Menu
2019-09-18T19:05:20-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Nova Mínima

Selic cai a 5,5% ao ano, nova mínima e BC diz que pode cair mais

Corte de meio ponto percentual na Selic era antecipado pelo mercado e Copom acena que tem espaço reduzir ainda mais o custo do dinheiro

18 de setembro de 2019
18:15 - atualizado às 19:05
Copom
Reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central, responsável por definir a Selic - Imagem: Raphael Ribeiro/BCB

Inflação baixa e atividade fraca garantiram mais uma redução de meio ponto percentual no custo do dinheiro no Brasil. A taxa básica de juros, a Selic, foi fixada em 5,5% ao ano, nova mínima histórica nesta quarta-feira.

Mais importante que a decisão do Banco Central (BC), que chancela as expectativas do mercado, foi o aceno de que: "a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo." Ou seja, tem espaço para mais redução, mesmo com dólar na linha dos R$ 4,0, e as discussões devem tomar corpo ao redor de quão abaixo de 5% o juro pode ir.

Mas antes de seguirmos adiante nessa discussão, deixo aqui umas dicas de leitura sobre investimentos com Selic nesses patamares. Como já escrevemos, acabou a mamata do juro, o tal 1% ao mês vai exigir tomada de risco e sofisticação dos investimentos. Há dicas para investidores conservadores e para os de perfil mais arrojado. Também deixo como sugestão o nosso e-book gratuito sobre perspectivas de investimento no segundo semestre e outro e-book sobre o Tesouro Direto.

O que diz o BC

No comunicado apresentado após a decisão, o Comitê de Política Monetária (Copom), presidido por Roberto Campos Neto, diz que a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve ajuste no grau de estímulo monetário, com redução da taxa Selic em 0,50 ponto percentual.

Depois, o Copom repete a frase usada em julho, que foi senha para novos cortes: "O Comitê avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo".

Também está presente a ponderação de que essa comunicação não restringe a próxima decisão e a ênfase de que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

Esse espaço para novos cortes decorre, em grande parte, das projeções de inflação. Com Selic em 5% e dólar a R$ 3,90, o IPCA fecharia 2020 em 3,6%, contra uma meta de 4%.

Para 2019, a inflação projetada é de 3,3%, mas esse ano já está fora no chamado horizonte relevante de política monetária. A meta deste ano é de 4,25%.

No cenário com juros constantes a 6% e taxa de câmbio constante a R$ 4,05, as projeções situam-se em torno de 3,4% para 2019 e 3,6% para 2020.

Já o cenário híbrido, com taxa de câmbio constante e trajetória de juros da pesquisa Focus, implica inflação em torno de 3,4% para 2019 e 3,8% para 2020. O dólar mais caro (ainda) não limita a ação do Copom e o BC quis deixar isso claro, justamente, ao colocar esse cenário híbrido que não é divulgado em comunicado e atas.

Em termos reais, desconsiderando a inflação projetada, o juro está na casa do 1,6%, abaixo do considerado neutro pelo BC, que vem falando que a política monetária já está estimulativa. Em outubro de 2016, quando o BC começou a reduzir a Selic de 14,25%, essa taxa estava ao redor de 7%.

Balanço de riscos

Na parte dedicada a avaliar os vetores que podem levar a inflação a ficar acima ou abaixo das metas, o BC mantém os mesmos tópicos:

  1. o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo inflação abaixo do esperado
  2. uma eventual frustração em relação à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária
  3. O risco (2) se intensifica no caso de deterioração do cenário externo para economias emergentes

Uma avaliação que foi retirada em comparação com comunicados anteriores é de que "o balanço de riscos para a inflação evoluiu de maneira favorável", mas que o risco preponderante era de frustração com as reformas.

O BC avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que "perseverar" nesse processo é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia.

O termo "perseverar", que entrou no lugar de "continuidade". Mas a mensagem principal segue a mesma: "Em particular, o Comitê julga que avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva."

Quadro internacional

Segundo o BC, a provisão de estímulos monetários adicionais nas principais economias, em contexto de desaceleração econômica e de inflação abaixo das metas, tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes.

A ponderação é que "o cenário segue incerto e os riscos associados a uma desaceleração mais intensa da economia global permanecem".

Atividade

Para o Copom, os dados divulgados desde a reunião de julho sugerem retomada do processo de recuperação da economia brasileira. Até então, o BC fala em "possibilidade de retomada". O cenário do Copom supõe que essa retomada ocorrerá em ritmo gradual.

O BC trabalha com crescimento de 0,8% do PIB deste ano e atualiza essa projeção no dia 26, quando apresenta o Relatório de Inflação, com projeções de inflação mais detalhadas. Antes disso, na terça-feira, dia 24, temos a ata dessa reunião.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

a hora e a vez do rali do câmbio

Dólar cai forte e fecha no menor nível desde julho; confira 5 razões para a queda da moeda

A moeda americana terminou novembro em queda firme e iniciou dezembro da mesma forma, tombando 2%. O que explica esse movimento? O Seu Dinheiro explica

dados do ministério da saúde

Covid-19: Brasil tem 173,8 mil mortes e 6,38 milhões de casos

Em 24 horas, foram registrados 50.909 diagnósticos positivos para a doença

pandemia

Vacinação contra covid-19 deve começar com profissionais da saúde, idosos e indígenas

Proposta preliminar foi discutida em reunião realizada hoje (1º) com a participação do Ministério da Saúde e outras instituições

seu dinheiro na sua noite

Onde eu devo investir meu dinheiro agora?

A pergunta do título é talvez a que eu mais ouço de amigos, parentes e colegas por trabalhar na cobertura de finanças e investimentos. Tenho certeza de que não é muito diferente para aqueles que trabalham no mercado financeiro como analistas, operadores e consultores financeiros e de investimentos. Esteja o profissional credenciado para dar recomendação […]

Bom negócio?

Itaú eleva preço-alvo das ações da Moura Dubeux

A companhia destacou uma sólida tendência de vendas até o momento no quarto trimestre, impulsionada pela “impressionante” velocidade de vendas dos empreendimentos lançados recentemente.

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies