Mickey de malas prontas? Aprovação de lei antiaborto pode tirar produções da Disney (e de outras gigantes) da Geórgia
Para o CEO da Disney, Bob Iger, continuar no Estado da Geórgia será impraticável se a lei antiaborto entrar em vigor pois funcionários não querem permanecer trabalhando no local

As coisas podem ficar complicadas para o Estado americano da Georgia se os políticos locais decidirem seguir com a lei antiaborto assinada no início do mês. Após a Netflix anunciar que pode deixar o Estado, agora foi a vez do CEO da Disney, Bob Iger, dizer que seria muito difícil continuar utilizando o local para a produção dos seus filmes.
A lei, que deve entrar em vigor em janeiro, foi assinada no último dia 7por Brian Kemp, governador da Geórgia. E, se passar por todas as fases legais, restringirá o acesso de mulheres ao aborto. O procedimento não será mais possível após a detecção de batidas cardíacas no feto, o que normalmente ocorre na 6ª semana de gestação, tempo inferior ao que muitas mulheres levam para descobrir a gravidez.
Para Iger, continuar no Estado após a aprovação da lei "seria impraticável". Em entrevista à Reuters, o CEO da Disney comentou que muitas das pessoas que hoje trabalham na produção dos filmes não querem continuar no Estado e já avisou: a companhia está estudando o assunto cuidadosamente.
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Você pode não até não saber, mas são nos estúdios da Geórgia que a maior parte da magia hollywoodiana acontece. Foi no Estado que a Disney filmou alguns dos seus mais recentes sucessos, como Pantera Negra e Vingadores: Ultimato.
A escolha de diversas produtoras pelo Estado não é só coincidência. A Geórgia oferece grandes desonerações tributárias aos estúdios, se tornando um dos oásis do entretenimento americano. E se só as declarações do Mickey já deveriam acender o sinal de alerta, a situação fica ainda pior para a indústria local. Outros atores e produtores já haviam indicado que deixariam o local se a lei realmente entrar em vigor.
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A Netflix foi uma das gigantes que não se manteve calada e foi uma das primeiras a se pronunciar. Na terça-feira (28), o serviço de streaming, que tem investido pesado no desenvolvimento de conteúdo original, disse que repensaria sua atuação na Geórgia após a decisão. Enquanto se junta à luta contra a lei na corte americana, a empresa segue com a sua produção normalmente e aguarda a manifestação do restante dos grandes estúdios.
A debandada dos estúdios pode causar muito estrago. Segundo a Motion Picture Association of America (MPAA), associação que representa os 5 principais estúdios cinematográficos de Hollywood, 455 produções foram filmadas no Estado em 2018 e mais de 92 mil empregos estão diretamente ligados ao entretenimento, movimentando uma indústria bilionária.
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