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De modo geral, as expectativas seguem bastante favoráveis, ainda que as ações não estejam necessariamente uma barganha. Confira as recomendações dos analistas
O pânico nos mercados provocado pela disseminação global do coronavírus derrubou em bloco praticamente todas as ações da bolsa. Apenas no fatídico mês de março, o Ibovespa, principal índice da B3, registrou um tombo de 30%, um dos maiores da história.
Assim como a queda, a recuperação da bolsa foi surpreendentemente rápida, mas o Ibovespa ainda acumula baixa de mais de 10% no ano. De todo modo, o desempenho dos papéis que compõem o índice é bastante desigual. Das 73 ações, 21 conseguiram reverter as perdas e operam no positivo no acumulado de 2020.
Quatro delas, contudo, despontam com uma valorização acima de 80%: Weg (WEGE3), Magazine Luiza (MGLU3), Via Varejo (VVAR3) e B2W (BTOW3). Pouco atrás, com alta de 79%, estão os papéis da Marfrig (MRFG3).
Em comum entre elas está a capacidade de apresentar aumento nas receitas — embora não necessariamente do lucro — no período mais agudo da pandemia.
Os investidores também apostam que algumas tendências aceleradas na fase de isolamento social, como as compras pela internet, se tornem permanentes no pós-crise.
Mas depois do rali ainda há espaço para novas valorizações? De modo geral, as expectativas dos analistas seguem bastante favoráveis, ainda que as ações não estejam necessariamente uma barganha.
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A seguir eu trago para você as recomendações para os papéis de Weg, B2W, Magalu, Via Varejo e Marfrig, de acordo com dados da Bloomberg.
Uma pessoa no futuro que quiser se informar sobre o que aconteceu no mundo no primeiro semestre de 2020 no Brasil não terá uma boa referência no balanço da Weg.
Enquanto a receita de uma fatia considerável das empresas caiu a quase zero, a fabricante de equipamentos para a indústria registrou aumento de 37% no lucro e de 35% no Ebitda (sigla em inglês para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).
Não há no mercado quem questione a qualidade da Weg. As recomendações para as ações da companhia hoje só estão divididas porque as ações estão longe de ser baratas, ao contrário.
A relação entre o preço e o lucro (P/L) da companhia, considerando a projeção para o resultado para este ano, está em 75 vezes, de acordo com a Bloomberg — quanto mais alto o P/L, mais cara é considerada uma ação.
Embora os papéis estejam caros, alguns analistas ainda veem potencial para uma valorização adicional. É o caso do J.P. Morgan. “Não se engane pela avaliação de curto prazo”, escreveu o analista Marcelo Motta, em relatório publicado no mês passado em que elevou a recomendação de Weg para compra.
O Magazine Luiza já se consagrou como uma das histórias de maior sucesso da bolsa de todos tempos. As ações da varejista saíram de meros R$ 0,28 — em cotações ajustadas — no fim de 2015 para os atuais R$ 87,94, uma valorização de mais de 30 mil por cento!
Quem perdeu o bonde sem freio do Magalu teve mais uma oportunidade de comprar os papéis a preços relativamente baixos neste ano. No dia 18 de março, auge do pânico dos mercados com o coronavírus, as ações bateram na mínima de R$ 28,81.
Os felizardos que tiveram sangue-frio de comprar naquele momento já triplicaram o valor investido em apenas cinco meses. Mas com o Magazine Luiza de volta às máximas históricas, é natural se perguntar se as ações já não teriam chegado no limite.
A resposta da maioria dos analistas é dividida, com oito indicações de compra e sete de manutenção. Mas ninguém ousa apostar contra a companhia.
Os resultados do segundo trimestre deram razão aos mais otimistas. As vendas online aumentaram impressionantes 182% e superaram a expectativa do mercado, que já era otimista.
O Magalu também vem aproveitando a crise para fazer aquisições. Foram três recentemente: o site de conteúdo de tecnologia Canaltech, a plataforma Inloco Media e a startup de tecnologia Stoq.
Do céu ao inferno. E de novo ao céu. A trajetória recente da Via Varejo não poupou emoções aos investidores. As ações da dona das redes Casas Bahia e Ponto Frio deram uma guinada com a reestruturação promovida pelo grupo liderado pelo empresário Michael Klein, que assumiu o comando no ano passado.
O problema é que a crise do coronavírus acabou pegando a varejista no meio desse processo — e pior, com caixa bem limitado. As dúvidas se a companhia teria fôlego para suportar a fase mais crítica da pandemia fizeram os papéis derreterem em março.
Mas a Via Varejo conseguiu surpreender graças ao forte resultado das vendas pela internet, que fez o mercado retomar a confiança na companhia. Com isso, a empresa conseguiu fazer uma oferta de ações para reforçar o caixa e dar sequência ao plano de reestruturação.
Os números do segundo trimestre reforçaram a percepção de que a Via Varejo está no caminho certo. “Acreditamos que a Via Varejo entra no segundo semestre com forte impulso, o que deve ajudá-la a continuar a recuperar o terreno perdido para os concorrentes”, escreveu o analista Richard Cathcart, do Bradesco BBI, que tem recomendação de compra para as ações.
A B2W, varejista dona dos sites Americanas.com e Submarino, passou anos sob desconfiança do mercado por queimar caixa por vários trimestres sucessivos sem perspectiva de apresentar resultados.
Mas a companhia enfim começa a colher os frutos dos investimentos para se recolocar na briga cada vez mais acirrada entre as gigantes do varejo.
A B2W foi uma das varejistas que conseguiram absorver parte do consumo que migrou das lojas físicas para os canais online durante a pandemia. No segundo trimestre, as vendas da companhia, incluindo as realizadas pela plataforma de marketplace, aumentaram 72% na comparação com o mesmo período do ano passado, para R$ 6,7 bilhões.
A forte alta neste ano deixou pouco espaço para valorizações mais expressivas no curto prazo. Ainda assim, os analistas do BTG Pactual estão entre os que seguem com a indicação de compra para as ações.
“O momento favorável e as possibilidades de novas parcerias ou aquisições (principalmente após a capitalização de R$ 4 bilhões) sustentam a B2W como uma de nossas opções preferidas para 2020”, escreveram os analistas Luiz Guanais e Gabriel Savi, do BTG Pactual.
As ações de empresas exportadoras e com operações no exterior são entre as apostas óbvias em tempos de dólar alto. Com 93% das receitas na moeda norte-americana no segundo trimestre, a Marfrig está entre as beneficiadas pelo câmbio.
Mas foi depois da divulgação do balanço do segundo trimestre que as ações da empresa de alimentos acelerou a alta. Com resultado recorde (lucro líquido de R$ 1,6 bilhão) e queda nos índices de endividamento, os números superaram de longe as projeções do mercado.
Os números animaram os investidores. Apenas neste mês, as ações acumulam alta de 24%, o segundo melhor desempenho entre os papéis do Ibovespa, atrás apenas de Klabin.
“A Marfrig apresentou excelentes resultados no 2T20, superando as expectativas do mercado em todos os principais indicadores”, disse a analista Betina Roxo, da XP Investimentos, que tem recomendação de compra para os papéis.
O analista André Oliveira, do BB-BI, reitera a recomendação de compra, especialmente para os investidores mais arrojados
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