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Preços máximos estabelecidos para o leilão ficaram muito abaixo do esperado e participação da empresa se torna incerta
Os investidores da Eneva (ENEV3) tiveram uma surpresa amarga nesta terça-feira (10). A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou os preços máximos para o próximo leilão do setor elétrico, marcado para março, e os valores vieram longe do esperado.
A expectativa era que o governo aceitasse pagar valores mais altos pela energia termelétrica. Enquanto analistas projetavam preços em torno de R$ 250 por megawatt-hora, a Aneel fixou o teto em apenas R$ 128 para usinas já existentes e R$ 182 para novos projetos.
Essa diferença entre o que se esperava e o que foi decidido fez com que o otimismo em relação à Eneva evaporasse em pouco tempo. A separação entre projetos existentes e os novos foi uma surpresa a parte, já que o mercado nem esperava que tivesse essa divisão.
Na mínima intradia, as ações ENEV3 despencaram 19%, para R$ 17,70. Por volta das 12h37 (horário de Brasília), a queda tinha diminuído para 15%, com os papéis negociando a R$ 18,67.
Ruy Hungria, analista da Empiricus, afirma que a quebra de expectativa muda a análise que estava sendo feita para a empresa.
“O mercado estava colocando na conta um valor de receita, que seria obtido por meio do leilão. Agora, essa receita provavelmente será bem menor” disse.
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Há poucos dias, o clima para a Eneva era bastante positivo.
O próprio Hungria avaliava a Eneva “muito bem posicionada” para recontratar algumas de suas usinas importantes no leilão de março, com possibilidade de emplacar novos projetos (greenfield) e renovar suas usinas a carvão.
O UBS BB repetiu sua recomendação de compra para as ações ENEV3, projetando que o valor do papel poderia saltar dos R$ 20 para os R$ 27.
De modo geral, a empresa era vista como um nome forte para o leilão devido a vantagens que poucos concorrentes têm: a Eneva é dona de suas próprias reservas de gás natural.
Essa estrutura permite que a empresa produza energia com um custo muito menor do que companhias que precisam contratar gasodutos de terceiros para transportar o combustível.
Recentemente, o governo até facilitou as regras de transporte para outras empresas, mas os analistas acreditavam que a Eneva continuaria à frente.
O leilão era visto como o "combustível extra" que faria a empresa crescer nos próximos anos.
Com valores tão baixos, a rentabilidade que se imaginava para a Eneva foi reduzida. O Citi já calcula que o preço esperado para as ações deve sofrer um corte de pelo menos 20% em breve.
O grande medo agora é se a empresa conseguirá, ou se valerá a pena, participar do leilão com preços tão apertados. Para Hungria, a conta de receita que o mercado estava considerando que a Eneva poderia ter passa a ser muito mais incerta e isso se reflete no pregão do dia.
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