Guedes pode até consertar as coisas, mas novas decepções virão e não só na Petrobras
Ministro volta ao Brasil e tem encontros com Onyx Lorenzoni e Jair Bolsonaro, em pauta reajuste dos combustíveis

O ministro da Economia, Paulo Guedes, tem reuniões com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e com o presidente Jair Bolsonaro para tentar “consertar” algo não muito razoável feito na sexta-feira, quando o presidente mandou a Petrobras barrar um reajuste no preço do óleo diesel, atendendo demanda dos caminhoneiros.
Segundo declaração do próprio Guedes no fim de semana: “Acho que o presidente tem muitas virtudes, fez muita coisa acertada e ele já disse que não conhece muito a economia. Então, se ele eventualmente fizer alguma coisa que não seja muito razoável, tenho certeza que nós conseguimos consertar. Uma conversa conserta tudo."
Além de mandar barrar o aumento, o presidente disse e seu porta-voz reafirmou que ele precisa ser “convencido” da necessidade de reajuste. Guedes deve explicar como funciona o modelo de preço de petróleo e derivados no mundo todo, pois o presidente quer esclarecimentos do motivo de um reajuste de 5,7% no diesel, se a inflação projetada está abaixo de 5%.
Mesmo que Guedes tenha sucesso nessa missão, não deve mudar a avaliação do presidente e de parte do governo sobre a necessidade de “um preço justo para o óleo diesel” ou mesmo que a decisão foi tomada visando um “bem maior”. Visão que também é de parte da população.
O mercado pende muito para o lado liberal de Guedes e sua equipe, mas esquece do lado político de Bolsonaro. Por isso do tombo de mais de 7% ações da Petrobras, na sexta-feira, que tirou mais de R$ 30 bilhões do valor de mercado da estatal.
Nas eleições já transparecia essa dificuldade de rezar uma missa liberal com sacerdotes estatais-desenvolvimentistas e o potencial dessa liturgia em desagradar a todos dentro e fora da igreja.
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Bolsonaro já disse que não será intervencionista nem que retomará práticas do passado, mas também não vai abraçar a escola liberal por completo. O presidente já disse que a empresa não pode ter “uma política predatória” para o preço dos combustíveis.
Assim, esse deve ter sido o primeiro de muito episódios de choque de visão econômica e política que vão acontecer.
A Petrobras deve seguir com os planos de venda de ativos, leilões de campos de petróleos e outras medidas que marcam uma abertura, mas o presidente e sua equipe não vão deixar de usar a empresa para fazer política ou um “bem maior”.
A Petrobras, junto com o Banco do Brasil e a Caixa compõem as “joias da coroa” e enquanto forem empresas estatais, seus acionistas têm de estar cientes que estão comprando “o risco de melhora” de gestão junto com esse imponderável risco político.
Para parte do mercado o que importa é a direção, temos um liberalismo econômico mesmo que abaixo de caneladas. Os mais céticos acham que os liberais vão perder a paciência e abandonar a igreja, deixando apenas os nacionais-desenvolvimentistas. Como o lema de Guedes e sua equipe é não se render e não recuar, tendo, ainda, a ficar com os primeiros.
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