Menu
2019-05-21T17:13:24-03:00
Seu Dinheiro
Seu Dinheiro
Mais perto do que se imagina

Sem reformas, País deve violar “regra de ouro” em 2020 e ter recessão, diz OCDE

Organização acredita que não aprovação das reformas resultaria em custos de financiamento mais altos e consequentemente um crescimento mais baixo

21 de maio de 2019
15:12 - atualizado às 17:13
Bandeira do Brasil em meio a tempestade
Brasil corre o risco de voltar a ter recessão - Imagem: Shutterstock

Apenas alguns anos depois de passar pela pior recessão de sua história, o Brasil corre o risco de voltar a registrar recuo da sua economia.

O quadro negativo foi apresentado pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Os riscos para a economia brasileira, de acordo com a entidade que tem sede em Paris, estão relacionados principalmente com a implementação de reformas.

"O cenário político fragmentado e, às vezes, a relação desafiadora entre os diferentes ramos do governo, estão dificultando a construção de consenso político para reformas fundamentais", observou em relatório da entidade divulgado nesta terça-feira, 21.

Se o Congresso não aprovar a "ambiciosa agenda de reformas" do Executivo, a regra de ouro deve ser violada em 2020, na opinião da OCDE, o que resultaria em custos de financiamento mais altos, consequência de crescimento mais baixo, e possivelmente um retorno à recessão.

Por outro lado, a instituição previu que um impulso de reforma mais forte que se estenda para além da reforma previdenciária, apontada no documento como "urgentemente necessária", poderia melhorar significativamente o clima de negócios e crescimento mais forte, incluindo exportações.

"A possibilidade de aumento das tensões comerciais também traz riscos para o Brasil, já que a China e os Estados Unidos são os dois principais parceiros comerciais do Brasil", citou ainda no documento.

Incerteza sobre Previdência

O Brasil apresentou uma proposta "ambiciosa" de reforma da Previdência para assegurar a sustentabilidade fiscal de longo prazo ao Congresso, mas a incerteza sobre sua implementação permanece, conforme a OCDE descreveu no relatório Perspectiva Econômica. "Se esta incerteza dissipa-se, a demanda interna é projetada para acelerar e o desemprego, diminuir", pontuou a entidade que tem sede em Paris.

Nesse documento, a OCDE diminuiu suas projeções para o crescimento do PIB brasileiro em 2019, para 1,4%, e de 2020, para 2,3%.

Em outro trecho do relatório comentou que um crescimento mais forte exigirá mais esforços de reformas para fortalecer a produtividade, maior integração na economia global e menores barreiras administrativas à entrada no mercado.

Na avaliação da instituição, com ampla capacidade ociosa, a inflação deve permanecer abaixo da meta. "A política monetária permanecerá acomodatícia, apoiando os gastos das famílias", previu em relação ao trabalho do Banco Central.

Já a questão orçamentária brasileira gera preocupações, segundo o relatório. "Sem grandes esforços para conter o crescimento das despesas, a sustentabilidade das contas fiscais continua em risco, especialmente, mas não apenas, devido ao aumento dos gastos com pensões", considerou.

A OCDE também enfatizou que reequilibrar os gastos sociais para famílias de baixa renda reduziria as desigualdades.

Militares

A proposta de reforma da Previdência também melhoraria, conforme a instituição, o impacto redistributivo das pensões e permitiria uma recalibragem dos gastos sociais para benefícios sociais mais eficazes.

A redução da folha salarial do setor público também é uma prioridade fundamental do País, de acordo com o documento.

A OCDE destacou que o aumento das remunerações militares provavelmente tornará mais difícil a economia em outras partes da administração.

A entidade salientou ainda que "esforços para reduzir os gastos com impostos e os subsídios de crédito para empresas do setor privado, que criaram terrenos férteis para a corrupção, sem gerar benefícios claros para o bem-estar ou a produtividade, devem continuar".

Investimento patina

No raio X da OCDE sobre o Brasil a entidade também identificou que a expansão da atividade doméstica foi alterada para uma "marcha mais lenta".

"A economia continua se recuperando, mas o ritmo diminuiu, especialmente para investimentos, já que todos os olhos estão voltados para a capacidade do novo governo de realizar reformas".

O documento ressaltou que a confiança das empresas começou a recuar no contexto de incerteza em torno do processo de reforma da Previdência.

Segundo a OCDE, o crescimento nos setores de serviços e primário compensou a contração da produção industrial e as perspectivas de produção agrícola continuam favoráveis.

"A inflação e o núcleo da inflação estão abaixo da meta, apesar de um pequeno aumento nos últimos meses, e as taxas de juros permaneceram baixas. Isso, juntamente com o crescimento moderado dos salários, está apoiando o consumo privado, embora o desemprego ainda precise melhorar", continuou, acrescentando que os empregos criados têm sido de baixa qualidade até agora, com um número desproporcional de empregos criados no setor informal.

Sobre a questão fiscal, a Organização avaliou que os indicadores continuam se deteriorando e frisou que a melhora da qualidade das finanças públicas é crucial para restaurar a confiança.

"A baixa confiança está impedindo uma recuperação mais forte da demanda doméstica, e a confiança só irá melhorar com progressos tangíveis nas reformas que garantam a sustentabilidade fiscal", defendeu.

*Com Estadão Conteúdo.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

App da Pi

Aplique de forma simples, transparente e segura

Mais lidas Seu Dinheiro

MAIS LIDAS: Os 10 anos bem vividos da Tesla na bolsa

Nos dez anos que separam a abertura de capital da Tesla na Nasdaq e o último dia 29 de junho, as ações da companhia subiram vertiginosos 4.125%, enquanto o principal índice da bolsa americana de tecnologia teve alta de “apenas” 345%. E a companhia do bilionário Elon Musk pôde comemorar o aniversário de uma década […]

Avião-problema

Fabricante de aviões trilha novo caminho: Boeing aposta no MAX

Mesmo começando a ficar otimista com relação ao futuro do Max, acredito que comprar ações da Boeing continua sendo mau negócio

ranking

Os títulos públicos mais rentáveis do 1º semestre; indicações do Seu Dinheiro estiveram entre eles

Em março, levantamos a bola para uma oportunidade aberta no Tesouro Direto com a alta dos juros no mês, e alguns dos títulos indicados ficaram entre os mais rentáveis do semestre. Confira a lista completa dos melhores e piores títulos públicos do ano até agora

Recuperação mais lenta

Ipea diz que efeitos da pandemia tendem a persistir sobre mercado de trabalho

“É provável que a taxa de desemprego continue alta, mas não por uma piora do mercado de trabalho, e sim pela melhora da percepção das pessoas sobre o ambiente para procurar emprego”, diz diretor da instituição

Sem pessoa física

Modelo de abertura de capital da Aura Minerals pode ser replicado

Modelo de esforços restritos, inaugurado no Brasil pela companhia produtora de ouro, só permite a entrada de fundos na abertura de capital

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements