Menu
2019-04-12T18:47:34+00:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa e UBS Escola de Negócios. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência CMA, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico.
Crise do diesel

Petrobras perde R$ 32 bi em valor de mercado após interferência do governo

Os papéis da Petrobras despencaram com a nova crise de ingerência política na estatal. E, no meio desse turbilhão, o Ibovespa recuou mais 1,98% hoje — a quarta queda consecutiva

12 de abril de 2019
10:20 - atualizado às 18:47
Selo marca a cobertura de mercados do Seu Dinheiro para o fechamento da Bolsa
Ibovespa teve mais um dia de queda e retorna à faixa dos 92 mil pontos - Imagem: Seu Dinheiro

Um velho fantasma voltou a assombrar a Petrobras. E o estrago foi grande: mais de R$ 30 bilhões em valor de mercado.

Pressionado pelas ameaças de uma nova greve dos caminhoneiros, o governo interferiu na política de preços da estatal e barrou o reajuste do diesel — criando um novo foco de turbulência para o já cauteloso mercado brasileiro.

E qual foi o impacto dessa notícia? As ações ON da Petrobras fecharam em queda de 8,54%, enquanto os papéis PN recuaram 7,75%. Com isso, o valor de mercado da estatal caiu de R$ 393,89 bilhões ontem para R$ 361,49 bilhões hoje — uma perda de R$ 32,4 bilhões em apenas um dia.

Com as ações da estatal derretendo, o Ibovespa não teve chances: terminou a sessão em baixa de 1,98%, aos 92.875,00 pontos. O dólar à vista também foi afetado pela onda de pessimismo e fechou em alta de 0,83%, a R$ 3,8884.

Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter
Quer nossas melhores dicas de investimentos de graça em seu e-mail? Cadastre-se agora em nossa newsletter

Dia da marmota

As ações da Petrobras já operavam em queda firme desde o início do dia, com o mercado interpretando que o recuo da estatal em relação ao diesel era fruto de intervenção do governo na administração da empresa — tese que foi confirmada no início da tarde e aprofundou a espiral negativa dos papéis.

Bolsonaro admitiu que determinou a suspensão do reajuste de 5,7% no preço do diesel — o novo valor começaria a ser cobrado nesta sexta-feira, 12, mas vai ficar suspenso até que os técnicos da estatal justifiquem ao presidente a necessidade do aumento.

"Eu liguei para o presidente (da Petrobras) sim. Me surpreendi com o reajuste de 5,7%. Não vou ser intervencionista. Não vou praticar a política que fizeram no passado, mas quero os números da Petrobras", afirmou Bolsonaro.

Embora analistas ponderem que uma nova greve dos caminhoneiros poderia ter efeitos catastróficos, a percepção é que o modus operandi do governo contribuiu para aumentar os ruídos e evocar memórias traumáticas aos mercados. A Petrobras chegou a comunicar que o aumento seria colocado em prática — e horas depois voltou atrás.

"Cabe agora entender se a politica de preços vai continuar mesmo ou não. Na duvida, o investidor vende", diz Raphael Figueredo, analista da Eleven Financial Research.

Para Victor Cândido, economista-chefe da Guide Investimentos, o governo precisa agir rápido para esclarecer os próximos passos. "Não pode ficar sem uma explicação formal, não pode ficar a sensação de que o governo pegou para si a tabela de preços", diz.

Toda essa incerteza também foi refletida no volume de negociações das ações da Petrobras. Ao todo, os papéis PN da estatal movimentaram mais de R$ 5,9 bilhões no pregão de hoje — o que corresponde a 29,5% do giro total do Ibovespa nesta sexta-feira, de R$ 20,2 bilhões.

Operadores e analistas ainda lembram que as fortes quedas dos papéis da Petrobras também trarão efeitos ao vencimento de opções sobre ações na B3, na segunda-feira. "Isso dá ganho de causa para os vendidos", diz Ari Santos, gerente da mesa de operações da H. Commcor.

Cautela política

Mas a Petrobras não foi a única notícia do dia. Em linhas gerais, a semana foi carregada para os mercados brasileiros, com um leve aumento nos temores em relação à tramitação da reforma da Previdência.

A possibilidade de atraso no cronograma de votação da proposta na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara — um movimento dos deputados do centrão pode jogar a votação do texto apenas para depois do feriado da Páscoa — já deixava os mercados aflitos.

E esse cenário ganhou um nova nova camada de incerteza após a notícia de que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia — um dos principais defensores da reforma — pode estar envolvido no sistema de propinas pagas pela Odebrecht. A análise do sistema da construtora indica supostas execuções de pagamento que totalizam R$ 1,4 milhão ao presidente da Câmara e seu pai, César Maia.

Considerando esse pano de fundo e o noticiário da Petrobras, o Ibovespa acumulou perdas de 4,36% na semana — hoje foi o quarto dia seguido de desempenho negativo. No mês, o índice cai 2,66%, mas, no ano, ainda sobe 5,68%.

