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A perspectiva de que tanto o BCE quanto o Fed poderão promover cortes de juros num futuro próximo deu um forte impulso às bolsas globais — o Ibovespa pegou carona e avançou mais de 1,5%
Os mercados acionários globais tiveram uma terça-feira (18) de ganhos expressivos. Tanto na Europa quanto nos Estados Unidos, o tom foi de otimismo generalizado, e esse bom humor contagiou as negociações por aqui, fazendo o Ibovespa encerrar um pregão no nível dos 99 mil pontos pela primeira vez desde 19 de março — mais precisamente, aos 99.404,39 pontos.
Foram diversos os fatores que trouxeram alívio aos agentes financeiros ao longo do dia. Mas, antes de explicar com mais detalhes o que aconteceu nesta terça-feira, eis um resumo do fechamento das principais praças:
"O mercado está voando num céu de brigadeiro", comentou um operador, ao falar sobre o clima global das negociações durante a manhã. "O cenário externo está bem tranquilo, e aqui dentro também está bom".
A lista acima poderia incluir muitas outras bolsas da Europa, mas o tom ficaria repetitivo, já que quase todos os índices da região tiveram ganhos de mais de 1% hoje. Essa onda de euforia, afinal, teve origem no velho continente — mais precisamente, no Banco Central Europeu (BCE).
Mais cedo, o presidente da instituição, Mario Draghi, afirmou que cortes de juros continuam no escopo de ferramentas que poderão ser usadas no futuro — a ideia é reaquecer a atividade econômica da zona do euro, que há meses dá sinais de desaceleração ou estagnação.
A sinalização aumentou ainda mais a expectativa do mercado em relação à decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, que será conhecida amanhã. A questão que paira sobre a cabeça dos agentes financeiros é bastante direta: será que os Estados Unidos também pegarão a estrada dos ajustes negativos de juros?
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A julgar pelo comportamento das bolsas americanas, o mercado aposta que o Fed irá sinalizar de maneira mais efetiva que está aberto a cortar as taxas num futuro próximo, acompanhando o tom assumido pelo presidente do BCE nesta manhã.
Os agentes financeiros já vinham batendo nesta tecla há algumas semanas, em meio à divulgação de dados econômicos mais fracos nos Estados Unidos — e com a percepção de que a guerra comercial com a China tende a trazer impactos à atividade do país nos próximos meses.
Assim, embora o mercado ainda não aposte numa mudança nos juros já nesta reunião, há ampla expectativa quanto à adoção de uma comunicação mais branda pelo Fed, deixando a porta aberta para uma redução nos juros ainda neste ano.
"Passamos por um momento geral de desaquecimento econômico no exterior", comenta Matheus Amaral, analista da Toro Investimentos. "Os Bancos Centrais se veem pressionados a terem uma política monetária de maior incentivo através do afrouxamento das taxas de juros".
Com o BCE e o Fed nos holofotes, o mercado de câmbio global também passou por profundos movimentos de ajuste ao longo do dia. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante uma cesta com as principais moedas do mundo, teve leve alta nesta terça-feira, influenciado pela desvalorização do Euro após a fala de Draghi.
No entanto, o cenário de menor aversão ao risco fez com que quase todas as divisas de países emergentes e ligados às commodities ganhassem terreno em relação à moeda americana. E, no Brasil, não foi diferente: o dólar à vista fechou em queda de 1,00%, a R$ 3,8606 — na mínima, bateu os R$ 3,8496 (-1,28%).
Outros fatores ainda ajudaram a dar um gás extra às negociações no exterior. As pressões no front da guerra comercial também diminuíram nesta terça-feira, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que teve "uma conversa muito boa por telefone" com o presidente da China, Xi Jinping.
No Twitter, Trump afirmou que ficou acertado que ambos terão "uma reunião prolongada" na próxima semana, durante a cúpula do G-20, no Japão. A declaração de Trump reduz parcialmente a tensão dos mercados em relação às disputas comerciais entre americanos e chineses, já que o encontro dos líderes no G-20 ainda era incerto.
