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O Ibovespa sobe quase 2%, sustentado pelo tom mais ameno visto nos mercados globais. Mas o dólar continua em alta, mostrando cautela com a iminente queda de juros
O Ibovespa desacelerou e o dólar à vista foi às máximas da sessão logo após a CNN Brasil divulgar a íntegra do depoimento do ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, à Polícia Federal em Curitiba.
Por volta de 16h50, o Ibovespa subia 1,23%, aos 79.848,91 pontos — mais cedo, o índice chegou a avançar 2,78%, aos 81.065,90 pontos. O dólar à vista tocou os R$ 5,6045 (+1,52%) na máxima e, agora, avança 1,12%, a R$ 5,5825.
No depoimento, Moro voltou a dizer que o presidente Jair Bolsonaro tentou interferir no comando da PF no Rio de Janeiro, solicitando que o ex-ministro desse a ele a opção de escolher o superintendente no Estado.
Considerando a deterioração no cenário político, o mercado teme que o depoimento de Moro provocará uma piora ainda maior no clima em Brasília. Assim, a reação imediata dos investidores foi no sentido de diminuir a exposição ao risco, reduzindo as posições na bolsa e comprando dólares.
Apesar da tensão local, o tom positivo visto lá fora consegue sustentar o Ibovespa no campo positivo. Mesmo com os recentes atritos entre americanos e chineses, os agentes financeiros mostram-se focados na reabertura econômica gradual na Europa e em algumas regiões dos EUA.
A expectativa é a de que, com a atividade voltando lentamente ao normal nessas áreas, o ciclo de recuperação da economia global poderá começar o mais rápido possível — e essa perspectiva sustenta as bolsas mundiais no campo positivo nesta terça-feira.
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Além disso, os indicadores de atividade do setor de serviços nos EUA vieram ligeiramente mais fortes que o projetado pelo mercado, o que contribui para elevar a percepção de que a retomada econômica poderá ocorrer mais cedo que o esperado.
Nesse cenário, as bolsas da Europa fecharam em alta firme; nos Estados Unidos, o Dow Jones (+0,56%), o S&P 500 (+0,90%) e o Nasdaq (+1,13%) também sobem.
No Brasil, os investidores aguardam a decisão de juros do Copom, com divulgação prevista para amanhã, depois do fechamento dos mercados. As projeções são de corte na Selic, mas não há unanimidade no mercado em relação à magnitude da redução — as apostas dividem-se em baixas de 0,5 ou de 0,75 ponto.
A fraqueza demonstrada pela produção industrial do país em março dá ainda mais força à percepção de que será necessário continuar cortando a Selic para dar sustentação à economia: o indicador caiu 9,1% em relação a fevereiro, a maior queda para o mês desde 2002.
Nesse cenário, o mercado de juros futuros opera em baixa nesta manhã, tanto na ponta curta quanto na longa — uma evidência de que os investidores veem espaço para mais cortes na Selic:
Essa certeza de que a Selic será cortada na reunião de amanhã e a possibilidade de o ciclo de alívio monetário continuar ao longo do ano acaba trazendo pressão ao dólar à vista e impede que o mercado doméstico de câmbio acompanhe o alívio externo.
Com a Selic cada vez mais baixa, diminui o chamado diferencial de juros em relação aos Estados Unidos — e, consequentemente, os investidores que buscam retornos mais atrativos acabam tendo menor interesse no país. Assim, entram menos dólares no mercado brasileiro, o que pressiona a taxa de câmbio.
No lado corporativo, destaque para o Itaú Unibanco: a instituição fez uma provisão de R$ 10 bilhões no primeiro trimestre deste ano, antevendo os impactos futuros da crise do coronavírus. Com isso, o lucro do banco caiu 43% na base anual, para R$ 3,912 bilhões.
Apesar dessa forte baixa no lucro, as ações PN da instituição (ITUB4) operam em alta de 4,61% nesta manhã — os números do balanço chamam a atenção, mas a abordagem cautelosa do Itaú também foi bem recebida pelos investidores.
Veja abaixo os cinco papéis de melhor desempenho do índice no momento:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| SBSP3 | Sabesp ON | 42,22 | +5,79% |
| PETR3 | Petrobras ON | 19,08 | +5,71% |
| PETR4 | Petrobras PN | 18,32 | +5,41% |
| KLBN11 | Klabin units | 18,70 | +5,17% |
| VVAR3 | Via Varejo ON | 9,98 | +5,05% |
Confira também as maiores quedas do Ibovespa:
| CÓDIGO | NOME | PREÇO (R$) | VARIAÇÃO |
| IRBR3 | IRB ON | 9,17 | -4,38% |
| HYPE3 | Hypera ON | 27,78 | -3,17% |
| COGN3 | Cogna ON | 5,10 | -2,30% |
| EMBR3 | Embraer ON | 7,57 | -1,94% |
| BRML3 | BR Malls ON | 9,25 | -1,07% |
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