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Olivia Bulla

Olivia Bulla

Olívia Bulla é jornalista, formada pela PUC Minas, e especialista em mercado financeiro e Economia, com mais de 10 anos de experiência e longa passagem pela Agência Estado/Broadcast. É mestre em Comunicação pela ECA-USP e tem conhecimento avançado em mandarim (chinês simplificado).

A Bula da Semana

A Bula da Semana: Mercados entre a guerra e a reforma

Guerra comercial entre EUA e China deve manter a volatilidade no mercado financeiro, mas ativos locais estão atentos à votação da reforma da Previdência na Câmara

Olivia Bulla
Olivia Bulla
5 de agosto de 2019
5:00 - atualizado às 9:44

Os mercados financeiros devem se preparar para mais uma semana em que a única certeza é a volatilidade. A disputa comercial e geopolítica entre Estados Unidos e China levou Wall Street ao pior desempenho semanal do ano, sendo que os ativos de risco no exterior devem continuar oscilando ao sabor do conflito nos próximos dias.

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Os negócios locais não deve ficar alheios a essa turbulência, mas também têm seus próprios temas a monitorar. Após o Banco Central deixar a porta aberta para novas quedas dos juros básicos, o que contrata um novo corte de 0,50 ponto na Selic em setembro, o foco se volta para o Congresso Nacional, que retoma as atividades amanhã.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, marcou para esta terça-feira o início da votação em segundo turno da reforma da Previdência. Caso sejam necessárias, o plenário da Casa já está reservado para apreciação da matéria também na quarta e na quinta-feira. O objetivo é concluir a aprovação nesta semana, encaminhando a pauta ao Senado.

Com isso, espera-se que a tramitação da reforma da Previdência seja concluída no Congresso ao longo deste terceiro trimestre, sem diluições adicionais em relação à versão atual. Entre os investidores, a expectativa é de que o texto aprovado traga uma economia ao redor de R$ 900 bilhões nos próximos dez anos.

No front puramente macroeconômico, os destaques da semana ficam com a ata da reunião da semana passada do Comitê de Política Monetária (Copom), amanhã, e a inflação de julho medida pelo IPCA, na quinta-feira. Também merecem atenção o dados de atividade em junho sobre o varejo e o setor de serviços. (Veja detalhes mais abaixo).

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E os mercados?

Encaminhada tal questão sobre as novas regras para aposentadoria, a reforma tributária deve entrar no radar dos parlamentares, que devem continuar querendo ser os protagonistas da agenda econômica. Independente de quem assumir a “paternidade”, o avanço das reformas tende a abrir espaço adicional para valorização dos ativos locais.

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Nesse caso, o Ibovespa pode continuar buscando novas máximas, enquanto os juros renovam pisos históricos. Ainda assim, chama atenção o fato de os investidores estrangeiros terem retirado cerca de R$ 6,5 bilhões em recursos da Bolsa apenas em julho, no maior saldo negativo mensal do ano, atrás apenas do recorde apurado em maio de 2018.

No ano, os “gringos” já sacaram R$ 10 bilhões da renda variável local. Tal movimento explica, em parte, o porquê o dólar não consegue se firmar abaixo da marca de R$ 3,80 e também o porquê a qualquer sinal maior de estresse no exterior, a moeda norte-americana se aproxima da faixa de R$ 3,90.

Resta saber quanto mais o Ibovespa consegue avançar na faixa dos 100 mil pontos, em meio à ausência dos “gringos” na ponta compradora, bem como o quanto a posição defensiva (hedge) em dólar pode atrapalhar a queda da moeda norte-americana para níveis mais próximos a R$ 3,70 - ou menos. Ainda mais na “nova era” de juros baixos no país...

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Fed sob pressão

Se as coisas por aqui parecem bem “azeitadas”, o mesmo não se pode dizer em relação ao cenário internacional. Depois que o Federal Reserve decepcionou até mesmo o presidente Donald Trump, ao sinalizar que o corte de 0,25 ponto foi uma correção de rota, os investidores torcem para que o Fed esteja errado e inicie um longo ciclo de baixa.