Tudo azul no exterior

Lá fora, contudo, o tom foi amplamente positivo hoje: o Dow Jones subiu 1,03%, o S&P 500 avançou 0,66% e o Nasdaq teve alta de 0,46%, após os dados da balança comercial da China em março surpreenderem positivamente. Além disso, os balanços do J.P. Morgan e do Wells Fargo foram bem recebidos pelo mercado e contribuem para manter o bom humor no exterior.

O mercado de commodities também reagiu bem: tanto o petróleo WTI (+0,49%) quanto o Brent (+1,01%) fecharam no campo positivo. Na China, o minério de ferro avançou 0,86% nesta sexta-feira.

Dólar estressado

Com a alta de 0,83% de hoje, o dólar à vista encerrou a semana com ganho acumulado de 0,43% — em 2019, a moeda americana avança 0,33%. O nível de R$ 3,88 é o mais elevado para um fechamento em abril, mas ainda está distante das máximas do ano: em 27 de março, o dólar encerrou na casa de R$ 3,95.

O clima de estresse foi sentido na ponta longa da curva de juros: os DIs para janeiro de 2023 subiram de 8,24% para 8,27%, e os para janeiro de 2025 avançaram de 8,73% para 8,81%. Na ponta curta, o viés foi de leve queda: as curvas com vencimento em janeiro de 2020 caíram de 6,48% para 6,47%, e as com vencimento em janeiro de 2021 recuaram de 7,14% para 7,13%.

Estatais sofrem

O noticiário a respeito da Petrobras também assombrou as ações do Banco do Brasil e da Eletrobras, com o mercado temendo que todas as empresas estatais possam estar sujeitas à interferência do governo em suas gestões.

Eletrobras ON (-5,24%) Eletrobras PNB (-4,97%) também apareceram entre as maiores perdas do Ibovespa nesta sexta-feira. E Banco do Brasil ON (-3,17%) teve desempenho muito pior que o de outros bancos, como Itaú Unibanco PN (-1,04%) e Bradesco PN (-0,91%).

Mineração e siderurgia tentam resistir

Com os sinais de reaquecimento da economia chinesa, as ações do setor de mineração e siderurgia não acompanham o tom amplamente negativo de grande parte do Ibovespa  — a China é uma importante consumidora de aço e minério de ferro.

CSN ON teve a segunda maior alta do índice, avançando 3,53%. Já Usiminas PNA (+0,1%) e Vale ON (-0,6%) ficaram perto da estabilidade, resistindo ao pessimismo generalizado na bolsa.

Comentários
Leia também
DINHEIRO QUE PINGA NA SUA CONTA

Uma renda fixa pra chamar de sua

Dá para ter acesso a produtos melhores do que encontro no meu banco? (Spoiler: sim).

SEGUE O JOGO

Saída de Levy não deve ter impacto sobre a reforma da Previdência, diz especialista

No entanto, mesmo com eventual aprovação da reforma previdenciária, dificilmente haverá retomada considerável da confiança, diz Rafael Cortez

ANÁLISE

“Chicago Boy”, Levy transitou no petismo e no Bolsonarismo – e foi alvo dos dois”

Assim como o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, Joaquim Levy é um nome conhecido do mercado; estopim da demissão foi a nomeação de advogado

DE OLHO NAS AÇÕES

Petrobras faz maior descoberta desde o pré-sal, em Sergipe e Alagoas

Divulgada no mês passado, a descoberta deve gerar R$ 7 bilhões de receita anual à estatal e sócias, calcula a consultoria Gas Energy

MUITO RICOS X MAIS RICOS AINDA

Esta é a grande diferença entre milionários e bilionários, segundo autor

Milionários e bilionários podem ser grupos muito mais distintos do que a maioria acredita. Segundo especialista, esse contraste fica claro com a resposta para uma pergunta

MÚSICA PARA OS OUVIDOS

Energia deve ter nova rodada de privatização

A privatização de estatais é uma das alternativas propostas pelo Plano Mansueto para Estados que precisarem de socorro da União

Seu dinheiro no domingo

O mercado sempre oscila entre o cenário perfeito e o desesperador. Saber onde estamos é o segredo para ganhar dinheiro

Se a percepção prevalente no mercado é de que as coisas só podem melhorar, o investidor deve encarar isso com cautela

DIÁLOGO CORDIAL

Presidente do BNDES conversou com ministro da Economia sobre demissão

Levy entregou seu pedido de demissão do cargo ao ministro após ser alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro neste sábado (15)

TCHAU

Presidente do BNDES confirma pedido de demissão após declarações de Bolsonaro

Levy foi alvo de críticas do presidente Jair Bolsonaro no sábado (15), em função da nomeação do advogado Marcos Barbosa Pinto para o cargo de diretor

REDUÇÃO DE DANOS

Nada impede que a capitalização seja aprovada no 2º semestre, diz Maia no Twitter

O presidente da Câmara defendeu que a questão pode até ficar de fora do primeiro texto da reforma, mas destacou propostas já em andamento na área

CABEÇA A PRÊMIO

Gustavo Franco e Salim Mattar são cotados para substituir Levy

A avaliação é a de que a permanência do atual presidente do BNDES tornou-se insustentável depois da bronca em público do presidente

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu
Advertisements