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Olivia Bulla

Olivia Bulla

Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).

A Bula do Mercado

Mercado se ajusta aos BCs

Fed sinaliza pausa no ciclo de cortes e Copom indica mais uma queda na Selic em dezembro

Olivia Bulla
Olivia Bulla
31 de outubro de 2019
5:38 - atualizado às 9:37
Roberto Campos neto
Dados fracos de atividade na China e dúvida com acordo comercial marcam último pregão do mês - Imagem: Raphael Ribeiro/BCB

Enquanto o Federal Reserve (Fed) sinalizou que não deve mexer nos juros norte-americanos tão cedo, o Comitê de Política Monetária (Copom) foi bem claro ao indicar que haverá mais um corte de 0,50 ponto na Selic em dezembro, após reduzir a taxa para 5% ontem. Depois, porém, o Banco Central brasileiro também pode encerrar o ciclo.

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E o mercado financeiro faz os ajustes necessários a esses prognósticos neste último pregão do mês. Lá fora, os índices futuros das bolsas de Nova York amanheceram em alta e o dólar, em queda. O mercado não gostou da sinalização feita por Jerome Powell, presidente do Fed, em seu discurso de ontem. Apesar de ele ter anunciado mais um corte na taxa de juros, Powell indicou que fará uma parada técnica na política de cortes. Ele disse que agora é necessária uma “mudança material” para justificar outro corte na taxa de juros norte-americana.

Segundo ele, o Fed irá adotar a postura de “esperar para ver” como a economia dos Estados Unidos reage à terceira redução seguida no custo do empréstimo no país. Ainda assim, muitos esperam uma retomada do ciclo de cortes em 2020, diante da expectativa de desaceleração da atividade no ano que vem, o que mantém o apetite por risco elevado.

Já o BC do Japão (BoJ) disse hoje, ao final da reunião de política monetária, que vai manter a taxa de juros baixa (ou ainda menor), mas sem dar nenhuma pista. Aliás, a sessão na Ásia foi mista - o que contamina a abertura do pregão europeu - com Tóquio e Hong Kong subindo, enquanto Xangai caiu, reagindo à queda da atividade manufatureira na China para o menor nível em oito meses.

Entre atividade e BCs

O índice oficial dos gerentes de compras (PMI) da indústria chinesa caiu a 49,3 em outubro, de 49,8 em setembro, seguindo abaixo do território que indica expansão da atividade pelo sexto mês seguido. A previsão era de estabilidade no dado. Já o PMI chinês sobre o setor de serviços caiu ao menor nível desde fevereiro de 2016, a 52,8, de 53,7, no período.

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Os números elevaram a preocupação quanto à perda de tração da segunda maior economia do mundo, ao passo que as esperanças de um acordo comercial sofreram novo revés. O cancelamento da cúpula de países da Ásia-Pacífico, que aconteceria no Chile no mês que vem, deixou dúvidas quanto à assinatura de um acordo de primeira fase entre EUA e China.

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E mesmo que um acordo comercial fosse alcançado, impedindo a adoção de novas tarifas, isso provavelmente não ajudaria a economia chinesa. É necessário um esforço adicional de Pequim para estimular a atividade, que vem sofrendo pressão descendente. A flexibilização monetária por outros bancos centrais pode levar o BC chinês (PBoC) a agir.

No Brasil, a principal mensagem deixada pelo Copom ontem é de que o “cenário benigno” da inflação deve permitir um “ajuste adicional, de igual magnitude” na Selic na última reunião deste ano, em dezembro, quando, então, o ciclo de cortes deve chegar ao fim, tendo em vista a recuperação mais intensa da economia doméstica.

Essa sinalização surpreendeu aqueles que achavam que o juro básico brasileiro poderia cair ainda mais no início do ano que vem, indo a 4% ou menos. Com isso, cabe um ajuste hoje no mercado doméstico, principalmente na curva de juros futuros, respingando o movimento no comportamento do dólar e da Bolsa brasileira. Ontem, a moeda norte-americana voltou a fechar abaixo de R$ 4,00, enquanto o Ibovespa cravou novo recorde histórico.

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Agenda segue cheia

A agenda econômica desta quinta-feira segue carregada no Brasil e no exterior. Por aqui, destaque para os dados sobre o mercado de trabalho no país, atualizados até setembro.

Apesar da previsão de queda na taxa de desocupação para 11,6%, o total de pessoas em busca de emprego deve seguir levemente abaixo de 13 milhões, ao passo que a informalidade tende a continuar em níveis históricos, somando mais de 35 milhões de pessoas que ou trabalham sem carteira assinada ou por conta própria.

Os números efetivos serão divulgados às 9h pelo IBGE. Depois, às 10h30, o Banco Central publica a nota de política fiscal, com os dados consolidados do setor público em setembro. Na safra de balanços, merecem atenção os resultados trimestrais do banco Bradesco e da companhia área Gol, antes da abertura do pregão local.

Já no exterior, o calendário norte-americano traz os dados sobre a renda pessoal e os gastos com consumo em setembro, às 9h30, juntamente com o índice de preços PCE. No mesmo horário, saem os pedidos semanais de seguro-desemprego feitos nos EUA.

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Logo cedo, na zona do euro, saem as leituras preliminares do índice de preços ao consumidor (CPI) em outubro e do Produto Interno Bruto (PIB) na região no terceiro trimestre deste ano. Também será conhecida a taxa de desemprego na zona do euro em setembro.

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