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Eduardo Campos
Eduardo Campos
Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo e Master In Business Economics (Ceabe) pela FGV. Cobre mercado financeiro desde 2003, com passagens pelo InvestNews/Gazeta Mercantil e Valor Econômico cobrindo mercados de juros, câmbio e bolsa de valores. Há 6 anos em Brasília, cobre Banco Central e Ministério da Fazenda.
Mercados

Com Selic menor, quem pode subir é o dólar

Com Banco Central acenando mais cortes e Fed reticente em reduzir taxas por lá, operações de arbitragem perderão ainda mais atratividade

31 de julho de 2019
20:01 - atualizado às 9:10
dólar cotação
Imagem: Shutterstock

O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou a Selic em meio ponto percentual, de 6,5% para 6% ao ano, e disse que tem espaço para mais. O movimento e o discurso serão comemorados na bolsa e no mercado de juros. Mas e o dólar? Tudo indica que a chance é de alta.

Falo “tudo indica”, pois prever mercado de câmbio é quase certeza de humilhação. Mas temos falado que estamos em um momento de mudança estrutural no mercado cambial brasileiro, reflexo da própria queda do diferencial entre o juro doméstico e externo.

E esse diferencial se estreitou mais, depois que o Federal Reserve (Fed), banco central americano, fez um corte de 0,25 ponto no seu juro, para 2% a 2,25%. Mais importante que isso, o presidente Jerome Powell, falou que não deve embarcar em um ciclo prolongado de ajuste. Em resumo, o juro brasileiro tende a cair mais e mais rápido que o americano.

Quanto menor o diferencial de juros, menor o apelo das operações de carry trade, na qual o investidor capta dinheiro “barato” lá fora, entra com ele no Brasil e ganha o diferencial de juros. Isso já foi “moda” nos períodos em que tínhamos juros acima de 14%, enquanto o custo do dinheiro no mundo rondava zero.

Essa queda de diferencial ocorre num momento que outros vetores também elevam a demanda de dólar por aqui, como a troca de dívidas externas por locais.

Os números de fluxo cambial mostram essa demanda por moeda americana. No ano até 26 de julho, a saída é de US$ 4,756 bilhões, contra ingresso de US$ 26,976 bilhões em igual período do ano passado.

O que vai ditar se teremos dificuldades nessa área do mercado é o cupom cambial (juro em dólar no mercado local). Quando o cupom sobre ou “abre” é sinal de maior demanda por dólares à vista.

Quando o diferencial de juros era elevado, os bancos traziam dólares de fora, atendiam à demanda e ganhavam com arbitragem. Agora, essas operações rarearam e o próprio BC tem atuado mais no mercado à vista com operações de linha. (Discutimos mais detidamente essa falta de arbitradores e todo funcionamento do mercado neste texto aqui).

O que pode equilibrar os impactos dessa queda no diferencial de juro é o efeito expectativa. Algo como o mercado antecipando eventual retomada mais firme do crescimento via juros menores ou mesmo o início de um esperado fluxo de investimentos no país.

Os próximos pregões e uma eventual atuação do BC nos darão a resposta. Aliás, no limite, se a demanda por dólar à vista continuar elevada, o BC pode mesmo vender reservas internacionais em movimento de troca de instrumentos de intervenção levando em conta custos e benefícios.

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