Sinais de fraqueza da economia dos EUA derrubam o dólar a R$ 4,08; Ibovespa fecha em alta
O setor de serviços dos EUA teve um desempenho abaixo do esperado em setembro, o que mexeu com a confiança do mercado e fez o dólar perder força em escala global

Os mercados já estavam com a pulga atrás da orelha. No início da semana, dados da indústria dos EUA ficaram abaixo do esperado e acenderam um sinal de alerta: será que a economia americana está começando a desacelerar? Pois nesta quinta-feira (2), mais um indicador reforçou essa tese — e, como resultado, o dólar caiu forte.
No segmento à vista, a moeda americana recuou 1,08%, terminando o dia cotada a R$ 4,0890 — é o menor nível de encerramento desde 13 de setembro (R$ 4,0865). Em termos percentuais, foi a maior queda numa mesma sessão em quase um mês: em 3 de setembro, o dólar terminou em baixa de 1,76%.
O comportamento do mercado de câmbio local ficou em linha com o visto lá fora: o dia foi de enfraquecimento generalizadas do dólar em comparação com as moedas de países emergentes, como o peso chileno, o rublo russo, o peso mexicano e o rand sul-africano, entre outras.
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E mesmo na comparação com as divisas fortes, a sessão foi de enfraquecimento do dólar. O índice DXY, que mede o desempenho da moeda americana em relação a uma cesta com as principais divisas do mundo — como o euro, a libra e o iene, entre outras — caiu 0,12%.
Todo esse alívio nas negociações de câmbio se deve à divulgação, nesta manhã, do índice de atividade do setor de serviços dos EUA. O indicador caiu de 56,4 em agosto para 52,6 em setembro — resultado bastante abaixo da expectativa dos analistas consultados pelo Wall Street Journal, que previam uma baixa menos intensa, para 55,3.
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O dado do setor de serviços, assim, juntou-se aos números mais fracos da indústria americana: no início da semana, foi reportado que o índice de atividade industrial do país caiu para 47,8 em setembro, o nível mais baixo desde junho de 2009.
Esses dois indicadores, em conjunto, aumentaram a tensão dos mercados em relação ao estado da economia dos EUA — o país vinha conseguindo sustentar dados relativamente sólidos, em meio à desaceleração vista na China e na Europa. Os números atuais, contudo, indicam que a atividade americana também começa a patinar.
Desdobramentos nas bolsas
Num primeiro momento, a divulgação do dado mais fraco do setor de serviços nos EUA trouxe enorme pessimismo aos mercados acionários globais: pouco depois das 11h00, o Ibovespa chegou a cair 1,19%, aos 99.826,30 pontos — o índice não aparecia abaixo dos 100 mil pontos desde 4 de setembro.
No entanto, o Ibovespa rapidamente se recuperou e, por volta das 12h20, bateu os 101.560,23 pontos (+0,52%), num movimento em linha com o visto lá fora: o Dow Jones, o S&P 500 e o Nasdaq também viraram para o campo positivo, após terem chegado a cair mais de 1% logo após a publicação do dado do setor de serviços.
Essa recuperação se deve à leitura de que, em meio à fraqueza sinalizada pela economia americana nesta semana, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) será forçado a promover mais cortes de juros, de modo a estimular a atividade no país.
Em linhas gerais, juros mais baixos reduzem a atratividade da renda fixa, obrigando os investidores que querem continuar obtendo rendimentos interessantes a procurar alternativas mais arriscadas — entre elas, as ações. Assim, essa perspectiva de corte de taxas nos EUA deu impulso às bolsas.
No entanto, no meio da tarde, o Ibovespa e as bolsas americanas seguiram caminhos diferentes. Enquanto os índices de Nova York mantiveram-se em alta firme, o mercado acionário brasileiro perdeu força e se aproximou da estabilidade.
Tudo isso porque o noticiário político acabou trazendo preocupação aos agentes financeiros locais. Por aqui, não foi bem recebida uma declaração do senador Chico Rodrigues (DEM-RJ), um dos vice-líderes do governo na Casa.
De acordo com ele, a votação da reforma da Previdência em segundo turno pelo Plenário do Senado não acontecerá antes do dia 22 de outubro — os mercados trabalhavam com um cronograma que estabelecia o dia 15 como data-limite para esta etapa.
Nesse cenário, o Ibovespa permaneceu perto do zero a zero praticamente até o fim do dia. No entanto, durante o leilão de fechamento, um movimento comprador acabou dando força ao índice — que, como resultado, conseguiu encerrar a sessão com alta de 0,48%, aos 101.516,04 pontos.
Assim, a bolsa brasileira acabou fechando o dia mais ou menos em linha com os mercados americanos: o Dow Jones subiu 0,47%, o S&P 500 avançou 0,80% e o Nasdaq teve ganho de 1,12%.
Juros recuaram
A baixa mais intensa no dólar à vista fez com que a curva de juros também passasse por uma correção negativa nesta quinta-feira: na ponta curta, os DIs para janeiro de 2021 caíram de 4,94% para 4,88%; na longa, as curvas com vencimento em janeiro de 2023 recuaram de 6,05% para 5,98%, e as para janeiro de 2025 foram de 6,67% para 6,61%.
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