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O Ibovespa teve uma segunda-feira (15) de bastante instabilidade, oscilando constantemente entre os campos positivo e negativo. E, em meio aos sinais mistos vindos do exterior e do front local, o índice fechou perto da estabilidade, com leve queda
A roda do Ibovespa girou sem parar nesta segunda-feira (15). Afinal, havia muita energia para ser gasta: tanto por aqui quanto no exterior, diversos fatores forneceram estímulo ao índice ao longo do dia.
Havia a Previdência — ou a falta de novidades em relação à tramitação da reforma até agosto. Havia a China — ou a ausência de uma leitura clara a respeito dos dados econômicos mais recentes do gigante asiático. E também havia as bolsas americanas — ou a inexistência de uma direção única dos índices de Nova York.
E em meio a esse cenário difuso, com inúmeros fatores que não possuíam leitura clara, o Ibovespa correu em círculos, oscilando entre perdas e ganhos ao longo do dia. E, ao fim do pregão, ficou praticamente no mesmo lugar: teve leve baixa de 0,10%, aos 103.802,69 pontos.
Ao longo do dia, o principal índice da bolsa brasileira oscilou entre os 103.494,84 pontos (-0,40%) e os 104.577,91 pontos (+0,65%), terminando a sessão com leve viés negativo — com isso, o Ibovespa engatou o terceiro pregão consecutivo em baixa.
O dólar à vista, por outro lado, mostrou tendência mais clara. Ainda durante a manhã, a moeda americana mostrou que teria um dia de maior pressão, encerrando a segunda-feira em alta de 0,48%, a R$ 3,7563.
O comportamento dos ativos brasileiros esteve bastante associado ao tom visto no exterior. E, lá fora, quem deu as cartas foi a China — ou, para ser mais preciso, a incerteza quanto aos impactos da guerra comercial ao país.
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Três importantes indicadores econômicos da China foram divulgados nesta madrugada: o PIB referente ao segundo trimestre de 2019 e os dados de produção industrial e vendas no varejo em junho. Só que os números foram inconclusivos quanto ao estado da economia do país asiático.
Por um lado, o PIB trouxe preocupação: a economia chinesa cresceu 6,2% no segundo trimestre deste ano, resultado que ficou abaixo das projeções de analistas e que representa o menor ritmo de crescimento trimestral nos últimos 27 anos.
Mas, por outro, a produção industrial e as vendas no varejo do país em junho ficaram acima do esperado, avançando 6,3% e 9,8% no mês, respectivamente — números que indicam uma recuperação na atividade do país.
Assim, os mercados trabalharam com duas correntes de interpretação ao longo do dia. Os pessimistas mostraram-se receosos quanto ao futuro da economia chinesa em meio à guerra comercial — e um certo tripúdio do presidente americano, Donald Trump, ao comentar o PIB chinês, cooperou para trazer desconforto às negociações.
Já os otimistas fizeram uma leitura diferente: o menor ritmo de crescimento da China reforça a leitura de que os principais bancos centrais do mundo devem entrar num ciclo coordenado de corte de juros, de modo a estimular as economias globais neste momento de instabilidade.
E qual o resultado dessa dualidade para as bolsas americanas nesta segunda-feira? Assim como o Ibovespa, os índices de Nova York correram, correram e correram — e também ficaram praticamente parados.
Só que, nos EUA, o tom foi ligeiramente positivo ao fim do dia: o Dow Jones teve alta de 0,10%, o S&P 500 avançou 0,02% e o Nasdaq subiu 0,17% — e, assim, os três índices renovaram suas máximas históricas de fechamento.
"Os dados da China deram a tônica às negociações em âmbito global, mas esse compasso de espera visto nos Estados Unidos também possui relação com o início da temporada de resultados trimestrais por lá", diz Victor Candido, economista da Journey Capital.
Os dados chineses também impactaram diretamente o Ibovespa, uma vez que o bom resultado da produção industrial do país animou as ações do setor de mineração e siderurgia, com destaque para Vale ON (VALE3), com ganho de 1,70% — as indústrias da China são grandes consumidoras de minério de ferro e produtos siderúrgicos.
