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O Ibovespa fechou em alta de mais de 1%, mostrando otimismo quanto à votação da reforma da Previdência. No exterior, as bolsas americanas também subiram — o Nasdaq renovou a máxima de encerramento
Mais uma sessão, mais um recorde: eis a rotina do Ibovespa durante quase todo o mês de julho — e esta quarta-feira (10) não foi diferente, com os agentes financeiros mostrando bastante confiança em relação à votação da reforma da Previdência na Câmara.
Os olhos dos mercados estiveram voltados para Brasília desde o início do dia, acompanhando atentamente as movimentações dos principais agentes políticos quanto às novas regras para a aposentadoria. E embora a votação do texto não tivesse começado até o encerramento das negociações, às 17h, o clima foi de amplo otimismo na bolsa.
Como resultado, o Ibovespa terminou o pregão em alta de 1,23%, aos 105.817,06 pontos, atingindo um novo recorde de fechamento — é a quinta sessão consecutiva em que atinge novas marcas históricas. No melhor momento do dia, o índice foi além e bateu os 106.650,12 pontos (+2,03%), chegando pela primeira vez ao patamar dos 106 mil pontos.
O Ibovespa, contudo, não foi o único índice acionário a conquistar marcas inéditas nesta quarta-feira. nos Estados Unidos, o Nasdaq fechou em alta de 0,75%, aos 8.202,53 pontos, e também renovou as máximas de fechamento — o S&P 500 (+0,45%) e o Dow Jones (+0,29%) subiram, mas sem tocar novos recordes de encerramento.
O dia também foi marcado por um forte alívio no mercado de câmbio. Por aqui, o dólar à vista terminou a sessão e queda de 0,77%, a R$ 3,7568 — é o menor nível para a moeda americana desde o fim de fevereiro.
Por aqui, o noticiário referente à Previdência dominou as atenções do mercado. A Câmara, afinal, encerrou a fase de discussão da reforma nesta madrugada, abrindo espaço para que o plenário começasse já hoje a votação do texto-base da proposta, em primeiro turno.
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E, com base nas sinalizações emitidas pelo governo ao longo dos últimos dias e no alinhamento no discurso dos principais agentes políticos, os agentes financeiros assumiram uma postura de otimismo desde os primeiros minutos do pregão, apostando firmemente na aprovação da pauta.
Caso a Previdência tenha uma margem relevante de apoio nessa primeira etapa, o presidente da Casa, Rodrigo Maia, já sinalizou que deve haver uma votação para a quebra de interstício. Ou seja: os deputados poderão derrubar a exigência de um intervalo de cinco sessões do plenário entre o primeiro e o segundo turno dos pleitos no plenário.
"Aí teríamos a tramitação da reforma dentro do cronograma mais aguardado, o que daria mais tração e fôlego ao texto", diz Rafael Passos, analista da Guide Investimentos, dizendo esperar que a primeira etapa da votação seja concluída já hoje.
Essa possibilidade traz ampla animação aos mercados já que, nesse cenário, o texto-base da Previdência seria definitivamente aprovado pelo plenário da Câmara antes do recesso do Congresso, com início no dia 18 — assim, na retomada dos trabalhos parlamentares, em agosto, a proposta já estaria pronta para ser debatido pelo Senado.
E o próprio Maia tem assumido uma postura que dá ânimo aos mercados. Nesta manhã, o presidente da Câmara disse estar "muito otimista" em relação à aprovação da reforma da Previdência na Casa.
Em relatório de análise gráfica, o Itaú BBA afirma que o Ibovespa possuía resistência ao redor dos 105 mil pontos — faixa rompida nesta quarta-feira. Vencido esse patamar, o banco afirma que o índice possui espaço para continuar subindo até os 120 mil pontos.
Do lado de baixa, o Itaú BBA identifica um suporte inicial perto dos 102.600 pontos e, caso esse nível seja perdido, o Ibovespa poderá cair e direção aos 101.700 pontos e, posteriormente, aos 100 mil pontos.
Já a corretora Bradesco corretora vê tendências menos intensas, enxergando os 107 mil pontos como objetivo inicial para o índice. Uma vez atingida essa pontuação, a corretora afirma que um movimento de realização de lucros pode ser desencadeado — e um primeiro apoio para o Ibovespa estaria ao redor dos 102.500 pontos.
