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Dependendo do resultado da apuração, a Gafisa poderá tomar medidas de ressarcimento de eventuais danos, disse hoje o novo presidente da companhia Roberto Luz Portella

A nova gestão da Gafisa vai investigar as decisões tomadas no turbulento período em que a incorporadora foi administrada pela gestora GWI, do investidor Mu Hak You.
Dependendo do resultado da apuração, a Gafisa poderá tomar medidas de ressarcimento de eventuais danos, disse hoje o novo presidente da companhia Roberto Luz Portella.
As decisões atabalhoadas da GWI à frente da companhia foram amplamente noticiadas aqui no Seu Dinheiro. Ao assumir a gestão, a GWI usou parte do caixa da empresa para recomprar ações da própria empresa. Mesmo assim as cotações da empresa na bolsa despencaram.
A decisão de investigar a GWI foi aprovada em assembleia de acionistas da incorporadora realizada hoje pela manhã. Inicialmente, estava prevista a suspensão dos direitos da gestora.
"Mas a medida agora seria inócua, uma vez que a GWI não é mais acionista da empresa", afirmou Portella, em entrevista logo depois da assembleia.
A Gafisa também pretende apurar o processo de cisão da Tenda, incorporadora voltada ao segmento de baixa renda, que foi realizada antes da entrada da GWI.
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"Temos indícios de que a cisão da Tenda foi uma fraude", afirmou Aurélio Valporto, presidente da Associação dos Investidores Minoritários do Brasil.
Os acionistas da Gafisa também aprovaram a proposta de aumento de capital, dentro do limite autorizado pelo estatuto. A empresa pode emitir até 26 milhões de ações, o que renderia pouco mais de R$ 200 milhões ao caixa, se considerarmos a cotação de fechamento de sexta-feira na B3.
As condições da capitalização serão definidas até amanhã, mas a ideia é que haja estímulo para acionistas participarem. "Nós precisamos desse dinheiro e temos que mostrar ao mercado que a empresa tem o apoio dos investidores", afirmou Portella. O laudo que determinou o preço por ação na operação, que é restrita aos acionistas da companhia, foi feito pela Eleven Research.
A incorporadora fará uma segunda convocação da assembleia de hoje para permitir um aumento no limite de ações e uma nova capitalização no futuro.
A empresa também foi autorizada a captar até US$ 150 milhões com a emissão de debêntures conversiveis em ações.
Os acionistas da Gafisa aprovaram hoje a indicação dos novos membros para o conselho de administração, incluindo o nome de Nelson Tanure.
O polêmico empresário possui hoje apenas 500 ações da empresa, mas já manifestou interesse em adquirir ações no aumento de capital. O mais provável é que ele negocie a entrada na operação com a Planner, hoje a principal acionista da companhia.
Dependendo de quantas ações Tanure comprar nos dois aumentos de capital previstos, é provável que ele passe a deter ações suficientes para ditar os rumos da empresa.
O novo presidente da Gafisa negou a possibilidade de a empresa entrar com pedido de recuperação judicial. "Nenhum plano B nem C contempla essa hipótese", disse Portella.
Ele ponderou que isso não significa que a empresa não vá contestar dívidas que carrega hoje no balanço.
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