Por aqui, a reforma da Previdência continua no radar dos agentes financeiros. Mas, assim como a questão da China, há duas leituras possíveis para a a confirmação de que a votação em segundo turno do texto no plenário da Câmara ficará apenas para agosto.
Se é inquestionável que o atraso no cronograma representa um ponto de incerteza quanto à tramitação da proposta, também é verdade que, com a conclusão da votação dos destaques, há a certeza de que o texto não sofrerá uma desidratação mais ampla, como era temido pelos mercados.
"[O atraso no cronograma] não é ideal, mas o mercado já entendeu que a aprovação de uma reforma razoável deve acontecer com certeza", pondera Candido, ressaltando que o exterior foi o principal fator de influência para as operações desta segunda-feira.
Essa pausa na Previdência motivou ajustes mais expressivos no câmbio — vale lembrar que o dólar à vista passou por forte alívio na semana passada, quando acumulou perdas de mais de 2%. Com isso, o real ficou na contramão das demais divisas emergentes, que se fortaleceram ante a moeda americana nesta segunda-feira.
Já a curva de juros fechou o dia com um ligeiro viés negativo, destoando do dólar. Na ponta curta, os DIs para janeiro de 2021 caíram de 5,59% para 5,56%; na longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 recuaram de 6,33% para 6,32%, enquanto as para janeiro de 2025 foram de 6,88% para 6,87%.
Na semana passada, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse que a aprovação, em primeiro turno, do texto-base da reforma da Previdência representava uma melhora no balanço de riscos considerado pela instituição, levando os mercados a reforçarem a leitura de que um ciclo de cortes na Selic será iniciada já na próxima reunião, no fim desse mês.
Além disso, a nova queda na expectativa de crescimento do PIB brasileiro em 2019 no boletim Focus, passando de 0,82% na semana passada para 0,81%, também alimenta a percepção de que a Selic terá de ser cortada para estimular a economia local — o que provoca ajustes à curva de juros.
Como já dito acima, a recuperação da produção industrial da China deu força às mineradoras e siderúrgicas do Ibovespa, mas não foi só isso. O minério de ferro fechou em alta de 1,85% nesta segunda-feira, o que também impulsionou as ações desse setor.
Além de Vale ON, destaque para as ações ON da CSN (CSNA3), que subiram 1,35%, e PN da Gerdau (GGBR4), com ganho de 1,43%.
Quem liderou a ponta positiva do Ibovespa, contudo, foi a ação ON da Via Varejo (VVAR3), que avançou 7,82%. O mercado seguiu reagindo bem às movimentações na diretoria da empresa, que recentemente passou às mãos de Michael Klein.
Desta vez, a companhia anunciou a contratação de Helisson Lemos, até então diretor de operações da Móvile — a dona do iFood. Ele exercerá o posto de Chief Digital Officer (CDO), ficando responsável por consolidar a transformação digital da empresa.
Lopes trabalhou por 17 anos no Mercado Livre, em que ocupou a presidência por sete anos.
Apesar dos ganhos das ações da Vale, as demais blue chips do Ibovespa — papéis de maior liquidez e grande peso individual na composição do índice — fecharam em queda, puxando a bolsa brasileira para baixo.
As ações da Petrobras terminaram o dia no campo negativo: as PNs (PETR4) caíram 1,23% e as ONs (PETR3) tiveram baixa de 1,68% — no exterior, tanto o petróleo Brent (-0,36%) quanto o WTI (-1,04%) tiveram perdas.
Entre os bancos, o sinal foi o mesmo: Itaú Unibanco PN (ITUB4) caiu 0,27%, Bradesco PN (BBDC4) recuou 0,42% e Banco do Brasil ON (BBAS3) teve baixa de 0,60%.
O BTG Pactual realizou apenas uma troca na sua carteira de ações para o mês de fevereiro. O banco retirou a Vale (VALE3), que deu lugar para Axia Energia (AXIA6). Além disso, os analistas também aumentaram sua posição em Caixa Seguridade (CXSE3), de 5% para 10%, e reduziram em B3 (B3SA3), de 10% para 5%. A carteira tem como objetivo […]
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