O presidente americano ainda usou a rede social para mostrar descontentamento em relação às declarações de Draghi, afirmando que a adoção de estímulos pelo BCE cria "condições injustas" na competição com os Estados Unidos — o que, para alguns, pode ser entendido como uma pressão velada ao Fed.
Por aqui, as expectativas dos agentes financeiros também estiveram elevadas em relação à decisão de política monetária do Banco Central, também prevista para amanhã. Assim como no caso do Fed, o mercado não espera um corte imediato de juros, mas aguarda por sinalizações que indiquem a possibilidade de redução na Selic no futuro.
Tal percepção, somada à forte queda do dólar, fez as curvas de juros operarem em queda durante boa parte da sessão, embora esse movimento tenha perdido intensidade na ponta curta. Ao fim do dia, os DIs com vencimento em janeiro de 2021 ficaram em 6,02%, mesma taxa do ajuste de ontem.
No vértice longo, as curvas para janeiro de 2023 recuaram de 7,00% para 6,96%, e as com vencimento em janeiro de 2025 caíram de 7,56% para 7,50%.
Os mercados domésticos também acompanharam o noticiário político referente à reforma da Previdência. Afinal, a comissão especial da Câmara começou a discutir hoje o parecer elaborado pelo relator Samuel Moreira — e o mercado mostra bastante otimismo neste front, embora os debates devam se estender até a próxima semana.
"O tramite da Previdência vai seguindo seu fluxo, e isso sempre é positivo", pondera Amaral, da Toro. Assim, além do otimismo externo, as boas perspectivas em relação às reformas contribuíram para dar ainda mais força ao Ibovespa nesta terça-feira — a alta de 1,82% representa o maior ganho percentual num único pregão desde 21 de maio.
Outro fator que deu força aos ativos locais foi a rápida indicação de um substituto para Joaquim Levy, que pediu demissão do comando do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no fim de semana.
Gustavo Montezano, que trabalhava como secretário-adjunto da Secretaria de Desestatização, comandada por Salim Mattar, irá assumir o posto. "Essa indicação sinalizou para o mercado que o processo de desestatização do BNDES deve acelerar", pondera um operador.
Por fim, o Banco Central promoveu hoje a rolagem de US$ 2 bilhões em linha de dólar com compromisso de recompra, o que ajudou a trazer alívio ao dólar à vista. Amanhã, outros US$ 2 bilhões serão ofertados.
O mercado de commodities também tem um dia bastante positivo. Na China, o minério de ferro negociado no porto de Qingdao — cotação que serve de referência para os ativos globais — fechou em alta de 3,76%. O petróleo apresentou um tom semelhante: o WTI teve ganho de 3,71%, e o Brent avançou 1,97%.
Nesse contexto, as ações de empresas ligadas às commodities — caso da Petrobras, Vale e das siderúrgicas — aparecem na ponta positiva do Ibovespa nesta terça-feira. E a percepção de avanço nas negociações entre EUA e China dá força extra ao setor de mineração e siderurgia, bastante dependente do mercado chinês.
Vale ON (VALE3), um dos papéis de maior peso na composição do Ibovespa, fechou em alta de 3,59%, enquanto CSN ON (CSNA3) subiu 3,18% — ainda entre as siderúrgicas, Gerdau PN (GGBR4) avançou 3,73% e Usiminas PNA (USIM5) teve ganho de 2,09%. Petrobras ON (PETR3) e PN (PETR4) subiram 1,53% e 1,25%, respectivamente.
As ações ON da B3 (B3SA3) terminaram a sessão em alta de 7,35% e lideraram os ganhos do Ibovespa nesta terça-feira. Os papéis reagem a uma notícia publicada pela Folha de S. Paulo, afirmando que o relator da reforma da Previdência na Câmara, Samuel Moreira, pode deixar a B3 de fora da elevação da CSLL, de 15% para 20%.
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