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Vinícius Pinheiro

Vinícius Pinheiro

Diretor de redação do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo, com MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela FIA, trabalhou nas principais publicações de economia do país, como Valor Econômico, Agência Estado e Gazeta Mercantil. É autor dos romances "O Roteirista", "Abandonado" e "Os Jogadores"

Cenário pós-eleições

As ações da bolsa americana que ganham com Biden presidente, segundo a GeoCapital

Comcast, Disney e Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, estão entre as maiores posições da gestora brasileira que investe em ações no exterior

Vinícius Pinheiro
Vinícius Pinheiro
9 de novembro de 2020
14:16 - atualizado às 18:23
Gustavo Aranha, sócio da Geo Capital
Gustavo Aranha, sócio da Geo Capital - Imagem: Divulgação

As empresas que ganham com um combate mais efetivo ao coronavírus devem ser as grandes beneficiadas da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais nos Estados Unidos. A visão é de Gustavo Aranha, sócio da GeoCapital, gestora brasileira que investe em ações no exterior.

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Eu conversei com o gestor na manhã desta segunda-feira, no meio da euforia dos mercados globais. Mais do que o resultado da eleição em si, ele avalia que a definição sobre quem assume o comando da Casa Branca pelos próximos quatro anos tira um fator de incerteza do radar dos mercados.

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Além da vitória do candidato democrata, os investidores reagem anúncio da Pfizer de que os testes clínicos da vacina que o laboratório produz contra o coronavírus mostraram 90% de eficácia. “É possível que as bolsas estivessem em alta hoje mesmo se o vencedor fosse Donald Trump”, disse.

No médio prazo, porém, o gestor espera que as empresas mais sensíveis a uma abordagem mais científica no combate ao coronavírus sejam as maiores ganhadoras. Para ele, as primeiras medidas do futuro presidente, que falou em criar uma força-tarefa com cientistas para lidar com a covid-19, vão nessa linha.

Principais posições

Da lista de 60 ações acompanhadas pela equipe da GeoCapital, as principais posições estão hoje nas empresas que tendem a ganhar com a abertura da economia e ficaram para trás durante o período de quarentena. “Nosso portfolio já se beneficiava dessa mola comprimida.”

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As principais posições dos fundos estão hoje na Comcast, maior empresa de TV por assinatura dos EUA e dona dos estúdios e dos parques da Universal, na Disney e na Berkshire Hathaway, a holding que concentra os investimentos do bilionário Warren Buffett. Todas elas contam com BDRs (recibos de ações) negociados na B3.

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Com duas de suas principais fontes de receita dependentes da circulação de pessoas — turismo e cinema —, a Disney é um bom exemplo de empresa cujos negócios foram afetados pela pandemia. Ao mesmo tempo, a companhia contou com a sorte e eficiência ao lançar o seu próprio de streaming, o Disney Plus, antes da pandemia.

“Não foi suficiente para compensar totalmente o fechamento dos parques, mas olhando para frente a Disney sai em uma posição mais privilegiada em relação aos concorrentes”, afirmou o sócio da GeoCapital. A lista completa do portfólio pode ser encontrada no site da gestora.

Bolsa americana está cara?

Junto com a euforia nos mercados, uma questão relevante volta ao radar para quem quer investir em ações lá fora: nas cotações atuais os investidores já não se anteciparam ao cenário positivo esperado para o pós-pandemia? Ou, em outras palavras: a bolsa americana está cara?

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Uma análise apenas do S&P500, o principal índice de ações da bolsa de Nova York, indica que sim, segundo Aranha. Mas essa alta é puxada pelas gigantes de tecnologia, que representam entre 20% e 25% do índice. “Excluindo esses papéis, até a semana passada o S&P500 acumulava alta de apenas 1% no ano.”

A GeoCapital possui posições em ações das "big techs", como a Alphabet, dona do Google, mas numa proporção menor do que no índice da bolsa de Nova York.

O gestor disse que existe o risco de uma regulação mais próxima e de um aumento da tributação das companhias que têm parte relevante das receitas fora dos EUA, como é o caso das "big techs", na gestão de Joe Biden. Mas esse plano ficou mais difícil de ser implementado com a confirmação de que o controle do Senado deve continuar na mão dos Republicanos.

E o dólar?

Outra tendência esperada por parte do mercado em um futuro governo democrata é o enfraquecimento global do dólar. Nesse cenário, como fica o investimento em fundos que aplicam no exterior, como o da GeoCapital?

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Do ponto de vista de gestão, Aranha me disse que procura não adivinhar para onde vai a cotação da moeda norte-americana e avalia apenas o impacto do câmbio nas empresas investidas.

“Em um cenário de dólar fraco e aumento da inflação, entendemos que uma das formas de se proteger é em ativos reais como ações”, disse. Nesse sentido, a gestora procura investir em empresas capazes de repassar um eventual aumento da inflação para os preços em um cenário de dólar fraco.

Ele entende, contudo, que o retorno em reais pode ser uma questão importante para o investidor, por isso a gestora tem versões com ou sem variação cambial de seus fundos.

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