Lá fora, o dia também foi marcado por amplo otimismo. O S&P 500 e o Dow Jones, embora não tenham acompanhado o Nasdaq e renovado as máximas de fechamento, atingiram novos recordes em termos intradiários.
No melhor momento da sessão, o Dow Jones chegou a subir 0,75%, aos 26.983,16 pontos, enquanto o S&P 500 tocou os 3.002,98 pontos (+0,78%) — é a primeira vez na história que o índice superou os 3 mil pontos.
Sinalizações do presidente do Federal Reserve (Fed), Jerome Powell, foram decisivas para trazerem essa onda de otimismo às bolsas americanas. O dirigente do banco central dos EUA prestou contas ao Congresso do país nesta tarde, mas adiantou sua fala inicial ainda durante a manhã — e o mercado gostou do que viu.
Powell afirmou que, desde a reunião de junho, as incertezas provenientes da guerra comercial continuam a pesar sobre o cenário econômico americano — e o menor crescimento econômico mundial também traz instabilidade ao panorama traçado pela instituição.
Os mercados entenderam a fala do presidente do Fed como um indicativo de que um corte de juros pelo BC americano está cada vez mais próximo, o que dá força às bolsas globais e aos ativos de risco.
"De forma geral, os BCs têm sido bem suaves, tanto na Europa quanto nos EUA", diz Passos. "Isso é positivo para o mercado de ações e para os emergentes, e o Brasil está muito bem posicionado para captar esse movimento".
Além do impacto sobre as bolsas, as declarações de Powell também mexeram de maneira intensa com o mercado global de câmbio. Lá fora, o dólar perdeu força de maneira generalizada, tanto em relação às principais divisas do mundo quanto às moedas de países emergentes e dependentes das commodities.
Nesse segundo grupo, estão inclusos o peso mexicano, o rublo russo, o peso colombiano, o rand sul-africano, o peso chileno e o dólar neozelandês — o real, assim, também aproveitou-se do contexto externo para continuar recuperando terreno ante o dólar.
Em meio a todo esse panorama, as curvas de juros fecharam em baixa, tanto na ponta curta quanto na longa. Os DIs para janeiro de 2021, por exemplo, caíram de 5,62% para 5,59%; no vértice mais extenso, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 recuaram de 6,40% para 6,31%, e as para janeiro de 2025 foram de 6,94% para 6,86%.
Também contribui para o ajuste negativo nos juros o resultado da inflação medida pelo IPCA em junho. O índice teve alta de 0,01% no mês passado, o menor percentual desde novembro de 2018, quando recuou 0,21%.
O resultado dá forças às leituras de que as pressões inflacionárias no Brasil estão sob controle, o que abre espaço para que o Banco Central (BC) corte a taxa Selic, de modo a estimular a economia local.
Esse cenário de juros em queda e otimismo em relação à tramitação da reforma deu forças às ações do setor de varejo. B2W ON (BTOW3) avançou 7,51% e liderou os ganhos do Ibovespa; nesse segmento, destaque também para Lojas Americanas PN (LAME4), com alta de 4,13%.
Ainda no setor de varejo, Magazine Luiza ON (MGLU3) e Lojas Renner ON (LREN3) avançaram 1,79% e 1,60%, respectivamente.
Outro fator que cooperou para o bom desempenho das bolsas globais foi a alta expressiva do petróleo: o Brent subiu 4,42% e o WTI avançou 4,50%, em meio à queda dos estoques da commodity nos Estados Unidos, o que aumenta a percepção de que a demanda tende a aumentar no curto prazo.
Com o petróleo no campo positivo, as ações da Petrobras mantiveram-se no azul desde o início do dia: os papéis PN (PETR4) tiveram ganho de 1,45%, enquanto as ONs (PETR3) valorizara 0,36%.
Ainda no campo das commodities, o minério de ferro recuou 0,5% hoje no porto chinês de Qingdao. No entanto, o minério havia subido 3% na segunda e 2,7% na terça — ontem, os mercados brasileiros estiveram fechados. Nesse contexto, as ações ON da Vale (VALE3) fecharam em alta firme de 2,32%, contribuindo de maneira decisiva para os ganhos do Ibovespa como um todo.
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