Menu
Dados da Bolsa por TradingView
2019-12-16T17:42:16-03:00
Victor Aguiar
Victor Aguiar
Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e com MBA em Informações Econômico-Financeiras e Mercado de Capitais pelo Instituto Educacional BM&FBovespa. Trabalhou nas principais redações de economia do país, como Bloomberg, Agência Estado/Broadcast e Valor Econômico. Em 2020, foi eleito pela Jornalistas & Cia como um dos 10 profissionais de imprensa mais admirados no segmento de economia, negócios e finanças.
Mercados otimistas

Ibovespa se afasta das máximas e flutua perto da estabilidade; dólar cai a R$ 4,06

Apesar dos dados econômicos mais fortes na China e nos Estados Unidos, o Ibovespa encontra dificuldade para se sustentar no campo positivo. O dólar, por outro lado, fechou em queda de mais de 1%

16 de dezembro de 2019
10:32 - atualizado às 17:42
Selo Mercados AGORA Ibovespa dólar
Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Mais uma sessão, mais um recorde para o Ibovespa. O enredo parecia claro desde a abertura — só que, com o passar do tempo, o índice foi perdendo força e, a poucos minutos do fechamento, já flerta com o campo negativo.

Apesar de todo o bom humor visto nos mercados externos, o Ibovespa agora opera em leve baixa de 0,02%, aos 112.545,42 pontos — na máxima, foi aos 113.196,83 pontos (+0,56%), rompendo pela primeira vez o nível dos 113 mil pontos.

O mercado de câmbio, por outro lado, não titubeou: o dólar à vista fechou em forte baixa de 1,11%, a R$ 4,0620 — a menor cotação de encerramento desde 5 de outubro, quando a divisa era negociada a R$ 3,9949. Com o desempenho de hoje, a moeda americana completa uma sequência de nove quedas nas últimas onze sessões.

Em linhas gerais, há três vetores influenciando as negociações nesta segunda-feira (16), todos eles externos. Como pano de fundo, aparece o alívio na guerra comercial entre Estados Unidos e China, mas informações referentes às economias dos dois países também contribuem para dar força às bolsas globais e trazer alívio ao dólar.

Bandeira branca

Conforme anunciado pelos governos duas potências na última sexta-feira (13), americanos e chineses acertaram as bases para a primeira fase de um acordo comercial mais amplo. A assinatura formal do acordo deve ocorrer apenas em 2020, mas fato é que algumas medidas práticas já foram tomadas.

Em destaque, aparece a suspensão, pelo Casa Branca, da nova rodada de tarifas a serem impostas sobre as importações chinesas, que começariam a valer a partir de ontem. O cancelamento dessas sobretaxas era visto como essencial pelos mercados, já que a lista de produtos afetados englobava itens de tecnologia, como smartphones e laptops — o que poderia afetar diretamente o consumidor americano.

Além do fim dessas taxas, também ficou acertado que ambas as partes comprarão volumes maiores de determinados itens — o detalhamento mais amplo das medidas, contudo, ainda não foi revelado.

De qualquer maneira, a notícia é positiva e coopera para trazer alívio às tensões comerciais no mundo. Por mais que essa primeira fase esteja longe de encerrar as disputas, há a percepção de que, agora, as disputas tendem a gerar impactos menos intensos na economia global.

Em meio a esse contexto, a maior parte das bolsas da Ásia fechou a sessão desta segunda-feira em alta. No entanto, o continente também trouxe um segundo fator positivo para os mercados financeiros mundiais nesta segunda-feira.

Retomada na China

Em paralelo ao acerto comercial com os americanos, também há a percepção de fortalecimento da economia chinesa. Mais cedo, o país asiático informou a expansão na produção industrial e nas vendas no varejo em novembro, e num ritmo muito maior que o previsto pelos analistas.

A notícia ajuda a dar força aos papéis de empresas mais dependentes do mercado chinês, caso de Vale ON (VALE3), em alta de 0,24% e Suzano ON (SUZB3), com ganho de 1,18%. A China é uma grande consumidora de minério de ferro, produtos siderúrgicos, papel e celulose — e o fortalecimento de sua economia implica num aumento na demanda por esses produtos.

Otimismo nos EUA

Mas não foi apenas a economia chinesa que deu sinais de força nesta segunda-feira. Nos Estados Unidos, também foram divulgados indicadores de atividade mais saudáveis, animado os investidores desse lado do Atlântico.

