Compra da Ticket pelo Itaú deve ter restrições
A ideia do relator e de conselheiros que tendem a acompanhá-lo no julgamento é evitar que o Itaú retire do mercado concorrentes menores

O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pode impor restrições à compra de parte da Ticket Serviços pelo Itaú, anunciada em setembro. Segundo o Estadão/Broadcast apurou, o relator do processo, João Paulo de Resende, deverá apresentar voto com sugestão de "remédios" para o negócio, mas o conselho está dividido e alguns defendem a aprovação sem restrições.
A ideia do relator e de conselheiros que tendem a acompanhá-lo no julgamento é evitar que o Itaú, ao se aproveitar da sua capilaridade para oferecer os serviços da Ticket, retire do mercado concorrentes menores. A oferta de benefícios ao trabalhador, como vale-refeição e vale-alimentação, já é considerada muito concentrada.
Pelo menos dois conselheiros devem votar pelas restrições, além do relator. Se esse quadro se confirmar, a decisão pode caber ao presidente.
A operação daria vantagens ao Itaú, como utilizar contratos com empresas para gestão de folha de pagamento e benefícios. A Ticket é uma das principais empresas do mercado de benefícios, ao lado de Sodexo e Alelo. O conselho acompanha com lupa o movimento de bancos, principalmente relacionados às "maquininhas" de pagamento. Como o Itaú também é dono da Rede e da Credicard, há o temor de uma "oligopolização" envolvendo também os benefícios, com as empresas ligadas ao Itaú, de um lado, e as da parceria entre Banco do Brasil e Bradesco (Cielo, Elo e Alelo) de outro.
Aprovação. A compra de 11% da Ticket pelo Itaú chegou a ser aprovada pela Superintendência-Geral do Cade, em março. A superintendência é a instância responsável por dar o aval a operações consideradas mais simples. Mesmo depois de aprovados, porém, os negócios podem ser reavaliados no tribunal do órgão. Foi o que o ocorreu nesse caso, reaberto depois de a União Nacional de Entidades do Comércio e Serviços (Unecs) contestar o negócio.
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O acordo entre Itaú e Ticket dá ao banco direito de exclusividade de distribuição dos produtos Ticket Restaurante, Ticket Alimentação, Ticket Cultura e Ticket Transporte aos clientes pessoas jurídicas do banco.
"A Ticket continuará a distribuir seus produtos por meio de outros acordos comerciais e permanecerá sob controle e gestão da Edenred", afirmou o comunicado divulgado em setembro. A Edenred, listada na bolsa de Paris, possui no Brasil sob a marca Ticket cerca de 70 mil clientes corporativos e 270 mil estabelecimentos comerciais credenciados. O Itaú disse que a compra de participação na Ticket Serviços é "pró-competitiva".
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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