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A redução da alíquota será de 25% para 18%, o que deve gerar uma queda de R$ 0,48 do valor do litro da gasolina nos postos

O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), anunciou na manhã desta segunda-feira (27) a redução imediata da alíquota de ICMS da gasolina de 25% para 18%. A medida vem em linha com o texto aprovado pelo presidente Jair Bolsonaro na sexta-feira (24), que impõe o teto na cobrança do imposto estadual sobre os combustíveis.
Na mesma medida, Bolsonaro vetou a compensação financeira dos estados, o que gerou críticas de Garcia.
O governador informou que a redução do tributo nas vendas do combustível representa uma perda de arrecadação de R$ 4,4 bilhões por ano, o que deve comprometer investimentos do estado em áreas estratégicas.
De acordo com o chefe do Executivo paulista, 30% desse montante iria para educação e 12% para a saúde.
Garcia disse que a expectativa é de uma queda de 48 centavos do preço do litro da gasolina na bomba dos postos paulistas. Se o repasse ocorrer integralmente, o preço médio da gasolina ficará pouco abaixo dos R$ 6,50.
Ao seu lado, do secretário estadual da Fazenda, Felipe Salto, no Palácio dos Bandeirantes, o governador paulista ressaltou que, apesar de implantar desde já o limite máximo do imposto para aliviar a inflação que pesa na renda das famílias, o ICMS nunca foi o vilão do preço dos combustíveis, mas sim a política de preços da Petrobras, que é nacional.
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Ao criticar a política de preços com paridade internacional da Petrobras (PETR3;PETR4), Garcia declarou que a estatal “ganha muito e devolve pouco para a população do País”.
“Espero que a Petrobras e o governo federal tomem medidas para que a gente não venha a assistir aumento de preços de combustível nesse país.”
Garcia voltou a defender as compensações federais como melhor caminho para que o teto do ICMS não comprometa o investimento público dos Estados.
Com o óleo diesel mais caro que a gasolina pela primeira vez desde 2004, e uma queda no número de usuários acentuada pela pandemia de covid-19, o custo do transporte público no Brasil é a bola da vez na disputa por recursos do Estado.
Tradicionalmente, governadores e prefeitos de todo o país passaram a conceder novos subsídios ou ampliar os existentes para evitar alta nas tarifas de ônibus municipais e intermunicipais ou ao menos reduzir o impacto do aumento de olho no calendário eleitoral.
Um levantamento inédito da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU) mostra que ao menos 264 municípios, de todas as regiões do Brasil, complementam o caixa do transporte com verba orçamentária.
Cerca de 42% deles aderiram ao subsídio nos últimos dois anos. A crise no transporte levou até mesmo a cidade do Rio de Janeiro, que historicamente nunca financiou o transporte municipal, a implementar um modelo de subsídio baseado em quilometragem que passou a funcionar neste mês.
"A gente espera que com o subsídio, as empresas de ônibus tenham um alívio nos seus caixas e possam voltar a investir na frota e reestruturar suas operações", afirmou a secretária de transportes do Rio, Maína Celidonio.
Na capital paulista, a compensação financeira ao preço dos transportes alcançou seu recorde histórico: desde janeiro, a prefeitura repassou às empresas do setor R$ 2,4 bilhões em subsídios para manter a tarifa a R$ 4,40.
Se apenas a arrecadação tarifária fosse a responsável por bancar os custos do sistema, o preço do ônibus seria de R$ 8,71, segundo cálculo da NTU.
"O esforço para conter o aumento da tarifa é enorme. Só o diesel subiu 107% no último ano", afirmou o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que mantém a tarifa congelada desde janeiro de 2020 com remanejamentos constantes no orçamento.
"Esse é um momento em que precisamos ter sensibilidade em função do aumento da pobreza".
Mas além de sensibilidade, Nunes segue uma prática adotada pela Prefeitura e pelo governo do Estado desde 2012: preços iguais para passagens de ônibus e trens compradas na capital.
Rodrigo Garcia, pré-candidato à reeleição pelo estado, também segurou o preço cobrado pelo Metrô e pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) neste ano.
Em nota, a Secretaria de Transportes Metropolitanos afirmou que, diferentemente do subsídio mensal assumido pela prefeitura, o estado socorreu o sistema de forma pontual durante a pandemia:
"Para sustentar a operação, cobrindo os prejuízos decorrentes da queda de arrecadação, o governo de São Paulo injetou R$1,6 bilhão na operação do sistema em 2020 e mais de R$700 milhões em 2021".
Em cidades como Belo Horizonte e Florianópolis, os ex-prefeitos Alexandre Kalil (PSD) e Gean Loureiro (União Brasil) chegaram a propor medidas para manter e até reduzir o preço da tarifa meses antes de renunciarem aos respectivos cargos - ambos são pré-candidatos ao governo de seus Estados, Minas Gerais e Santa Catarina.
Já em Goiás, o governador Ronaldo Caiado (União Brasil), que lidera as pesquisas para reeleição, anunciou ajuda financeira para barrar o aumento das passagens de ônibus na região metropolitana da capital, Goiânia.
Loureiro argumenta que a política de complementação é fundamental para incentivar o uso do transporte público, como ocorre em grandes cidades do mundo.
"Sem subsídio, o transporte não teria um preço atrativo e dificilmente seria uma opção para a maioria da população", disse o ex-prefeito, que segurou os valores da tarifa em R$ 4,38 (para recargas no cartão) e R$ 4,50 (preço em dinheiro).
Referência em qualidade no transporte público, Curitiba também aprovou lei para subsidiar em R$ 174,1 milhões o sistema neste ano e manter a tarifa em R$ 5,50.
De acordo com o projeto, a suplementação orçamentária impedirá que a tarifa passe a R$ 6,37 — valor real do custo por passageiro na capital paranaense.
Em plena crise, a prefeitura de Florianópolis ainda implementou diferentes modalidades de integração e descontos. "Obtivemos aumento na arrecadação do município, muito por conta da inflação", afirmou Loureiro.
Cerca de um mês antes de renunciar à prefeitura de Belo Horizonte para disputar o governo de Minas, Kalil enviou à Câmara projeto de lei que reduzia em R$ 0,20 o valor da passagem de ônibus por meio de subsídios municipais.
A proposta já havia sido rejeitada pelo legislativo local, mas acabou sendo aprovada — com mudanças — na última semana. Dessa forma, ficou acertado o congelamento da passagem em R$ 4,50 mediante suporte financeiro de R$ 237 milhões do município.
Segundo o diretor administrativo e institucional da NTU, Marcos Bicalho dos Santos, o subsídio para o transporte público é uma tendência nacional.
"Qualquer reajuste no diesel precisa ser imediatamente computado nos custos. Dentro do modelo que nós temos hoje, na grande maioria das cidades, isso significa compensar na tarifa, o que vai trazer dificuldades para a população", disse.
Onde há compensação financeira por parte do Estado ou prefeituras, ela representa, em média, 27% do preço real da passagem. Mas há locais onde o subsídio chega a 50% - caso do metrô de Brasília. Já o diesel representa, em média, 33% do preço da passagem.
Enquanto adotam políticas pontuais, prefeitos e governadores defendem que também a União passe a arcar com parte da conta, ao menos das gratuidades asseguradas por lei federal. Um projeto que trata do tema já passou pelo Senado e aguarda aprovação da Câmara.
*Com informações do Broadcast e Estadão Conteúdo
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