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O Ibovespa opera em queda de firme e devolve os ganhos de ontem, em meio à cautela relacionada ao coronavírus e à crise no petróleo
Os mercados globais têm passado por uma montanha-russa de emoções. Em meio à crise do petróleo e aos riscos do coronavírus, o Ibovespa e as bolsas mundiais ficam à deriva, alternando quedas volumosas e altas expressivas — e, nesta quarta-feira (11), o tom é de enorme pessimismo.
O índice brasileiro exibia perdas firmes desde a abertura, recuando cerca de 5% no início da tarde. No entanto, após a OMS classificar o surto de coronavírus como uma pandemia global, a aversão ao risco deu um salto nos mercados acionários.
As condições se deterioraram rapidamente, tanto por aqui quanto no exterior. E, por volta de 15h15, o Ibovespa bateu os 10,11% de baixa, acionando o mecanismo de circuit breaker pela segunda vez nesta semana — o 'botão do pânico' paralisa as operações por 30 minutos.
Mas, mesmo após essa pausa, o clima segue bastante ruim: às 16h50, o Ibovespa desabava 9,11%, aos 83.812,43 pontos. Nos Estados Unidos, o Dow Jones (-5,30%), o S&P 500 (-4,47%) e o Nasdaq (-4,29%) também exibem perdas expressivas.
O dólar à vista também enfrenta intensa pressão: no mesmo horário, a moeda americana disparava 1,73%, a R$ 4,7276.
Temos hoje mais um episódio na onda de forte volatilidade enfrentada pelos mercados globais nesta semana. Veja só o histórico recente do Ibovespa: na segunda-feira, o índice caiu 12,17%; ontem, subiu 7,14%; e, agora, já anula a recuperação da sessão anterior.
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O saldo desses movimentos amplos tem sido negativo: por mais que, na terça-feira, o Ibovespa tenha tido o maior avanço diário em termos percentuais desde dezembro de 2008, o índice ainda acumula uma baixa de mais de 18% somente nesta semana.
O humor dos investidores já estava ruim desde o início do dia, em meio à percepção de que os governos e bancos centrais estariam hesitando para anunciar pacotes de estímulo à economia e tentar neutralizar os impactos da tensão externa. No início da tarde, o Ibovespa recuava perto de 5% e as bolsas americanas caíam cerca e 3%.
Mas, com a OMS elevando o alerta global e relação ao coronavírus, uma nova onda de forte pessimismo atingiu em cheio a bolsa brasileira, provocando uma perda acentuada e veloz no Ibovespa — e que culminou com o segundo circuit breaker em três dias.
Em linhas gerais, o panorama para os mercados continua o mesmo desde segunda-feira: a Arábia Saudita e a Rússia seguem com a guerra de preços do petróleo e, no front do coronavírus, há um temor cada vez maior quanto à disseminação da doença e os impactos à economia, principalmente na Europa.
Assim, a recuperação de ontem se deve muito mais a fatores técnicos e à esperança quanto a uma ação rápida dos bancos centrais e dos governos para blindar a economia global em meio à crise; hoje, a dinâmica é a mesma, mas na direção oposta: uma correção de eventuais excessos na recuperação e uma desconfiança quanto à urgência das autoridades mundiais, já que os pacotes de estímulos ainda não chegaram.
O petróleo, que ontem subiu perto de 10%, hoje também aparece sob pressão, dada a falta de avanço nas negociações entre sauditas e russos: o Brent para maio cai 4,06%, e os WTI para abril recua 4,13%.
Nesse cenário de queda do petróleo e de forte aversão ao risco por causa do coronavírus, as ações ON da Petrobras (PETR3) tinham baixa de 12,47% e as PNs (PETR4) desvalorizavam 12,64% no momento do circuit breaker.
No mercado de câmbio, o tom também é de enorme prudência: o dólar à vista opera em alta de 1,73%, a R$ 4,7276, num comportamento em linha com o visto no exterior — lá fora, o dia é de valorização da moeda americana em relação às divisas de países emergentes.
Com a nova esticada do dólar à vista, os investidores mostram-se mais cautelosos em relação ao mercado de juros. No início da sessão, os DIs mais curtos operavam em baixa, refletindo as apostas num novo corte na Selic pelo Copom, na próxima semana.
Além disso, a inflação sob controle — o IPCA teve leve alta de 0,25% em fevereiro — aumentava o conforto quanto a novas reduções de juros no curto prazo. Só que, dado o aumento no 'risco-coronavírus', os agentes financeiros tiraram o pé do acelerador, assumindo uma postura mais defensiva nos juros.
Veja abaixo como estão as curvas mais líquidas no momento:
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