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Com importação mais cara, E-Motors suspende vendas dos modelos da JMEV e aguarda melhora das condições de mercado

Em março, o BYD Dolphin Mini ganhou um novo rival na disputa pelo posto de carro elétrico mais barato do Brasil. Lançado por R$ 69.990, o JMEV Emova Easy assumiu a posição de modelo elétrico de entrada mais acessível do mercado.
Quatro meses depois, porém, a importadora E-Motors Brasil anunciou a suspensão das vendas do Emova Easy e do Emova Urban, versão mais equipada do modelo, vendida por R$ 99.990. A empresa também informou que reembolsará integralmente os consumidores que já haviam efetuado as reservas.
Segundo a importadora, a decisão foi motivada pela forte alta dos custos de importação, impulsionada pelo encarecimento dos fretes marítimos e pelo aumento da tributação sobre veículos elétricos importados, fatores que comprometeram a manutenção da tabela de preços original.
A expectativa da importadora é retomar as vendas quando os custos de frete diminuírem. Ainda não há uma data definida para a retomada da comercialização do JMEV Emova Easy e do JMEV Emova Urban, mais conhecidos como EV2 e EV3.
No início do ano, o custo para enviar um contêiner de 40 pés da China para o Brasil era de US$ 1.800, o equivalente a cerca de R$ 9.900. Em junho, esse valor saltou para US$ 10.200, aproximadamente R$ 56 mil — quantia suficiente para comprar um Renault Kwid seminovo.
Além da disparada no frete marítimo, houve o aumento da alíquota do Imposto de Importação para carros 100% elétricos. Em julho de 2026, a taxa atingiu o patamar máximo de 35%.
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Com isso, a tabela original de preços deixou de ser viável. Ao suspender as operações, a E-Motors Brasil afirma buscar evitar repassar os custos adicionais ao consumidor e preservar sua competitividade no segmento de entrada.
O encarecimento do frete entre Brasil e China reflete fatores geopolíticos globais, principalmente as tensões envolvendo Irã, Estados Unidos e Israel. O cenário afetou um dos principais corredores marítimos do mundo: o Estreito de Ormuz.
As restrições ao tráfego de embarcações na região elevaram os custos e os riscos do transporte marítimo, impactando rotas em todo o mundo, inclusive aquelas que não passam diretamente pelo estreito. A alta do preço do petróleo também contribuiu para esse movimento, já que o combustível representa uma parcela significativa dos custos operacionais da navegação.
Além disso, a antecipação de embarques por parte dos importadores e o aumento da demanda no segundo semestre pressionaram a capacidade das empresas de transporte marítimo, contribuindo para a elevação dos fretes.
Já em relação ao Imposto de Importação sobre veículos eletrificados, a alíquota chegou a 35% após dois anos de aumentos escalonados, em uma medida adotada pelo governo para incentivar a produção nacional de veículos elétricos e híbridos.
*Sob supervisão de Renan Dantas.
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