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Olivia Bulla

Olivia Bulla

Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).

A Bula do Mercado

Dados fecham semana agitada por BCs

Produção industrial no Brasil e criação de emprego nos EUA calibram apostas sobre rumo dos juros em 2020, após sinalizações do Fed e Copom nesta semana

Olivia Bulla
Olivia Bulla
1 de novembro de 2019
5:29 - atualizado às 9:36
Touro com óculos na frente do logo da B3, bolsa brasileira | Ibovespa
Dúvidas sobre guerra comercial resgatam cautela nos negóciosImagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Já é novembro e o penúltimo mês de 2019 começa trazendo como destaque dados sobre a atividade no Brasil e o emprego nos Estados Unidos. Após as sinalizações do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve (Fed) nesta semana, os números tendem a calibrar as apostas sobre o rumo dos juros em 2020. Afinal, o mercado financeiro ainda não se convenceu de que os estímulos por parte de ambos os BCs terminam neste ano.

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Lá fora, os ruídos em torno da assinatura do acordo comercial de primeira fase entre Estados Unidos e China neste mês reforçam a expectativa de que o ciclo de cortes do Fed terá de ser retomado no ano que vem, em meio à desaceleração da economia e às chances remotas de um entendimento sino-americano de longo prazo. Por aqui, o debate é se a última queda da Selic será em dezembro ou se cabem ajustes adicionais no início de 2020.

Essas incertezas provocaram ajustes nos ativos domésticos ontem, com o dólar voltando a ser negociado acima de R$ 4,00, e também em Wall Street, o que penalizou o Ibovespa - influenciado também pelo balanço do Bradesco. Já neste primeiro dia do novo mês, os mercados no exterior resgatam o otimismo, antes dos dados de emprego nos EUA e apesar de a China afirmar que não irá tratar de assuntos espinhosos na negociação comercial.

A maioria das bolsas da Ásia fechou em alta, enquanto os índices futuros das bolsas de Nova York e na Europa indicam uma sessão de ganhos. Os investidores relegam as dúvidas quanto a um acordo comercial abrangente entre EUA e China e se apoiam na expansão da indústria chinesa pelo terceiro mês consecutivo. O indicador calculado pelo Caixin subiu ao maior nível em 32 meses em outubro, a 51,7, de 51,4 em setembro.

O número se contrasta com o indicador oficial, que apontou recuo da atividade industrial na China pelo sexto mês seguido no mesmo período, e mostra que a melhora foi impulsionada pelos novos pedidos de exportação, que atingiram o maior nível desde fevereiro de 2018, além da confiança dos negócios nos próximos 12 meses. Em reação, Xangai subiu quase 1%, enquanto Hong Kong avançou 0,65%. Tóquio, por sua vez, recuou 0,3%.

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Nos demais mercados, o petróleo está na linha d’água, dividido entre cortes de produção nos Estados Unidos e ganhos de oferta na Arábia Saudita, assim como o ouro. Entre as moedas, o dólar perde terreno para o euro e a libra, bem como para moedas correlacionadas às commodities, como o xará australiano.

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Indústria e payroll em destaque

A agenda econômica desta sexta-feira começa com os números da produção industrial brasileira, que deve crescer pelo segundo mês consecutivo, em +0,8% em setembro em relação a agosto. Na comparação com um ano antes, a atividade deve interromper uma sequência de três resultados negativos seguidos e avançar 1,5%.

Os números efetivos serão divulgados às 9h e também devem lançar luz sobre o desempenho da indústria no terceiro trimestre deste ano. Antes, sai o índice de preços ao consumidor (IPC) da FGV em outubro (8h) e, depois, é a vez dos indicadores da CNI para a indústria (11h). À tarde, têm os dados da balança comercial no mês passado (15h).

Já o relatório de emprego nos EUA (payroll) deve mostrar a criação de 100 mil postos de trabalho em outubro, com a taxa de desemprego subindo de 3,5% para 3,6%. A previsão é de que os números sejam impactados pela greve na General Motors (GM), que começou em meados de setembro e durou cerca de 40 dias.

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Seja como for, o payroll deve confirmar que está em curso uma desaceleração nas contratações, porém, ainda sem impactar no ganho médio por hora. A previsão para os salários é de alta de 0,2% em base mensal e de +3% em base anual. Ainda na agenda econômica norte-americana, saem dados da indústria e da construção civil, às 11h.

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