Menu
2019-04-15T12:03:51-03:00
Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Liberalismo a caneladas

Guedes pode até consertar as coisas, mas novas decepções virão e não só na Petrobras

Ministro volta ao Brasil e tem encontros com Onyx Lorenzoni e Jair Bolsonaro, em pauta reajuste dos combustíveis

15 de abril de 2019
11:46 - atualizado às 12:03
Jair Bolsonaro e Paulo Guedes
Jair Bolsonaro e Paulo Guedes - Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock / Fotos Públicas

O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem reuniões com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e com o presidente Jair Bolsonaro para tentar “consertar” algo não muito razoável feito na sexta-feira, quando o presidente mandou a Petrobras barrar um reajuste no preço do óleo diesel, atendendo demanda dos caminhoneiros.

Segundo declaração do próprio Guedes no fim de semana: “Acho que o presidente tem muitas virtudes, fez muita coisa acertada e ele já disse que não conhece muito a economia. Então, se ele eventualmente fizer alguma coisa que não seja muito razoável, tenho certeza que nós conseguimos consertar. Uma conversa conserta tudo."

Além de mandar barrar o aumento, o presidente disse e seu porta-voz reafirmou que ele precisa ser “convencido” da necessidade de reajuste. Guedes deve explicar como funciona o modelo de preço de petróleo e derivados no mundo todo, pois o presidente quer esclarecimentos do motivo de um reajuste de 5,7% no diesel, se a inflação projetada está abaixo de 5%.

Mesmo que Guedes tenha sucesso nessa missão, não deve mudar a avaliação do presidente e de parte do governo sobre a necessidade de “um preço justo para o óleo diesel” ou mesmo que a decisão foi tomada visando um “bem maior”. Visão que também é de parte da população.

O mercado pende muito para o lado liberal de Guedes e sua equipe, mas esquece do lado político de Bolsonaro. Por isso do tombo de mais de 7% ações da Petrobras, na sexta-feira, que tirou mais de R$ 30 bilhões do valor de mercado da estatal.

Nas eleições já transparecia essa dificuldade de rezar uma missa liberal com sacerdotes estatais-desenvolvimentistas e o potencial dessa liturgia em desagradar a todos dentro e fora da igreja.

Bolsonaro já disse que não será intervencionista nem que retomará práticas do passado, mas também não vai abraçar a escola liberal por completo. O presidente já disse que a empresa não pode ter “uma política predatória” para o preço dos combustíveis.

Assim, esse deve ter sido o primeiro de muito episódios de choque de visão econômica e política que vão acontecer.

A Petrobras deve seguir com os planos de venda de ativos, leilões de campos de petróleos e outras medidas que marcam uma abertura, mas o presidente e sua equipe não vão deixar de usar a empresa para fazer política ou um “bem maior”.

A Petrobras, junto com o Banco do Brasil e a Caixa compõem as “joias da coroa” e enquanto forem empresas estatais, seus acionistas têm de estar cientes que estão comprando “o risco de melhora” de gestão junto com esse imponderável risco político.

Para parte do mercado o que importa é a direção, temos um liberalismo econômico mesmo que abaixo de caneladas. Os mais céticos acham que os liberais vão perder a paciência e abandonar a igreja, deixando apenas os nacionais-desenvolvimentistas. Como o lema de Guedes e sua equipe é não se render e não recuar, tendo, ainda, a ficar com os primeiros.

Comentários
Leia também
A REVOLUÇÃO 3.0 DOS INVESTIMENTOS

Quem é a Pi

Uma plataforma de investimentos feita para ajudar a atingir seus objetivos por meio de uma experiência #simples, #segura, #acessível e #transparente.

Sucesso

Vendas on-line na Black Friday batem recorde e somam R$ 4 bilhões

Faturamento do e-commerce teve alta de 25,1% ante a Black Friday do ano passado; promoções estendidas ao longo do mês beneficiaram as vendas

Por menos desigualdade

Movimento de milionários defende mais impostos para os mais ricos

Movimento Patriotic Millionaires (milionários patriotas) reúne pessoas ricas da América do Norte, da Europa e da Oceania que pedem para serem mais tributadas, na tentativa de diminuir a desigualdade

Ibope e Datafolha

Eleições municipais: quem são os favoritos no 2º turno das principais capitais, segundo as pesquisas

No Rio, Eduardo Paes lidera; favorito em São Paulo é o atual prefeito Bruno Covas. Confira pesquisas também para Recife, Fortaleza, Porto Alegre e Goiânia

APRENDENDO COM O PROFESSOR BESSEMBINDER

O clube dos 900%: o que você pode aprender com os maiores casos de geração de riqueza da Bolsa americana

Empresas quebrando são mais frequentes que empresas dominando o mundo em algumas décadas. Mas poucos acertos podem rechear a sua carteira e garantir sua aposentadoria precoce.

Entrevista

‘Desemprego alto e déficit público nos deixam cautelosos’, diz presidente da Whirlpool

CEO da fabricante das marcas Consul e Brastemp diz estar cauteloso para investir em produção e em relação à sustentabilidade da demanda, por conta de desemprego e da situação fiscal

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies