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Ministro da Economia esteve com mais de 50 deputados ao longo da terça-feira discutindo a reforma da Previdência

O ministro da Economia, Paulo Guedes, comparece hoje, às 14 horas, no plenário da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados e já chega aquecido para um duro jogo político que vai durar muitas horas.
A missão de Guedes é convencer os deputados a não desidratar (muito) a proposta original e minguar a previsão de economia de R$ 1 trilhão da reforma da Previdência. O mercado financeiro vai acompanhar de perto o desempenho de Guedes e a receptividade às falas do ministro. Não estranhe se a bolsa e o dólar oscilarem de acordo com a temperatura da comissão.
Ao longo da terça-feira, Guedes esteve no "aquecimento" com mais de 50 deputados do PSL, DEM, PSD e PRB, dentro da estratégia anunciada na semana passada de atuar no corpo a corpo da articulação política. A CCJ conta com 66 deputados.
Já discutimos aqui os riscos dessa estratégia e é difícil fazer um balanço taxativo dessa primeira rodada. Nota de corretora que circulou ontem capturou um tom positivo, destacando a disposição do governo em dialogar.
Já um analista político me disse que o cenário será de variações constantes de humor. Rodrigo Maia e boa parte do Congresso não podem partir para o enfrentamento político sob a pena de ficarem identificados como “velha política” e voltarem a apanharam de membros de dentro e de fora do governo e das redes sociais.
Se a proposta sair intacta da CCJ, que avalia apenas se a matéria respeita os preceitos constitucionais, pode-se considerar uma primeira vitória. É necessária maioria simples dos votos.
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Mas enquanto o líder do governo da Câmara, major Vitor Hugo, falou em manter o texto intacto, o próprio secretário da Previdência, Rogério Marinho, admitiu que as mudanças no BPC e no sistema rural podem cair.
Na Comissão Especial, onde se discute o mérito das alterações, a briga será ainda mais acirrada. Já há intensa movimentação de deputados e categorias, notadamente funcionários públicos, que vão atuar pesado para manter tudo como sempre foi, na melhor lógica de direitos adquiridos, com seus custos difusos e benefícios concentrados.
Paulo Guedes decretou guerra aos “amigos do Rei” e literalmente estará no campo de batalha onde todos os tipos de interesses, dos mais nobres aos mais subterrâneos, são representados.
Na semana passada, temendo levar tiros e pedradas da base e da oposição, Guedes cancelou sua participação na CCJ, abrindo o flanco para levar alguns golpes. As explicações foram dadas ao longo de cinco horas de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.
No entanto, um acordo foi costurado e o ministro volta, hoje, como convidado e não como "intimado".
Certamente a desistência será rememorada, mas Guedes contará com um bom guarda-costas, pois o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, já disse e reafirmou que acompanhará o ministro. O líder do PSL, delegado Waldir, prometeu arrumar um colete à prova de balas para ele.
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