Veto a reajuste de servidores públicos deve trazer alívio aos negócios; cautela predomina no exterior
Segundo o ministério da Economia, a manutenção do veto possibilita uma economia fiscal de R$ 121 bilhões a R$ 132 bilhões em 12 meses

Depois da tensão dos últimos dias, a sexta-feira deve ser de alívio para os investidores locais, que observam de perto as decisões que podem deteriorar ainda mais a situação fiscal brasileira. A Câmara dos Deputados reverteu a decisão do Senado e manteve o veto presidencial a reajuste salarial de servidores públicos até 2021, possibilitando uma economia na ordem de R$ 120 bilhões aos cofres públicos.
No entanto, o exterior negativo pode impedir uma reação mais intensa. Lá fora, o destaque do dia é a divulgação dos indicadores de atividade (PMI) na Europa e nos Estados Unidos (10h45). Dados abaixo do esperado podem confirmar a previsão pessimista contida na ata do Federal Reserve e que trouxe cautela aos mercados nos últimos dias.
[captacao]
Veto mantido
Em sessão muito aguardada pelos investidores, a Câmara dos Deputados manteve na noite de ontem o veto do presidente Jair Bolsonaro a reajuste salarial dos funcionários públicos até 2021. Segundo o Ministério da Economia, a medida leva a uma economia fiscal de R$ 121 bilhões a R$ 132 bilhões em 12 meses.
Na Câmara, o placar foi 316 votoso a favor, 165 contra e duas abstenções. O veto havia sido derrubado no Senado.
Com a agenda de divulgações econômicas esvaziada, os investidores devem reverter a cautela que tomou conta dos negócios nos últimos dias.
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Movidos pela expectativa
Enquanto aguardavam a decisão em Brasília, os investidores mostraram expectativa pela manutenção do veto, impulsionada pela declaração do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que disse trabalhar pela reversão da decisão tomada no Senado.
O Ibovespa fechou o dia com alta de 0,61%, aos 101.467,87 pontos.
Mesmo longe da máxima do dia, o dólar teve um dia de alta, subindo 0,40%, a R$ 5,5522. Para aliviar a pressão da moeda americana, o Banco Central interferiu no câmbio, com dois leilões que colocaram US$ 1,140 bilhão no mercado à vista.
De olho na vacina
O desempenho positivo das bolsas americanas durante a tarde impulsionou as bolsas asiáticas na madrugada, mesmo com o projeção mais pessimista para a retomada econômica na ata do Federal Reserve divulgada na quarta-feira (19).
Outro fator positivo que embalou os investidores foi a notícia que a Pfizer e BioNTech pode conseguir a aprovação regulatória da vacina contra covid-19 em outubro. A expectativa é que as empresas produzam 1,3 bilhão de doses até o fim de 2021.
Termômetro
A agenda do dia, mostrando os reflexos da pandemia na economia deve guiar os negócios das bolsas internacionais hoje.
Na Europa, o índice dos gerentes de compras (PMI, na sigla em inglês) de agosto - industrial e de serviços - do Reino Unido, Alemanha e zona do euro mostram o ritmo da recuperação econômica.
Os números da zona do euro vieram abaixo do esperado - caindo de 54,9 em julho para 51,6 em agosto. No Reino Unido, a reação ao número foi positiva - o PMI composto chegou ao maior nível em 82 meses, subindo de 57 em julho para 60,3 em agosto. As vendas no varejo também supreenderam no país - com uma alta de 3,6% ante previsão de 1,4%.
O PMI dos Estados Unidos também é aguardado para hoje. Enquanto isso, as bolsas europeias operam de lado, com altas moderadas.
Em compasso de espera, os índices futuros em Nova York também operam no negativo. Os investidores também monitoram o impasse em torno de um novo pacote de estímulo à economia americana. Enquanto o governo defende estímulos na faixa de US$ 1 trilhão, a oposição briga pela cifra de US$ 2 bilhões.
Agenda
Após a divulgação dos PMIs da Alemanha, Reino Unido e zona do euro, o número dos Estados Unidos é esperado às 10h45. Os números de vendas de moradia usadas em julho também são esperados (11h).
No Brasil, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, participa de videoconferência com grupo de investidores.
Fique de olho
- Irani autorizou pagamento de R$ 0,0159 em juros sobre capital próprio e R$ 0,0161 em dividendos intercalares.
- A assembleia geral extraordinária da Smiles - convocada pelos sócios minoritários - rejeitou o pedido de inviabilizar os contratos com a Gol e o ressarcimento pelas despesas com a reorganização societária.
- Lojas Renner aprovaram um aumento de capital social, passando para R$ 3,797 bilhões.
SEM FOLGA EM NOVA YORK
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