Entre os destaques, aparece o índice de atividade industrial Empire State, que subiu a 3,5 em dezembro — acima das projeções do mercado, de 3,1. Além disso, o PMI composto do país, que engloba os setores de serviços e indústria, também melhorou em dezembro.

Por fim, o índice de confiança das construtoras americanas subiu a 76 neste mês — é o maior nível desde 1999. E esse mix de informações impulsiona as bolsas americanas hoje: no momento, o Dow Jones (+0,45%), o S&P 500 (+0,76%) e o Nasdaq (+0,96%) têm altas firmes, também buscando novos recordes.

Top 5

Veja as cinco ações de melhor desempenho do Ibovespa nesta segunda-feira:

  • Via Varejo ON (VVAR3): +4,05%
  • Ecorodovias ON (ECOR3): +3,79%
  • Natura ON (NATU3): +3,41%
  • NotreDame Intermédica ON (GNDI3): +3,33%
  • Cemig PN (CMIG4): +3,07%

Confira também as maiores quedas do índice:

  • Cielo ON (CIEL3): -5,01%
  • Equatorial ON (EQTL3): -2,21%
  • Gerdau PN (GGBR4): -1,95%
  • Raia Drogasil ON (RADL3): -1,93%
  • Braskem PNA (BRKM5) :-1,82%

Dólar e juros

No mercado de câmbio, o dólar perdeu terreno em escala global nesta segunda-feira. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta com as principais divisas do mundo, caiu 0,16%.

A situação não foi diferente em relação aos ativos de países emergentes: o dólar perdeu força ante o peso mexicano, o rublo russo, o peso chileno, o rand sul-africano e o peso colombiano — o real, assim, pegou carona nesse contexto global.

A leitura do mercado é a de que, considerando o acerto entre estados Unidos e China e os dados mais fortes referentes à economia chinesa, os agentes financeiros sentiram-se mais a vontade para assumir riscos no câmbio — e, com isso, venderam dólares para comprar moedas emergentes.

Mas, apesar do alívio no dólar à vista, as curvas de juros fecharam em alta — os DIs encontraram pouco espaço para ajustes negativos neste fim de ano, considerando as perspectivas de estabilidade na Selic para 2020 emitidas pelo BC e a percepção de que a inflação começa a ganhar força no país.

Veja abaixo como ficaram as principais curvas de juros nesta segunda-feira:

  • Janeiro/2021: de 4,51% para 4,55%;
  • Janeiro/2023: de 5,72% para 5,82%;
  • Janeiro/2025: de 6,36% para 6,46%;
  • Janeiro/2027: de 6,70% para 6,81%.
Comentários
Leia também
ENCRUZILHADA FINANCEIRA

Confissões de um investidor angustiado

Não vou mais me contentar com os ganhos ridículos que estou conseguindo hoje nas minhas aplicações. Bem que eu queria ter alguém extremamente qualificado – e sem conflito de interesses – para me ajudar a investir. Só que eu não tenho o patrimônio do Jorge Paulo Lemann. E agora?

Será que sai?

Governo dos EUA está ‘confiante’ com o acordo bipartidário para pacote trilionário de infraestrutura

As discussões, porém, ainda enfrentam impasse em meio a discordâncias quanto aos montantes de recursos destinados para cada área

Líder do setor

Grupo FSB compra Giusti Comunicação e amplia seu portfólio de agências

Com a chegada da nova empresa, a FSB integra as contas de Aegea, Ame, Alpargatas, EDP, Grupo SBF, Centauro, SBT, Estadão, Protege, Centro Paula Souza e mais em sua lista de clientes

Reforma ministerial

Ciro Nogueira aceita convite de Bolsonaro para chefiar Casa Civil

No último dia 22, Bolsonaro confirmou o convite a Nogueira e a recriação do Ministério do Trabalho e Previdência que antes fazia parte da pasta de Paulo Guedes

Mais novidade

Unifique (FIQE3) estreia na bolsa em queda de 1%

Mesmo com o IPO saindo próximo do piso, a Unifique tem uma estreia no vermelho, em dia negativo para a bolsa brasileira

Decisão unânime

Conselho do Magazine Luiza aprova aquisição da Kabum! por R$ 1 bilhão

A decisão inclui também o pagamento de R$ 2,5 bilhões por meio da emissão de 75 milhões de ações ordinárias da varejista em favor dos acionistas da empresa comprada

Carregar mais notícias
Carregar mais notícias
Fechar
Menu

Usamos cookies para guardar estatísticas de visitas, personalizar anúncios e melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar, você concorda com nossas políticas de cookies