Trump de uma “ajudazinha”, ao anunciar a implantação de tarifas de 10% sobre US$ 300 bilhões em produtos chineses importados aos Estados Unidos, dizendo que podem subir até 25%, e com vigência a partir de 1º de setembro. A China já disse que irá retaliar. Apesar de não ter detalhado as medidas a serem tomadas, não há chance de Pequim recuar.

A próxima rodada de negociação entre as duas maiores economias do mundo deve acontecer em setembro. Apesar de dizer que as coisas estão indo “bem” com a China, Trump estragou as expectativas mais otimistas quanto a um acordo após a nova tarifação. Aliás, essas idas e vindas sobre a guerra comercial têm sido citadas pelos bancos centrais.

Enquanto o líder norte-americano parece brincar com o mundo, sob a retórica protecionista, a atividade econômica global continua mostrando que os desafios ao crescimento seguem elevados. Por isso, os mercados financeiros devem passar a semana tentando avaliar a postura dos bancos centrais, diante das incertezas vivenciadas no cenário global.

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E se o Fed ainda não sabe o que está fazendo, não é difícil adivinhar o que a autoridade monetária terá de fazer, agora que Trump reativou a guerra comercial. A escalada da disputa com a China deve levar o BC dos EUA a dar apoio econômico completo à atividade doméstica dentro de pouco tempo, enquanto um acordo tende a ficar mais distante…

Aliás, a fraca agenda econômica no exterior nesta semana traz como destaque os números da balança comercial chinesa, ainda sem data definida. Dados de atividade na Europa e no EUA também ajudam a avaliar o impacto da guerra comercial, enquanto alguns dirigentes do Fed discursam.

Confira a seguir os principais destaques desta semana, dia a dia:

Segunda-feira: A tradicional pesquisa Focus do Banco Central abre a semana (8h25), com as previsões atualizadas do mercado financeiro para as principais variáveis macroeconômicas do país. Destaque para as estimativas para a taxa básica de juros (Selic), após o início do processo de afrouxamento monetário na semana passada. No exterior, dados de atividade na Europa e nos EUA merecem atenção.

Terça-feira: A ata da reunião de julho do Comitê de Política Monetária (Copom) é o destaque do dia. O documento pode trazer sinais em relação ao tamanho do ciclo de cortes, que passaram a situar a Selic entre 5,25% e 4,75% até o fim do ano, após a queda de 0,50 ponto ao final do mês passado. Também merece atenção a retomada dos trabalhos legislativos, à espera da votação da reforma da Previdência em segundo turno na Câmara. Lá fora, o foco recai no discurso do presidente do Fed de Saint Louis, James Bullard.

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Quarta-feira: O desempenho do comércio varejista brasileiro em junho deve ajudar a dar o tom das estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre deste ano, com riscos crescentes de o país voltar à recessão técnica. Além disso, mais um dirigente do Fed discursa, o comandante da distrital de Chicago, Charles Evans.

Quinta-feira: O cenário benigno da inflação favorece um ajuste adicional no juro básico e o resultado de julho do índice oficial de oficial de preços ao consumidor (IPCA) deve mostrar números ainda confortáveis, sem maiores pressões. A China também informa os números dos preços ao consumidor (CPI) no mês passado. No mesmo dia, saem a leitura atualizada da safra agrícola brasileira e o resultado de julho do IGP-DI.

Sexta-feira: Ao lado das vendas no varejo, o resultado do setor de serviços em junho é relevante para medir o desempenho da economia brasileira ao final do semestre passado. Nos EUA, sai o índice de preços ao produtor (PPI) em julho. Sem data confirmada, é esperada a divulgação dos números da balança comercial chinesa em julho, mostrando o impacto da guerra de tarifas no país.

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