“Upsides pornográficos”: derrota de Lula nas eleições pode fazer a bolsa deslanchar, diz André Lion, da Ibiuna
Em painel na CEO Conference 2026, do BTG Pactual, o CIO da Ibiuna afirmou que uma eventual alternância de poder pode destravar uma reprecificação relevante dos ativos e pressionar os juros reais para baixo

“Se houver alternância de poder, os upsides para a bolsa são pornográficos”. É assim que André Lion, Sócio e CIO da Ibiuna Investimentos, define o cenário esperado para a renda variável no Brasil caso o presidente Lula não consiga emplacar um quarto mandato nas eleições presidenciais deste ano.
A declaração foi feita nesta quarta-feira (11) durante a CEO Conference 2026, em painel mediado por Roberto Sallouti, CEO do BTG Pactual. A conversa contou com a presença de Leonardo Linhares, sócio da SPX Investimentos, e William Dominice, sócio do BTG Pactual Asset Management — que concordaram com a visão de Lion.
Para o trio de gestores, uma guinada à direita no comando do país poderia elevar a confiança do investidor e pressionar os juros reais para baixo, abrindo espaço para uma reprecificação relevante dos ativos locais.
Dada a situação atual da bolsa, com a baixa alocação do investidor local, qualquer realocação de poupança ou renda fixa para ações teria um forte impacto nos preços.
E se Lula ganhar?
Em contrapartida, o CIO da Ibiuna também não espera que a continuidade do governo seja tão desastrosa quanto parte do mercado acredita. Na visão do gestor, um eventual Lula 4 seria “mais do mesmo” e, caso os investidores passem a precificar um cenário mais negativo, despontariam boas oportunidades para comprar barato na bolsa.
Linhares, da SPX, por outro lado, parece mais preocupado com a possibilidade o governo se manter no poder. “Eu não dormiria tranquilo com mais quatro anos desse governo”, afirmou.
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Na avaliação dele, o risco é o investidor estrangeiro perder a paciência com o Brasil caso a Selic permaneça elevada por muito mais tempo, o que poderia acontecer com um governo Lula pouco comprometido com o ajuste fiscal. Cabe lembrar que é justamente o fluxo gringo que vem impulsionando o Ibovespa a bater uma série de recordes.
Ainda assim, Linhares diz enxergar espaço para otimismo. “No fim das contas, começa a se desenhar um cenário em que o Lula parece mais frágil do que se imaginava”, afirmou. O gestor pondera, porém, que o quadro pode mudar nos meses que antecedem a eleição, à medida que a campanha ganha tração.
O CEO do BTG também deu sua visão sobre o tema. “A continuidade da política fiscal e da trajetória da dívida está contratada. Se o atual governo permanecer, não deve haver grandes impactos no mercado. Se houver alternância, a bolsa pode ter uma performance assimétrica”, destacou em comentário rápido durante a conversa.
Para quais setores olhar na bolsa?
Na avaliação de Dominice, do BTG Pactual, as melhores oportunidades no momento não estão, necessariamente, nas ações de maior capitalização que concentram o investimento gringo e vêm puxando o Ibovespa.
Como o capital externo costuma entrar por meio de estratégias passivas — replicando carteiras de referência da bolsa brasileira — ele acaba concentrado nas empresas que respondem por cerca de metade da composição do Ibovespa.
Já os nomes fora desse bloco, mesmo com fundamentos sólidos, não acompanharam o rali na mesma intensidade e é nesse descolamento que há espaço para “geração de alfa”.
“Estou falando de nomes como Localiza (RENT3). Ou seja, não são necessariamente small caps ou mid caps, mas não estão presentes nos índices com tanta representatividade como os pesos-pesados da bolsa. Chegou a hora de ser mais stock picker”, disse.
Linhares, da SPX, concorda com a dificuldade de enxergar oportunidades nos nomes mais óbvios da bolsa. Para comparar barato, ele defende olhar para exportadoras com fundamentos sólidos, mas que ainda não ganharam valor com o fluxo recente.
Ele citou a Suzano (SUZB3) como exemplo: apesar do cenário mais fraco para a celulose, a empresa estaria barata quando comparada a pares globais: “se você a comparar com qualquer empresa parecida no mundo, está de graça”, afirmou.
O sócio da SPX também ponderou que o setor de utilities, que sustentou parte do rali nos últimos anos, hoje oferece menos oportunidades. Para o gestor, o mercado já embutiu um fechamento relevante dos juros reais — entre 200 e 250 pontos-base — o que diminui o potencial de valorização dessas ações e torna a seleção mais difícil e específica.
Lion, por sua vez, reforçou uma postura mais conservadora na seleção de ativos. "Eu quero as melhores empresas de cada setor. Normalmente, as maiores são as melhores", afirmou, justificando sua cautela com as small caps devido ao cenário de juros reais que deve permanecer em patamares elevados mesmo com os cortes esperados a partir de março.
Para o CIO da Ibiuna, o foco deve estar na liquidez e na resiliência à atividade econômica, preferindo companhias que consigam atravessar a incerteza sobre o futuro da economia brasileira, com vantagens comparativas claras.
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