um ponto de inflexão) que sempre põe em xeque o futuro da tecnologia.

Fonte: carlotaperez.org

O mais impressionante sobre o livro de Carlota é que ele foi escrito logo após a bolha das empresas ponto-com e, na obra, ela usa como exemplo a fase pela qual a internet estava passando, o turning point.

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Não preciso dizer que ela acertou em cheio.

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Após o estouro da bolha, as chamadas “empresas de tecnologia” voltariam a atrair a atenção dos investidores e entrariam em uma nova fase, a de desenvolvimento.

E em qual ponto da curva você acha que o mercado cripto se encontra?

Ainda estamos na fase de instalação, não tenho dúvidas.

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Pelo que vimos em 2017, pode ser que alguns defendam que já passamos do turning point, mas discordo totalmente.

Mesmo analisando o frenesi com as ofertas iniciais (ICOs, na sigla em inglês), sabemos que naquele ano a classe dos criptoativos não atingiu nem a casa do trilhão de dólares, ordem de grandeza que foi atingida pelas empresas de tecnologia listadas na Nasdaq no auge da bolha da internet.

Além disso, a fase de frenesi descrita por Carlota está diretamente ligada a uma injeção de capital do mercado financeiro, o que não houve na bolha dos ICOs.

O dinheiro que inflou os preços das ofertas em 2017 era, em sua maior parte, de pessoas comuns que nutriam uma expectativa de ficarem ricas fácil e rapidamente.

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Na verdade, o capital financeiro tradicional começa a entrar mais forte em 2018, quando o mercado retrai drasticamente.

De acordo com a Coindesk, nos três primeiros meses de 2018, foram captados mais recursos por meio de ICOs do que no ano de 2017 inteiro.

No ano passado, a tendência continuou, mas os ICOs saíram de moda, e outros meios de captação mais tradicionais voltaram ao jogo.

Por isso, acredito que o momento atual é provavelmente o que nos levará ao frenesi nesse mercado até 2022; sim, vamos passar por essa fase ainda, mesmo que quando ela estiver acontecendo tenhamos inúmeros argumentos para afirmar que “desta vez é diferente”.

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