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2022-08-29T13:28:53-03:00
Ricardo Gozzi
CASO A CASO

Por que fugir dos próximos debates pode ser uma boa estratégia para Lula e Bolsonaro

Campanhas de Lula e Bolsonaro vão avaliar participação em futuros debates e entrevistas na base do ‘caso a caso’

29 de agosto de 2022
13:28
Montagem de Lula e Bolsonaro com prédios da Avenida Faria Lima ao fundo
Montagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Jair Bolsonaro - Imagem: Montagem: Beatriz Azevedo

Os dias que antecederam o primeiro debate entre presidenciáveis para as eleições de 2022 talvez tenham sido mais quentes que as mornas discussões vistas na noite de domingo. Isso por causa da dúvida, mantida até o sábado, quanto à participação dos dois principais candidatos, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL).

Como um condicionava a própria presença ao comparecimento do outro, o noticiário dos dias anteriores ao debate praticamente limitou-se ao vai-não-vai de Lula e Bolsonaro.

Se nenhum dos dois fosse, o desinteresse do público pelo debate provavelmente cobriria os eventuais prejuízos de um não-comparecimento.

Se apenas um deles fosse, estaria aberto o espaço para que o outro fosse rotulado como fujão.

Lula e Bolsonaro devem decidir futuras participações no ‘caso a caso’

Com a ida de ambos — e agora um saldo pouco animador —, as campanhas da Lula e Bolsonaro pretendem avaliar a participação dos candidatos em futuros debates no caso a caso.

Levantamento do Instituto Datafolha com eleitores indecisos que assistiram ao debate mostrou Bolsonaro como o pior debatedor da noite. Isso na opinião de 51% da audiência analisada. E embora Lula tenha ficado bem atrás nesse quesito, o índice de 21% o posicionou como o segundo pior participante do debate.

Diante do inesperado cenário de perde-perde, a questão para os estrategistas de campanha passa a ser a qualidade das aparições de seus candidatos.

Impacto imediato para Bolsonaro

No campo bolsonarista, o mau desempenho teve impacto imediato.

Segundo Vera Magalhães, colunista do jornal O Globo e que foi alvo do pior momento de Bolsonaro no debate, a avaliação na campanha do candidato à reeleição é de que ele não vá a mais nenhum debate em primeiro turno depois do que aconteceu ontem.

Além disso, no caso de entrevistas, o presidente está sendo orientado a dar preferência a “podcasts de grande audiência e pouco confronto”.

Mas cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Hoje, Bolsonaro faltou à sabatina da Jovem Pan, emissora onde o presidente dificilmente seria colocado contra a parede pelos entrevistadores. A entrevista acabou remarcada para 5 de setembro.

Na noite de ontem, o comportamento considerado misógino de Bolsonaro direcionado à colunista citada acima e à candidata Simone Tebet marcou o momento mais baixo do presidente em um debate que até ali corria morno.

Lula no zero a zero

Nas fileiras petistas, repercute o fato de Simone Tebet e Ciro Gomes terem sido mais bem avaliados pelos eleitores indecisos que assistiram ao debate e responderam ao Datafolha.

Entretanto, ao mesmo tempo em que Lula não assumiu o protagonismo que era esperado dele, a participação no debate é vista como um zero a zero.

Em contrapartida, um eventual impacto do desempenho de Simone e Ciro sobre as intenções de voto será mais prejudicial para o petista, que lidera as pesquisas e ainda conta com a possibilidade de liquidar a fatura no primeiro turno.

Diante disso, a participação de Lula em futuros debates e entrevistas será decidida no caso a caso.

Veja também: Lula ou Bolsonaro — quem investe melhor?

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