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A inflação brasileira enfrenta desafios com alta nos custos de tecnologia e clima afetando preços e limitando cortes nos juros

Mesmo com uma queda no preço do petróleo, que diminui a pressão inflacionária no Brasil, os problemas para o Brasil ainda não acabaram. Em um novo relatório, a XP acredita que há pouco espaço para mais cortes na Selic.
Daqui para a frente, a condução da taxa pelo Comitê de Política Monetária (Copom) exige uma cautela cirúrgica diz a XP.
Embora o alívio imediato do preço do petróleo abra espaço para um provável último corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros em agosto, levando-a para 14% ao ano, os fundamentos econômicos sugerem que o "freio" dos juros precisará continuar acionado.
Os preços do petróleo caíram mais do que o esperado após o acordo de cessar-fogo entre o Irã e os Estados Unidos. Atualmente, estão na faixa de US$ 70 o barril, bastante abaixo do pico de US$ 120 nos piores momentos do conflito. A notícia é boa para a inflação no Brasil — e no mundo.
Sem essa pressão no radar, o custo de derivados como gasolina, diesel e fertilizantes deve melhorar. O mesmo acontece com itens correlacionados, como passagens aéreas, fretes e plásticos.
Assim, a XP revisou sua expectativa para o índice oficial de preços (IPCA) do Brasil para baixo: de 5,5% ao final do ano para 5,2%.
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Para o final do ano, os analistas de macroeconomia também diminuíram a projeção para o preço do petróleo. A estimativa de US$ 85 o barril caiu para US$ 75. Se confirmado, essa melhora na cotação deve diminuir as chances de o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) aumentar os juros no curto prazo — mais uma notícia positiva para o Brasil.
Contudo, os ventos positivos não serão suficientes para dissipar as nuvens no horizonte do Brasil. Os analistas da XP apontam outros pesos que a inflação deve carregar nos próximos meses.
Uma combinação de fatores estruturais e climáticos pode agravar a pressão de preços no país.
De um lado, a XP destaca o fenômeno El Niño, que ameaça a produtividade das safras e tende a encarecer os alimentos na reta final de 2026. A estimativa da casa é que a inflação de alimentos em domicílio chegue a 7,2% neste ano.
Além disso, uma nova dinâmica global de custos surge com os investimentos massivos em Inteligência Artificial (IA). Segundo o relatório, os preços de componentes tecnológicos e insumos industriais importados estão cada vez mais altos e não param na cadeia de produção.
Esse aumento de custos é repassado aos clientes e tem o potencial de neutralizar a melhora do combustível menos caro.
O relatório da XP destaca que a economia brasileira está operando acima do seu potencial, impulsionada por níveis de desemprego nas mínimas históricas.
Esse aquecimento do mercado de trabalho impacta principalmente os preços de serviços.
A inflação de serviços é um problema para o Copom há meses — sustentando preços esticados mesmo quando a inflação estava desacelerando no começo do ano, antes da guerra. Agora, depois do conflito, o preço de serviços e de bens estão pressionados.
Além disso, o relatório também expõe a pressão sobre os juros que vem das contas públicas.
O governo tem implementado um conjunto robusto de medidas de estímulo à economia durante esse ano eleitoral. Programas com isenções de impostos e créditos subsidiados somam aproximadamente R$ 181 bilhões.
Se por um lado esses incentivos sustentam o crescimento da atividade econômica, que a XP estima fechar em 2% em 2026, por outro, elevam o endividamento do país — e dificultam uma queda consistente dos juros.
A trajetória da dívida pública deve saltar para 83,3% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 para 88,2% em 2027. Este cenário mantém os investidores em alerta, segundo a XP, e as expectativas de inflação seguem "desancoradas", ou seja, sem confiança de que os preços convergirão para a meta de 3% nos próximos anos.
Embora a balança comercial brasileira continue robusta e o país atraia fortes investimentos diretos — o que ajuda a sustentar o valor do real —, a incerteza das eleições e a força global do dólar mantêm a moeda norte-americana em patamares elevados.
A projeção da XP é de que o dólar encerre 2026 em R$ 5 e suba para R$ 5,30 em 2027.
Para os analistas, “o real permanecerá volátil no curto prazo, principalmente à medida que as eleições se aproximam.” A estimativa é que as reformas fiscais serão insuficientes para estabilizar a dívida pública nacional neste ano e no próximo.
Em última análise, a retomada de um ciclo de cortes mais expressivos nos juros em 2027, para o patamar de 11,5% ao ano, é uma promessa condicionada à dissipação dos choques climáticos do El Niño e, principalmente, a um ajuste fiscal que traga previsibilidade para o futuro da economia do país.
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