As ações da bolsa americana que ganham com Biden presidente, segundo a GeoCapital
Comcast, Disney e Berkshire Hathaway, de Warren Buffett, estão entre as maiores posições da gestora brasileira que investe em ações no exterior

As empresas que ganham com um combate mais efetivo ao coronavírus devem ser as grandes beneficiadas da vitória de Joe Biden nas eleições presidenciais nos Estados Unidos. A visão é de Gustavo Aranha, sócio da GeoCapital, gestora brasileira que investe em ações no exterior.
Eu conversei com o gestor na manhã desta segunda-feira, no meio da euforia dos mercados globais. Mais do que o resultado da eleição em si, ele avalia que a definição sobre quem assume o comando da Casa Branca pelos próximos quatro anos tira um fator de incerteza do radar dos mercados.
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Além da vitória do candidato democrata, os investidores reagem anúncio da Pfizer de que os testes clínicos da vacina que o laboratório produz contra o coronavírus mostraram 90% de eficácia. “É possível que as bolsas estivessem em alta hoje mesmo se o vencedor fosse Donald Trump”, disse.
No médio prazo, porém, o gestor espera que as empresas mais sensíveis a uma abordagem mais científica no combate ao coronavírus sejam as maiores ganhadoras. Para ele, as primeiras medidas do futuro presidente, que falou em criar uma força-tarefa com cientistas para lidar com a covid-19, vão nessa linha.
Principais posições
Da lista de 60 ações acompanhadas pela equipe da GeoCapital, as principais posições estão hoje nas empresas que tendem a ganhar com a abertura da economia e ficaram para trás durante o período de quarentena. “Nosso portfolio já se beneficiava dessa mola comprimida.”
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As principais posições dos fundos estão hoje na Comcast, maior empresa de TV por assinatura dos EUA e dona dos estúdios e dos parques da Universal, na Disney e na Berkshire Hathaway, a holding que concentra os investimentos do bilionário Warren Buffett. Todas elas contam com BDRs (recibos de ações) negociados na B3.
Com duas de suas principais fontes de receita dependentes da circulação de pessoas — turismo e cinema —, a Disney é um bom exemplo de empresa cujos negócios foram afetados pela pandemia. Ao mesmo tempo, a companhia contou com a sorte e eficiência ao lançar o seu próprio de streaming, o Disney Plus, antes da pandemia.
“Não foi suficiente para compensar totalmente o fechamento dos parques, mas olhando para frente a Disney sai em uma posição mais privilegiada em relação aos concorrentes”, afirmou o sócio da GeoCapital. A lista completa do portfólio pode ser encontrada no site da gestora.
Bolsa americana está cara?
Junto com a euforia nos mercados, uma questão relevante volta ao radar para quem quer investir em ações lá fora: nas cotações atuais os investidores já não se anteciparam ao cenário positivo esperado para o pós-pandemia? Ou, em outras palavras: a bolsa americana está cara?
Uma análise apenas do S&P500, o principal índice de ações da bolsa de Nova York, indica que sim, segundo Aranha. Mas essa alta é puxada pelas gigantes de tecnologia, que representam entre 20% e 25% do índice. “Excluindo esses papéis, até a semana passada o S&P500 acumulava alta de apenas 1% no ano.”
A GeoCapital possui posições em ações das "big techs", como a Alphabet, dona do Google, mas numa proporção menor do que no índice da bolsa de Nova York.
O gestor disse que existe o risco de uma regulação mais próxima e de um aumento da tributação das companhias que têm parte relevante das receitas fora dos EUA, como é o caso das "big techs", na gestão de Joe Biden. Mas esse plano ficou mais difícil de ser implementado com a confirmação de que o controle do Senado deve continuar na mão dos Republicanos.
E o dólar?
Outra tendência esperada por parte do mercado em um futuro governo democrata é o enfraquecimento global do dólar. Nesse cenário, como fica o investimento em fundos que aplicam no exterior, como o da GeoCapital?
Do ponto de vista de gestão, Aranha me disse que procura não adivinhar para onde vai a cotação da moeda norte-americana e avalia apenas o impacto do câmbio nas empresas investidas.
“Em um cenário de dólar fraco e aumento da inflação, entendemos que uma das formas de se proteger é em ativos reais como ações”, disse. Nesse sentido, a gestora procura investir em empresas capazes de repassar um eventual aumento da inflação para os preços em um cenário de dólar fraco.
Ele entende, contudo, que o retorno em reais pode ser uma questão importante para o investidor, por isso a gestora tem versões com ou sem variação cambial de seus fundos.
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