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Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril.
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Sabia que a crise na Venezuela pode afetar os seus investimentos?

Dependendo do desfecho, crise no país vizinho pode ter efeito no Brasil não só do ponto de vista diplomático e humanitário, mas também no bolso dos investidores brasileiros

1 de março de 2019
11:26 - atualizado às 11:49

A atual crise na Venezuela afeta o Brasil do ponto de vista diplomático e humanitário. O país não reconhece mais Nicolás Maduro como presidente legítimo depois da interferência dele nas últimas eleições, assim como vários outros países. Para piorar, Maduro fechou a fronteira com o Brasil. Enquanto o vizinho passa por conflitos políticos e protestos, o Brasil tem recebido os imigrantes venezuelanos que buscam refúgio já há algum tempo, e agora tenta enviar também ajuda humanitária, rechaçada por Maduro.

Mas você sabia que, dependendo do desfecho, a crise na Venezuela pode acabar trazendo bons ventos para os seus investimentos? Se nossos vizinhos acabarem escolhendo um caminho mais democrático, isso não será bom apenas para eles, mas também para o Brasil. No vídeo a seguir, eu explico como:

Confira a seguir a transcrição do texto do vídeo sobre a crise na Venezuela

A Venezuela não é daqueles países que mexem com a economia mundial. Mas a atual crise do nosso vizinho impacta o Brasil de várias formas. Do ponto de vista humanitário e diplomático, a relação é bem clara. Os venezuelanos buscam ajuda por aqui, e o governo brasileiro tende a apoiar a democratização do país. Mas você sabia que o impacto pode chegar até nos seus investimentos? Crise na Venezuela: e eu com isso?

A Venezuela, como você deve saber, é um país riquíssimo em petróleo, com as maiores reservas provadas do planeta. E é em torno desse ouro negro que se dão as disputas políticas do país. Mas a bem da verdade, os venezuelanos nunca exploraram as suas riquezas naturais de um jeito lá muito eficiente. Mesmo antes do chavismo, a exploração do petróleo por multinacionais era bastante lesiva pro país. E depois que o governo estatizou a produção, a exploração passou a ser de monopólio de uma estatal mal administrada.

O maior problema é que a Venezuela não aproveitou a riqueza do petróleo pra diversificar a sua economia. Os gastos do governo chavista foram altos e mal direcionados. O país falhou em se industrializar e se tornou extremamente dependente de importações. Resultado: quando o preço do petróleo tava nas alturas, as coisas iam bem, mas era só a cotação cair, que a população passava a sofrer. Até papel higiênico sumiu das prateleiras, lembra?

Agora, o presidente Nicolás Maduro se depara com uma grave crise política e humanitária. Depois de Maduro ter perdido as últimas eleições e invalidado o pleito pra ganhar numa segunda rodada, o presidente da Assembleia Nacional se autoproclamou presidente interino, no que foi reconhecido por vários países. O imbróglio colocou em xeque a permanência de Maduro no poder.

E o que isso tudo tem a ver com você como investidor? Se a Venezuela superar essa crise tomando um caminho mais democrático, o país pode se abrir pra investimentos estrangeiros, inclusive de empresas brasileiras, que ainda têm capacidade ociosa. Pensa que a Venezuela é um país que precisa de praticamente tudo pra se reerguer, na indústria, no comércio e nos serviços. As oportunidades se abrem principalmente pra Petrobras e as construtoras.

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